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Likes invisíveis: qualidade ou quantidade?

Especialista analisa omissão de likes do Instagram e seus impactos e comenta sobre as próximas novidades: doações, Instagram Music, Anúncio de Vagas no Facebook e Facebook Date

Há alguns dias a internet trouxe à tona a possibilidade do Instagram retirar a visualização do número de curtidas de fotos e vídeos publicados na plataforma. A novidade, que inicialmente foi negada pela empresa em questão e, posteriormente, confirmada através da Conferência F8 de 2019, já está em funcionamento, trazendo como proposta a busca legítima por conteúdos de qualidade, sem influência das métricas, uma vez que os números se tornaram um sinalizador de popularidade, gerando ansiedade ou, até mesmo, depressão nos usuários e pressão nos resultados de marketing das empresas.

O professor, consultor e especialista em mídias sociais, Fernando Souza, explica que mesmo com a mudança, os usuários não terão grandes impactos nos alcances de suas publicações, uma vez que a plataforma não deixará de exibir o conteúdo, mas somente os números. "Além disso, a novidade faz bastante sentido se pensarmos que, um conteúdo produzido na internet não deve ser medido pelo usuário a partir, apenas, do número de curtidas. Ou seja, o seguidor deve se concentrar ao conteúdo que ele de fato acredita ser relevante ou, ainda, compatível com seu estilo de vida", pondera o consultor.

De acordo com Souza, a questão das métricas só devem interessar ao gerenciador da publicação, de forma que ele possa medir o quanto vem engajando seu público com o conteúdo ofertado. "É possível, entretanto, que não havendo transparência no volume de likes, seguidores e alcance dos posts, alguns influenciadores que trabalham com publiposts, venham a inflar os números nos mídia-kits, deixando as marcas contratantes com uma certa insegurança", alerta Souza.

Nestes casos, assim como já ocorre com alguns perfis que utilizam robôs para inflar o número de seguidores, o ideal é que as marcas se cerquem sobre a autenticidade dos números exibidos pelo influenciador. "As marcas podem solicitar prints online de posts específicos de datas anteriores, ou até mesmo, solicitarem acesso às métricas, dessa forma é possível validar todas as informações. Em transmissões ao vivo, a marca também poderá checar quantos internautas estão plugados no conteúdo que está sendo transmitido e o endosso de outras empresas que já se utilizaram do canal/influencer também deve constar no rol das checagens", ressalta Souza.

O consultor acredita também que, a partir do novo recurso, nenhum usuário estará livre da atualização. "É possível que a novidade deixe as opiniões de usuários divididas, como geralmente ocorre com ajustes que geram alterações de comportamento nas mídias sociais", explica o especialista.

Com as rápidas informações alcançadas na internet, além de seu consumo desenfreado, é normal que usuários levem em consideração as avalições a partir das curtidas e dos comentários em publicações das mídias sociais, blogs, sites, portais e outros. Para o consultor, a medida tomada pelo Instagram é semelhante ao que já vimos na mídia tradicional. "O interessante da proposta da plataforma é que, se formos analisar o consumo das programações de TV ou, até mesmo, de algumas plataformas de filmes e séries, nós não temos como mensurar, somente em likes e curtidas, o quão relevante aquela produção de fato foi, pela técnica utilizada, pela performance do ator ou ainda, simplesmente, pela preferência de gênero, já que uns gostam mais de drama, enquanto outros de terror", ressalta Souza. Nesse sentido, o profissional explica que essa é a intenção do Instagram, tornar o conteúdo compatível com determinado usuário e fixar a atenção por familiaridade diante do que foi produzido pela empresa ou pelo influenciador digital, desmistificando as métricas de vaidade.

Como toda novidade traz uma certa resistência de aceitação do público, com a atualização do Instagram não será diferente. A mudança, apesar de positiva, poderá reduzir os altos índices de depressão e ansiedade, além de qualificar os dados e conteúdos publicados. "É provável que usuários se sintam bastante incomodados com a alteração dos likes inicialmente, mas por um curto prazo, afinal, as pessoas acabam se acostumando. Logo será possível verificar a qualidade rendendo sob a quantidade, com uma relação mais humana e seletiva sob determinados assuntos", conclui Souza.

Novidades das plataformas

As duas maiores mídias sociais do mundo mantêm semanalmente uma espécie de circuito de novidades para usuários, influenciadores e empresas. As ações geralmente têm como foco potencializar o relacionamento mais próximo entre usuários, permitindo um contato mais humano. Outras atualizações acontecem para melhorias das plataformas e funções técnicas. "Duas grandes novidades foram anunciadas pelo Instagram, a primeira delas, os usuários poderão utilizar alguns stickers conectados diretamente à algumas ONGs, com intuito de doação direta. Além disso, o Instagram Music, que tem como foco o compartilhamento de músicas através dos stories, já está funcionando no Brasil e promete movimentar ainda mais a plataforma.

Para o Facebook, as duas grandes ofensivas serão em relação ao LinkedIn e ao Tinder. "Já é possível verificar as ações de vagas e candidaturas a partir da plataforma, com acompanhamento das empresas quanto aos números de inscritos para determinadas vagas, processo seletivo, checklist de candidatos e outras ferramentas", detalha Souza.

Sobre a disputa com o Tinder, o Facebook iniciou a liberação do Facebook Date, inspirado em apps de encontros, o usuário passará a verificar perfis compatíveis e que estejam à procura de encontros e romances.

Website: http://www.fernandosouza.com.br

 

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