Destaques da Bolsa

Ações de shoppings, varejistas e construtoras caem entre sinalizações da ata do Copom e recomendações; CVC sobe 2,5%

Confira os destaques da B3 na sessão desta terça-feira (22)

SÃO PAULO – As ações das empresas ligadas à economia doméstica, como de varejo, construtoras e shopping centers registraram queda nesta terça-feira (22), com os investidores repercutindo as sinalizações da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que apontou que pode levar o Comitê a acelerar o ritmo de alta da Selic na próxima reunião (de 0,75 pontos-base para, possivelmente, 1 ponto-base).

Além disso, empresas do segmento de shopping, como brMalls (BRML3, R$ 11,02, -2,48%) e Multiplan (MULT3, R$ 25,30, -2,65%) caíram entre 2% e 3% após terem a recomendação reduzida pelo Morgan Stanley. A Iguatemi (IGTA3, R$ 43,50, +0,74%), porém, conseguiu virar e fechar em alta.

Dos outros setores, Lojas Renner (LREN3, R$ 45,79, -1,06%) recuou cerca de 1%, Cia. Hering (HGTX3, R$ 34,96, -1,80%) teve baixa de quase 2%, assim como Lojas Americanas (LAME4, R$ 21,67, -1,95%). Entre as construtoras, Cyrela (CYRE3, R$ 23,73, -1,49%) e MRV (MRVE3, R$ 16,70, -0,89%) e EzTec (EZTC3, R$ 33,66, -0,80%) caíram entre 0,8% e 1,5%.

Bancos também registraram baixa, caso de Itaú (ITUB4, R$ 32,03, -1,29%), Bradesco (BBDC3, R$ 23,10, -1,20%; BBDC4, R$ 27,16, -1,84%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 33,85, -2,11%). No radar, os investidores acompanham a votação do do aumento da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) sobre o setor pelo Senado. Os investidores também repercutem o noticiário sobre tributação de dividendos. Segundo jornais como o Estado de S. Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, decidiu propor a volta da tributação do lucro e dividendos com uma alíquota de 20%. A alíquota é maior do que os 15% inicialmente previstos para compensar a perda de arrecadação que o governo terá com o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) de R$ 1,9 mil para R$ 2,4 mil.

Na Câmara, foi mantido no início de junho o texto original enviado pelo governo relacionado aos bancos, que permitiu elevar a alíquota da Contribuição do setor financeiro de 20% para 25% entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2021. Esse aumento foi a contrapartida para bancar a decisão que zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel por dois meses e sobre o gás de cozinha de forma permanente.

Com a MP, empresas de seguros privados, capitalização, cooperativas de crédito, entre outras, também passaram a pagar mais: as alíquotas aumentaram de 15% para 20%. A partir de janeiro de 2022, todas as instituições do setor financeiro passam a recolher os percentuais vigentes antes da edição da MP.

Já as ações da Eletrobras (ELET3, R$ 47,08, -1,03%; ELET6, R$ 47,35, -0,15%) caíram, ainda que acumulando ganhos de cerca de 38% em 2021, com os investidores embolsando os lucros após a Câmara aprovar em segunda votação a Medida Provisória que permite a privatização da companhia. O texto segue agora para sanção presidencial.

Ainda em queda, ficou o IRB (IRBR3, R$ 6,04, -0,98%), depois de reportar prejuízo líquido de R$ 48,9 milhões em abril.

Entre as altas, estiveram os papéis do Banco Inter (BIDI11, R$ 70,25, +1,58%) e da CVC (CVCB3, R$ 28,90, +2,45%). O conselho de administração da CVC Brasil aprovou aumento do capital social de até R$ 480 milhões, mediante a emissão de no máximo 25.104.603 ações para subscrição privada por R$ 19,12 cada.

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As ações de Vale (VALE3, R$ 111,40, +1,17%) e CSN (CSNA3, R$ 42,51, +1,12%) avançaram, em um dia de disparidade para as diferentes negociações no mercado de minério de ferro. Enquanto o minério spot negociado em Qingdao com pureza de 62% teve alta, os contratos futuros negociados em Dalian registravam perdas no início da manhã. Ainda no noticiário sobre a CSN, o Conselho da siderúrgica aprovou programa de recompra de ações.

Confira os destaques:

Eletrobras (ELET3, R$ 47,08, -1,03%; ELET6, R$ 47,35, -0,15%)

Na noite da véspera, a Câmara dos Deputados concluiu na noite de segunda a votação da Medida Provisória que permite a privatização da Eletrobras. O texto segue agora para sanção presidencial. O aval do Congresso representa uma vitória para o governo de Jair Bolsonaro, que ainda não vendeu nenhuma empresa de controle direto da União.

Os deputados firmaram acordo para aprovar destaque proposto pelo líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), que resgata uma emenda, aprovada pelo Senado, que permite que o Exército brasileiro execute projetos na revitalização dos recursos hídricos das bacias do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba.

A emenda havia sido rejeitada pelo parecer do relator, Elmar Nascimento (DEM-BA), apresentado mais cedo. Ele argumentou que a participação do Exército de forma conjunta ou concorrente com a Eletrobras ou com a Companhia Hidrelétrica do São Francisco, a Chesf, poderia prejudicar a aplicação de mecanismos de governança mais consolidados.

Os deputados também aprovaram trecho que determina que o Executivo deverá remanejar empregados da Eletrobras e subsidiárias que forem demitidos sem justa causa nos primeiros 12 meses após o processo de desestatização. Os funcionários deverão ser realocados em cargos de mesma complexidade ou similaridade.

Com o aval do Congresso, o governo poderá dar prosseguimento aos preparativos para emissão de novas ações da empresa, prevista para o primeiro trimestre de 2022, por meio da qual a União vai reduzir sua fatia na companhia de cerca de 60% para 45%. A privatização é a aposta do governo para ampliar investimentos da empresa, que é a maior companhia de energia elétrica da América Latina.

O líder da Oposição na Casa, Alessandro Molon (PSB-RJ), afirmou que os partidos de oposição vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a sanção da MP.

Petz (PETZ3, R$ 24,31, -0,53%)

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A Petz celebrou contrato de aquisição do Cansei de Ser Gato Serviços de Produção de Conteúdo (“CDSG”), uma das maiores plataformas digitais de conteúdo e produtos exclusivos para gatos no Brasil. Fundado em 2013 pelas empreendedoras Amanda Nori e Stéfany Guimarães, o CDSG cria conteúdos bem humorados e educativos para donos de gatos, além de produtos exclusivos para felinos.

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 20,97, -1,41%)

O Magazine Luiza informou a conclusão da compra da plataforma de entrega de refeições por aplicativo Plus Delivery.

Segundo comunicado, “a Plus Delivery é uma plataforma completa especializada no delivery de diversos tipos de comida,
recebendo e gerenciando pedidos por meio de um aplicativo rápido, prático e seguro”.

“Presente em mais de 30 cidades, a Plus Delivery é uma das líderes de entrega de comida no estado do Espírito Santo. A plataforma opera no modelo de unidades próprias e processou, no último mês, aproximadamente 250 mil pedidos, preparados por cerca de 1.500 restaurantes parceiros”, destaca a empresa.

Vale (VALE3, R$ 111,40, +1,17%) e minério de ferro

O minério de ferro à vista negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza registra alta de 3%, a US$ 212, 70 a tonelada, de acordo com dados do Bradesco BBI.

Por outro lado, os contratos futuros do minério de ferro negociados na China caíram pela segunda sessão consecutiva nesta terça-feira, em movimento que derrubou os ganhos acumulados em 2021 para 31% – contra mais de 50% anteriormente -, na esteira de planos de Pequim de ampliar investigações sobre preços de commodities.

O contrato mais negociado do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian DCIOcv1, para entrega em setembro, chegou a cair 5,2%, para 1.110 iuanes (US$ 171,75) por tonelada, uma mínima de duas semanas. A referência fechou em queda de 2,7%, a 1.139 iuanes por tonelada.

“Após as políticas macro recentes, as especulações começaram a perder força e os preços do minério de ferro flutuaram”, disseram analistas da Huatai Futures em nota.

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Na segunda-feira, a agência estatal de planejamento e o órgão regulador do mercado na China observaram o mercado à vista no Beijing Iron Ore Trading Center e prometeram monitorar os preços de perto e investigar especulações maliciosas.

“A China está implementando medidas direcionadas para ajudar a conter a especulação sobre os preços das commodities. Continuamos vendo os fundamentos do mercado de aço e minério de ferro como muito saudáveis, o que deve continuar sustentando os preços bem acima dos níveis médios, apesar dessas medidas direcionadas à especulação”, avaliam os analistas do Bradesco BBI.

CSN (CSNA3, R$ 42,51, +1,12%)

O Conselho de Administração da CSN aprovou a abertura de programa de recompra de ações para aquisição, no período de 22 de junho de 2021 a 21 de dezembro de 2021, de até 24.154.500 ações ordinárias. A quantidade em circulação no mercado atualmente é de 654.381.197 ações.

Segundo a companhia, a aquisição respeitará os limites legais e será feita com base em recursos disponíveis. Os papéis serão mantidos em tesouraria para posterior alienação ou cancelamento.

O preço das ações não poderá ser superior ao da sua cotação na B3. O objetivo da CSN, de acordo com comunicado, “é maximizar a geração de valor para o acionista por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital”.

São Martinho (SMTO3, R$ 37,50, -0,77%)

A empresa de açúcar e etanol São Martinho registrou lucro líquido de R$ 207,36 milhões no quarto trimestre da temporada 2020/21, alta de 45,4% em relação a igual período do ciclo anterior. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 568,2 milhões no quarto trimestre fiscal da empresa, queda de 1,9% na comparação anual.

A receita líquida da São Martinho alcançou R$ 1,157 bilhão no período, leve alta de 0,9% no ano a ano. Do total, o faturamento com açúcar cresceu 16,9%, a R$ 542,3 milhões, enquanto a receita com etanol recuou 13,2%, para R$ 567,7 milhões.

“Mesmo diante dos desafios que se mostraram, conseguimos um ano com recorde de resultados operacionais e financeiros”, disse a companhia em nota, citando as dificuldades representadas pela pandemia de Covid-19.

No ano completo de 2020/21, a São Martinho obteve lucro líquido R$ 927,1 milhões, salto de 45,1% ante 2019/20, enquanto o Ebitda ajustado atingiu 2,187 bilhões de reais, alta de 17,8%.

Anteriormente, a empresa do setor sucroalcooleiro havia apresentado seu “guidance” para a temporada 2021/22, indicando que a estiagem no centro-sul do Brasil deve resultar em uma moagem de cana 8,9% menor neste ciclo, a 20,5 milhões de toneladas.

A fabricação de açúcar pela companhia deverá recuar 18,7% em 2021/22 na comparação anual, para 1,2 milhão de toneladas, enquanto a produção de etanol tende a cair apenas 0,5%, para 1,013 bilhão de litros.

A São Martinho ainda disse que em 31 de março de 2021, a fixação de preço de açúcar para a temporada atual, totalizava o volume de, aproximadamente, 939 mil toneladas, o que representa cerca de 97% da cana própria, a um preço de 1.634 reais por tonelada.

Para a safra 2022/23, as fixações totalizavam 343 mil toneladas de açúcar, o que representa em torno de 38% da cana própria, a um preço de R$ 1.773 por tonelada.

De acordo com a XP, a São Martinho entregou resultados fortes, destacando que o setor de Açúcar & Etanol passa por um momento favorável, com preços altos para o açúcar devido à perspectiva de oferta menor, enquanto os preços do petróleo e da gasolina estão em alta, empurrando o preço etanol para cima e levando as indústrias sucroalcooleiras a adaptar seu mix de produção.

“Na nossa visão, a São Martinho deve seguir sendo positivamente afetada por este cenário para a safra 2021/22 – mesmo tendo cerca de 80% de sua produção de açúcar com preços já fixados via hedge financeiro, ela ainda pode lucrar ao vender seus estoques em um ambiente de preços elevados”, avaliam os analistas Leonardo Alencar e Larissa Pérez.

O Itaú BBA comentou os resultados trimestrais da São Martinho, e seu guidance (conjunto de previsões e planos) operacional para 2021 e 2022. O guidance para 2021/2022 indicou processamento de cana-de-açúcar 5% menor, mas uma proporção 6% maior de açúcar total recuperável por tonelada, em comparação com a previsão do Itaú. O Ebitda fica 3% abaixo de sua estimativa oficial.

O banco diz que o bom momento para os preços do açúcar pode estar apenas começando, considerando a previsão de uma relação pressionada entre oferta e demanda, e uma perspectiva temerária para a colheita brasileira. O banco ressalta que recentemente elevou a avaliação da empresa para outperform, com preço-alvo para 2021 de R$ 42.

Ainda no radar da companhia, o Bradesco BBI comentou um relatório divulgado na segunda pela empresa de trading Czarnikow, que indicou que o programa de etanol da Índia levará o governo a extinguir subsídios à exportação de açúcar, e acabar com os volumes exportáveis de açúcar do país. A empresa afirmou no relatório que o plano do país é impulsionar uma mistura de 20% de etanol à gasolina já em 2023, comparado a apenas 5% atualmente. Isso deve levar à produção de 6 bilhões de litros de etanol a partir de caldo de cana de açúcar e melado. Isso deve reduzir a produção local de açúcar em mais de 6 milhões de toneladas, equivalente a 10% do total mundial.

O banco ressalta que a Índia corresponde a 10% do comércio de açúcar, e que elevar a mistura de etanol pode beneficiar a São Martinho, para a qual mantém avaliação outperform e preço-alvo de R$ 41. O cenário pode levar a uma pressão maior na relação entre oferta e demanda global. Além disso, ressalta que o açúcar responde por 50% da receita total da São Martinho.

IRB (IRBR3, R$ 6,04, -0,98%)

O IRB Brasil Resseguros teve prejuízo líquido de R$ 48,9 milhões em abril de 2021 ante um prejuízo líquido no mesmo mês de 2020 de R$ 170,1 milhões.

Nos quatro primeiros meses do ano, o lucro líquido foi de R$ 1,9 milhão ante um prejuízo líquido no mesmo período de 2020 de R$ 135,1 milhões.

Ao excluir o efeito dos negócios descontinuados (run-off) e dos eventos não recorrentes (one-offs), o prejuízo líquido em abril de 2021 foi de R$ 38,9 milhões. Já nos quatro primeiros meses de 2021, a emrpesa obteve um lucro líquido de R$ 41,5 milhões.

A empresa destacou que o prêmio emitido de R$ 785,9 milhões ficou praticamente estável em relação a abril de 2020 com uma redução de 0,9%, sendo R$ 364,7 milhões no Brasil e R$ 421,2 milhões no exterior. Houve crescimento de 8,6%
no Brasil em relação a abril de 2020 e redução de 7,9% no exterior no mesmo conceito.

Já nos quatro primeiros meses de 2021, o prêmio emitido de R$ 2,7164 bilhões, queda de 2,6% frente igual período de 2020, sendo R$ 1,4091 bilhão no Brasil (alta de 15,9%) e R$ 1,3073 bilhão no exterior (queda de 16,9%). “A redução dos prêmios com origem no exterior está em linha com a estratégia de re-underwriting [de limpeza do balanço] amplamente divulgada pela companhia”, apontou o IRB.

Em breve comentário, os analistas do Credit Suisse apontaram que os números foram negativos, com a estratégia de “re-underwriting” ainda cobrando seu preço. Eles reforçam que, mesmo desconsiderando o impacto da carteira run-off e outros itens pontuais, a empresa ainda registrou prejuízo de R $ 38,9 milhões no mês de abril. Os analistas do banco suíço possuem recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para as ações IRBR3, com preço-alvo de R$ 7,50 para cada ativo.

Pão de Açúcar (PCAR3, R$ 41,55, +2,90%)

O jornal O Estado de S. Paulo informou, citando fontes, após o fechamento do mercado, que o grupo francês Casino contratou o banco brasileiro BR Partners para começar a estruturar a venda de sua fatia no GPA, dono da marca Pão de Açúcar.

Por enquanto não há nenhuma negociação efetiva em curso, pois o objetivo do Casino, conforme fontes, é se desfazer primeiro Cnova, seu braço de comércio eletrônico, e do Grupo Éxito, com presença na Colômbia, Uruguai e Argentina, informou o jornal.

Contudo, em comunicado divulgado nesta manhã, o GPA informou que, após inquirir os seus administradores e acionista controlador, nenhum banco foi contratado e que não há processo de venda em curso.

Na véspera, os papéis PCAR3 subiram quase 8% após notícia do jornal O Globo de que o empresário Michael Klein começou a montar uma participação minoritária na empresa.

“Apesar de acreditarmos que notícias sobre os possíveis desinvestimentos podem trazer volatilidade para o papel, como a vista na segunda, mantemos nossa recomendação neutra [para PCAR3] por vermos uma baixa probabilidade de concretização dessas operações no curto prazo, principalmente dado que Cnova (a que vemos com a mais desafiadora) é colocada como a primeira na lista e GPA Brasil (a que vemos como a mais provável) como a última. Ainda, acreditamos que o fato do grupo Casino estar aberto a vender todas suas operações do GPA sinaliza desafios na operação”, apontam em relatório os analistas da XP.

Os analistas preferem exposição ao segmento do atacarejo, com Assaí (ASAI3) como preferência devido à combinação de uma melhor tendência de resultados de curto prazo (com a retomada de bares, restaurantes e transformadores com a volta à normalidade) e sólida perspectiva de crescimento (crescimento médio anual de vendas do Assaí em 24% até 2023).

3R Petroleum (RRRP3, R$ 48,10, -1,56%)

A 3R Petroleum anunciou a compra da Duna Energia pelo valor de US$ 71 milhões. As ações serão transferidas do BTG e de outros minoritários para a 3R, de forma que a Duna Energia passará a ser subsidiária integral da empresa. O fechamento da operação está sujeito à aprovação do conselho de administração da empresa e de seus acionistas.

Teles

A operação de compra da Oi Móvel (OIBR3, R$ 1,53, -1,29%; OIBR4, R$ 2,21, -0,90%) pelo consórcio de Vivo (VIVT3, R$ 43,90, -2,75%), TIM (TIMS3, R$ 12,05, -3,96%) e Claro, acertada em leilão por um lance de R$ 16,5 bilhões em dezembro, enfrenta resistência de outros agentes de mercado nas discussões dentro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), destaca o Estadão. Está ganhando corpo nessas arenas um movimento contrário à concentração de mercado, como resultado do fatiamento das redes de telefonia e internet móvel da Oi entre as três rivais.

Neste momento em que a transação está sob análise, as partes contrárias encaminharam aos órgãos públicos argumentos e estudos sobre potenciais efeitos negativos com a consolidação do setor. As partes também estão colocando na mesa pedidos de veto à transação ou, no mínimo, a aplicação de remédios para amenizar os esperados efeitos negativos. As propostas vão desde o endurecimento da fiscalização dos preços dos serviços ofertados pelas grandes teles até a venda de ativos da Oi para terceiros.

No Cade, cinco entidades já tiveram aval para acompanhar de perto o processo que analisará o ato de concentração. São elas: as operadoras regionais Algar e Sercomtel, as associações empresariais TelComp e Neo (que representa os provedores de pequeno e médio porte) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O trânsito também é visto na Anatel.

No dia 28, por exemplo, haverá uma reunião extraordinária a pedido dos provedores regionais para discutir a venda da Oi Móvel.

O que sobra da Oi após os leilões? Confira análise abaixo: 

CVC (CVCB3, R$ 28,90, +2,45%)

O conselho de administração da CVC Brasil aprovou aumento do capital social de até R$ 480 milhões, mediante a emissão de no máximo 25.104.603 ações para subscrição privada por R$ 19,12 cada.

O aumento de capital será destinado ao capital social e à reserva de capital, sendo que R$ 1,73 por ação será destinado ao capital social e R$ 17,39 por ação será destinado para reserva de capital. Os recursos serão usados em pagamento de parte do saldo de debêntures, iniciativas estratégicas e uso corporativo.

A Levante de Investimentos enxerga um impacto positivo no preço das ações no curto prazo com a oferta, visto que os recursos captados serão destinados a redução da dívida, o que a deixa menos alavancada, a investimentos em iniciativas estratégicas e ao uso corporativo geral da companhia, o que a deixará melhor posicionada para a retomada do setor de turismo.

“As ações da CVC tiveram uma expressiva alta nas últimas semanas, fechando na véspera em R$ 28,21, em um movimento de antecipação da retomada do setor de turismo, onde a empresa será uma das principais beneficiadas”, destaca a Levante.

Ecorodovias (ECOR3, R$ 12,77, -2,74%)

A Ecorodovias precifica sua oferta nesta terça, que pode captar até R$ 2 bilhões.

Lojas Renner (LREN3, R$ 45,79, -1,06%), C&A Modas (CEAB3, R$ 14,77, -3,53%), Lojas Americanas (LAME4, R$ 21,76, -1,54%), Magazine Luiza (MGLU3, R$ 20,97, -1,41%), Mercado Livre (MELI34, R$ 62,59, +1,28%), Sendas Distribuidora (ASAI3, R$ 86,40, -0,07%) e Mobly (MBLY3, R$ 16,28, +2,71%)

O Morgan Stanley atualizou suas avaliações sobre o setor de comércio eletrônico na América Latina. O banco rebaixou Lojas Renner, C&A, Lojas Americanas para equal-weight (perspectiva de valorização dentro da média do mercado). E manteve a avaliação overweight (exposição acima da média) para Mercado Livre (listado na Nasdaq), Magazine Luiza, Sendas Distribuidora e Mobly.

O banco diz que, para o segundo semestre, tem preferência por ações em relação às quais tem confiança quanto à perspectiva de crescimento continuado e lucrativo no segundo semestre. As avaliações overweight se concentram sobre empresas concentradas em e-commerce e produtos essenciais.

O banco elevou sua estimativa para o crescimento do e-commerce no Brasil em 2021 de 26% para 31%. E prevê a continuidade da expansão da margem Ebitda de Magazine Luiza e do Mercado Livre, ressaltando que o Mercado Livre expandiu em mais de 9 pontos percentuais a margem Ebitda em 2020, enquanto que Magazine Luiza manteve as margens apesar do fechamento de lojas. Para a Mobly, o banco vê reinvestimento em crescimento para a Mobly em 2021.

Para o Assai, o banco espera continuidade do crescimento do Ebitda em 2021. O banco estima uma taxa composta de crescimento anual para o período entre 2019 e 2021 de 17% para o Assai.

O banco ressalta que C&A e Lojas Renner continuam precificadas 17% e 16% abaixo dos níveis de 2019, respectivamente, mas se recuperaram para os níveis mais altos pós-Covid recentemente. Com a alta de investimentos em tecnologia de e-commerce e logística, o banco vê, contudo, que as margens Ebitda em 2022 das empresas deverão continuar abaixo do nível de 2019 para ambas as empresas. Em 2019 a margem da Renner era de 18,7%, frente à estimativa de 16,4% para 2022; para a C&A, a margem em 2019 era de 12%, para 2022 espera 9,8%.

Após a aprovação da fusão da Lojas Americanas com a B2W, o banco espera mais informações sobre a performance operacional da empresa combinada antes de revisitar sua avaliação overweight.

Multiplan (MULT3, R$ 25,30, -2,65%), brMalls (BRML3, R$ 11,02, -2,48%) e Iguatemi (ativo=IGTA3], R$ 43,50, +0,74%)

O Morgan Stanley também revisou o setor de shoppings, reduzindo a recomendação para Multiplan e Iguatemi a underweight (exposição abaixo da média do mercado) e reduzindo brMalls a equalweight (exposição em linha com a média do mercado), destacando que a tese de reabertura econômica parece mais do que precificada.

Os analistas veem que Multiplan e Iguatemi estão negociando entre os maiores múltiplos globalmente para o setor. “Embora estejamos prevendo uma recuperação significativa, estamos abaixo do consenso, pois o desafio digital permanece. Taxas de juros mais altas podem ser o próximo obstáculo”, avaliam os analistas.

O preço-alvo para Multiplan é de R$ 23, de R$ 38 para Iguatemi e de R$ 11 para brMalls.

Totvs (TOTS3, R$ 37,65, +2,42%)

O Credit Suisse atualizou sua avaliação sobre a Totvs, que manteve em outperform. O banco avalia que a empresa passa por um bom momento e se beneficia da convergência de serviços digitais que transforma a gestão de recursos em plataformas ou marketplaces para outros produtos e serviços.

A Totvs também pode ser vista como um papel atrativo e protegido da inflação, já que repassa a variação aos clientes por meio de contratos, anualmente. O banco espera que a empresa se beneficie do crescimento do PIB, já que investimentos em tecnologia da informação costumam ser cíclicos.

O banco elevou o preço-alvo de R$ 35 para R$ 43 após um bom desempenho no setor de gestão de recursos e uma perspectiva macroeconômica melhor. O banco estima que a receita da Totvs cresça 18% em 2021 e 15% em 2022. Também espera que as fusões e aquisições continuem, mas com foco em empresas menores.

O banco ressalta que a Totvs levantou R$ 1,5 bilhão em debêntures para pagar pela compra da RD Station, que custou R$ 1,9 bilhão. O banco vê a dívida líquida em R$ 1 bilhão em 2021.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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