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Consumidor de calcário sofre com polêmica do frete tabelado

Produtores de corretivos agrícolas temem reflexos da fixação de preços mínimos para distribuição de insumos; Mato Grosso e Paraná já sofrem efeitos

O tabelamento do frete rodoviário afetou o trabalho das indústrias de calcário agrícola no Brasil. Em parte dos estados, o cenário é de cancelamento ou redução nos pedidos. Mesmo em regiões onde a entrega segue normalizada, o temor vem da indefinição quanto ao tema.

A Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (Abracal) tem monitorado a situação junto aos associados. No Brasil, são cerca de 300 empresas produtoras. "O frete tem um peso importante no nosso segmento, na medida em que dependemos dos caminhões para a entrega ao agricultor", disse o presidente da Abracal, Oscar Alberto Raabe.

A análise inclui a própria cadeia produtiva. "Para os nossos insumos, alguns fretes dobraram de preço no estado", conta o presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Calcário de Mato Grosso (Sinecal), Kassiano Riedi. " Já para os nossos clientes, o impacto foi grande. Muitas vezes o transporte é mais caro que o calcário".

A estimativa no Mato Grosso é que, com a tabela, o preço do frete subiu pelo menos 40%, tendo dobrado em alguns casos. "Já há clientes que reduziram os pedidos e até cancelamentos".

Marcos Bertolini, do Sindicato das Indústrias de Extração de Mármores, Calcários e Pedreiras do Paraná (Sindemcap), cita uma leve melhora na comparação com o período logo após a greve dos caminhoneiros. "Mas está longe da normalidade para esse período do ano", contou.

O Rio Grande do Sul apresenta normalidade na entrega. Roberto Zamberlan, que preside o sindicato das indústrias no estado, vê outro entrave com a tabela. "A situação ainda está confusa", disse.

Prejudicados

O preço mínimo interferiu na forma como o mercado funcionava, principalmente no retorno dos caminhões que levam grãos para os portos. Na volta, traziam fertilizantes ou calcário, por um frete mais em conta. Agora os transportadores exigem preço cheio no retorno.

O Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-LOG), da Universidade de São Paulo (USP), avalia que a tabela prejudicará, a médio prazo, os terceirizados. O custo adicional será pago, inicialmente, pelo agricultor, mas tende a chegar ao consumidor de alimentos, diz o grupo.

O governo tem 15 dias para analisar a medida provisória que criou a tabela, tão logo a MP, aprovada pelo Congresso Nacional na semana passada, chegue ao Palácio do Planalto.

Website: http://www.abracal.com.br

 

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