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Pneu, de vilão a um possível protagonista na Economia Circular

O Brasil desde a aprovação da Lei Federal 12.305/2010, que possibilitou a existência da (PNRS), Política Nacional dos Resíduos Sólidos, tem avançado no tema. Porém, certos segmentos ainda estão engatinhando para poder obter resultados concretos.

O tema Economia Circular está cada dia mais em evidência nos assuntos de Governo e empresas privadas, mas o tema ainda é considerado difícil por muitos segmentos. O Brasil desde a aprovação da Lei Federal 12.305/2010, que possibilitou a existência da (PNRS), Política Nacional dos Resíduos Sólidos, tem avançado no tema. Porém, certos segmentos ainda estão engatinhando para poder obter resultados concretos. 

O Pneu que era o vilão da década passada passou a ser um dos “cases” de maior sucesso no Brasil mesmo que ainda tenha desafios. Segundo o último relatório publicado pelo Ibama em 2018, a meta de destinação chegou a casa de 99,5% de cumprimento. Número expressivo, que corresponde a 585 mil toneladas, considerando um pneu de carro com 7 kg em média, estamos falando de 83 milhões de pneus reciclados e transformados. Último relatório publicado pelo Ibama: http://www.ibama.gov.br/phocadownload/pneus/relatoriopneumaticos/ibama-relatorio-pneumaticos-2018_atualizado_em_novembro_2018.pdf

Segundo o Presidente da ABIDIP, Associação Brasileira dos Importadores de Pneus novos, Sr. Milton Favaro Junior, “o número é bom, tem avanços principalmente nos últimos 10 anos.  Porém, ainda tem desafios para que realmente o pneu cumpra sua missão de ser um pilar seguro na economia circular, pois a produção normal é linear e deverá passar a ser circular, com total aproveitamento dos resíduos para transformar e reutilizar sem trazer prejuízos ao meio ambiente”. Ainda segundo Favaro, “existem projetos no Brasil que são exemplos para o mundo em relação ao processo de reciclagem que vão de encontro aos pilares essenciais da economia circular. Um deles é o chamado Asfalto Borracha, o qual já é pacificado sua importância e benefício ao cidadão e ao meio ambiente. O Brasil já tem tecnologia de ponta nesse segmento. Mas, os Estados e o Governo ainda têm que mudar sua mentalidade tributária nesse segmento". Ainda segundo o Presidente da ABIDIP,  "a percepção antes da operação Lava Jato é que era melhor as estradas terem manutenção periódica, alimentando um sistema viciado e subterrâneo de interesses. Porém, vejo com bons olhos o novo governo, principalmente no Ministério de Infraestrutura, onde pudemos conversar e verificar o interesse e a credibilidade que se deu ao tema de asfalto borracha" .

Um dos principais projetos deste tipo no Brasil está no Paraná, chamada Strasse Reciclagem, www.strasse.ind.br ,  nome de origem alemã que tem referência a palavra rua em português, empresa que tem como base um projeto social, instalada na Colonia Penal Agrícola de Piraquara, região metropolitana de Curitiba. O projeto intitulado  Pneus Velhos Asfalto Novo, dá empregos aos detentos, trazendo a ressocialização, tratamento diferenciado ao preso, com respeito e dignidade, além de retirar milhões de pneus das ruas, a empresa atua com os importadores associados da ABIDIP. Mas segundo Milton Fávaro, "um projeto deste sofre em se manter, justamente porque não tem apoio, paga ICMS absurdo além de impostos federais, e com isso não consegue sobreviver. Temos discussão a mais de 4 anos no Governo do Paraná para dar benefícios a este tipo de produto, tentando aprovar o repasse do crédito de ICMS e assim diminuir o valor deste tipo de asfalto proporcionando maior utilização e benefício a população, mas o sistema é moroso e burocrático, esperamos que o novo Governo do estado do Paraná seja mais ágil, caso contrário, um dos melhores projetos do Brasil de asfalto Borracha irá fechar. Vale lembrar que a Lei federal 12.305 tem previsão de dar preferência a produtos oriundos de reciclagem, além do próprio Paraná ter lei específica sobre o asfalto borracha, e mesmo assim há dificuldades”.

O Pneu tem diversas propriedades a serem aproveitadas, pois tem aço dentro de sua fabricação, onde também é enviada as indústrias de reciclagem de aço. Porém, segundo último relatório do Ibama, ainda é o coprocessamento o maior destino com praticamente 47% dos resíduos, que são enviados para as cimenteiras como fonte de energia e um dado interessante é a Pirólise, sistema de transformação que pode obter o óleo, e energia no processo, além do aço, sobrando o chamado Negro de Fumo, que antes não aparecia no relatório e agora aparece com 2,26%.

Segundo Milton Favaro, outro sistema interessante que o Brasil é pioneiro, é o chamado sistema de controle de coletas por Georreferenciamento, por aplicativo, sistema piloto já está em funcionamento no Rio Grande do Sul pela empresa EcoTires, com aplicativo chamado eureciclopneus, o qual tem somente no Rio Grande do Sul mais de 3000 mil pontos de revendas e borracharias credenciadas, com controle e coordenação para recolhimento e destinação de pneus, atendendo aos associados da ABIDIP. Pode-se visitar o site em www.eureciclopneus.com .

Os maiores desafios ainda é a sobrevivência destas empresas, pois estes pneus já passaram por todas as fases de tributação, que são imensas, e ainda para recolher, reciclar, transformar, tem que se pagar mais impostos, esperamos que as autoridades de governo, tanto estadual como federal possam de uma vez por todas modificar este cenário e com isso apoiar a Economia Circular.

 

Website: http://www.abidip.com

 

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