Marcha de 1º de Maio na Argentina vira convocação para greve geral no dia 9

Poderosa central sindical CGT divulgou documento criticando as políticas do governo de Javier Milei e alegando que ajuste tem penalizado setores de baixa renda, classe média assalariada, aposentados e pensionistas

Roberto de Lira

Manifestante segura uma bandeira argentina ao lado dos membros da polícia durante marcha do Primeiro de Maio, em Buenos Aires, na Argentina (Foto: Agustin Marcarian/Reuters)

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A poderosa Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Argentina aproveitou a tradicional marcha do Dia do Trabalho em Buenos Aires para protestar contra a Lei de Bases, aprovada na tarde de ontem pela Câmara dos Deputados, um amplo conjunto de legislações que contém uma reforma trabalhista no país. Os líderes da central sindical também confirmaram um greve geral, marca para o próximo dia 9.


Sem o registro de incidentes, milhares de argentinos foram às ruas, percorrendo um trajeto pela Avenida Independência até o Paseo Colón, chegando ao Monumento Canto al Trabajo, localizado em frente à Faculdade de Engenharia da Universidade de Buenos Aires (UBA).


Ao contrário de anos anteriores, não havia um palco montado para o final da manifestação e não foi feito nenhum comício. No entanto, foi lida uma carta da CGT com fortes críticas às políticas implementadas pelo governo ultraliberal do presidente Javier Milei.

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“Estamos passando por um momento sério como país e como sociedade . Um governo nacional que, em nome de uma ‘liberdade de mercado’ incompreendida, implementa um ajuste brutal que é especialmente sofrido pelos setores de baixa renda, pelas classes médias assalariadas, pelos aposentados e pensionistas”, apontaram os dirigentes sindicais no documento.


Para eles, preços livres de alimentos, medicamentos, energia e serviços essenciais e salários reduzem o poder de compra enquanto negociações feitas pelo Ministro da Economia impedem a atualização adequada dos salários. “Recessão e aumentos incessantes geram queda nos níveis de atividade econômica e nos índices de consumo básico, que – na prática – representam uma transferência fenomenal de recursos para os setores mais concentrados e privilegiados da economia”, diz a nota.


Na convocação do evento, a CGT postou nas redes sociais slogans como: “A Pátria não está à venda”; “Na rua para mudar de vida”; e “Os direitos são defendidos”.

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Na entrevista coletiva após a marcha, Pablo Moyano, diretor-geral da central sindical, disse estar convencido que 33 senadores peronistas vão votar contra a Lei de Bases, que seguirá para a Casa após a aprovação pela Câmara. “Temos que procurar aqueles que não pertencem à Unión por la Patria”, declarou, mostrando que vai buscar ainda mais apoio contra as mudanças.