Vale a pena investir em criptomoedas novas? Veja os cuidados que devem ser tomados

Todos os dias criptomoedas novas são lançadas no mercado. Saiba como encontrá-los, e não cair em golpes

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Criptomoedas novas

Em maio de 2022, segundo dados coletados em agregadores de informações do setor cripto, havia pouco mais de 19 mil criptoativos no mercado. Na prática, isso significa que desde o surgimento do Bitcoin (BTC), em outubro de 2008, quatro criptomoedas novas são lançadas todos os dias, em média.

No meio desse frenesi de lançamentos de novos tokens surgiram projetos sérios, que agradaram a comunidade e ainda estão de pé. No entanto, o setor cripto também foi inundado de shitcoins (gíria para indicar moedas inúteis) e golpes embrulhados em boas campanhas de marketing.

Neste guia, o InfoMoney explica se vale a pena investir em criptomoedas novas, e como encontrá-las. Além disso, também detalha que cuidados as pessoas devem ter antes de colocar dinheiro em ativos digitais fresquinhos.

Como descobrir criptomoedas novas

Há diversas fontes para consultar lançamentos de novas criptomoedas. Veja quais são elas:

Agregadores

Os agregadores reúnem informações sobre o mercado cripto. Dois dos principais são o CoinMarketCap e o Coingecko. Ambos têm seções específicas com a listagem de novas criptomoedas adicionadas recentemente. Além disso, essas plataformas informam preços, capitalização de mercado, volumes e em quais blockchains os criptoativos estão baseados.

Calendários

Há calendários com informações sobre eventos do setor e lançamentos de novas moedas digitais. Um dos mais populares é o CoinMarketCal. Nele, é possível consultar o histórico de ações realizadas, bem como a lista das que ainda vão acontecer.

Exchanges

As exchanges costumam divulgar as novas criptomoedas disponibilizadas para negociação em suas plataformas. A informação normalmente é divulgada em seus sites, blogs, e-mails e redes sociais. Isso não significa necessariamente que a cripto é nova e acabou de ser lançada, mas de vez quando é isso que ocorre. O fato de uma exchange listar uma moeda digital também afasta a possibilidade de o ativo ser uma fraude.

Mídias sociais e sites

É possível também verificar lançamentos de novas criptomoedas em redes sociais. No Twitter, por exemplo, uma forma de buscar novidades é digitar palavras-chave no campo de busca, como “crypto”, “new cryptocurrency” ou “new crypto”, tanto no singular como no plural. Vale pesquisar em português. Sites especializados também costumam publicar informações sobre projetos relevantes.

Aplicativos de conversa e conferências

Outra forma de achar criptoativos novos é via aplicativos de conversa e fóruns. Há grupos de especialistas do mercado no cripto no Telegram, WhatsApp e Reddit. Players também costumam promover conferências, tanto online quanto presenciais. Nesses encontros, ativos digitais com potencial de vez em quando são mencionados pelos participantes.  

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Como saber se são golpes ou projetos reais

Como o mercado cripto ainda é repleto de golpes, há alguns procedimentos que podem ajudar a separar ativos verdadeiros de possíveis fraudes.

O primeiro ponto para verificar se uma criptomoeda nova é séria ou é golpe, segundo o country manager da Ripio, Henrique Teixeira, é ler o white paper (documento com informações sobre o projeto).

“É preciso analisar se os conceitos e fundamentos são claros; como a criptomoeda vai ser minerada; como ela vai ser inicialmente distribuída; quais são os mecanismos de criação de tokens e qual é a quantidade total de circulação”, disse.

Além disso, falou ele, é importante que o investidor tenha em mente dois cuidados básicos: “Recusar qualquer oferta que ofereça lucros astronômicos e se afastar de toda proposta que o bom senso possa trazer questionamentos.”

A country manager da Coin Cloud no Brasil, Isabela Rossa, disse que outro fator a ser analisado é a equipe responsável.

“Os sites de projetos sérios geralmente possuem uma área com o nome e foto dos principais membros. Com isso o usuário pode pesquisar seus históricos profissionais e encontrar entrevistas e eventos que eles já participaram. Projetos que se revelaram golpes geralmente dificultam a obtenção de informações de seus membros e não aparecem muito em público.”

Para Isabela, mais uma forma de prevenção é dar à criptomoeda nova tempo para ficar madura. “Projetos que se revelaram golpes historicamente não duram muito tempo. Logo, quanto mais antigo ele for, menos chances tem de ser um golpe”.

O tamanho da iniciativa, ainda segundo ela, é mais um ponto relevante. “A ideia é que quanto maior a capitalização de um projeto, mais valor está sendo percebido pelo mercado e pela comunidade. E isso diminui a probabilidade de golpe também”.

Criptomoedas novas oferecem riscos? Quais?

Assim como qualquer ativo financeiro, as novas criptomoedas também oferecem riscos. Veja alguns dos principais.

Volatilidade

Por ser relativamente recente, o mercado de criptomoedas costuma ser volátil. No caso das moedas novas essa oscilação tende a ser ainda maior. Diversos fatores podem gerar essa montanha-russa, como falhas na gestão do projeto, forças macroeconômicas ou até problemas tecnológicos. Portanto, não é raro que no mesmo dia um ativo digital novo desabe mais de dois dígitos.

Decisões governamentais

As criptomoedas novas também são influenciadas por fatos do mundo, como guerras, opiniões de personalidades e decisões governamentais, em especial em países com grande concentração de mineradores e usuários, como Estados Unidos e China.

Golpes e fraudes

O mercado de criptomoedas ainda atrai golpistas. Além das famosas pirâmides financeiras e esquemas ponzi, o setor sofre com sorteios falsos de moedas digitais, phishing, exit scams (golpes de saída), rug pull (puxada de tapete) e tantos outros. Para não cair em um golpe com criptomoedas, é extremamente importante avaliar bem o projeto antes de investir.

Regulação

A regulação das criptomoedas é pauta em diversos países no mundo, inclusive no Brasil. As regras estabelecidas por essas futuras legislações podem afetar o preço tanto de novas criptos como de antigas.

Hacks

As blockchains são conhecidas por serem sistemas seguros. O fato de grandes redes como o Bitcoin e o Ethereum não terem sido hackeadas, apesar de diversas tentativas, é um indicativo disso. No entanto, o mesmo não pode ser dito sobre aplicações descentralizadas – tokens, plataformas de empréstimo e outros – construídas em cima de blockchains.

Como esses “produtos” são criados por meio de códigos, existe a possibilidade de erros humanos, e isso é um prato cheio para hackers. Só em 2021, por exemplo, protocolos de finanças descentralizadas (DeFi) perderam US$ 1,3 bilhão em ataques, segundo a empresa de segurança em blockchain Certik.

Criptomoedas novas que valorizaram (e desabaram)

É comum que criptomoedas novas disparem logo após o lançamento. Com o tempo, algumas corrigem seus preços e continuam por aí no mercado. Outras, no entanto, quebram e deixam um prejuízo enorme para investidores. Confira alguns exemplos.

ApeCoin (APE)

É o token ligado à famosa coleção de NFTs “Bored Ape Yacht Club”. Quando foi lançado no mercado, no dia 17 de março de 2022, valia cerca de US$ 9. Em pouco a mais de um mês disparou 200% e atingiu quase US$ 27 – sua alta história. Em maio do mesmo o ano, no entanto, a cripto desabou, e passou a valer menos do que o preço de estreia.

RadioCaca (RACA)

RACA é uma organização autônoma descentralizada (DAO) provedora de soluções para a Web 3.0. No segundo semestre de 2021, a entidade lançou sua cripto, chamada RadioCaca. No período de dois meses, a nova moeda digital chegou a disparar 3.000%. Em 2022, no entanto, corrigiu seu preço e voltou ao mesmo patamar da época do lançamento. 

Vira-lata Finance (REAU)

A REAU foi uma meme coin, no estilo Dogecoin (DOGE) e Shiba Inu ([ativo=SHIBA]), criada de forma anônima no Brasil. Lançada em março de 2021, tinha como garoto-propaganda um vira-lata caramelo, cachorro tão querido no país que, se dependesse da população, estaria estampado nas cédulas de 200 reais. Por causa do dog fofo, a moeda digital, apontada na época como um possível golpe, atraiu milhares de investidores, e chegou a valorizar 56.000% em poucos dias. Um mês depois de seu lançamento, no entanto, quebrou, e deixou um rastro de prejuízo.

Elon Buys Twitter (EBT)

Em abril de 2022, quando vieram à tona rumores de que Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, iria comprar o Twitter, alguém desconhecido criou uma criptomoeda chamada Elon Buys Twitter (EBT). Logo após a confirmação da compra da rede social por Musk, a moeda disparou 10.000%. O projeto, no entanto, devolveu todo o ganho em seguida, comportamento típico de um “pump and dump”, golpe em que um grupo infla o preço de um ativo, ganha com a alta e depois some. 

Leia também: Elon Musk e criptomoedas: 7 vezes em que o CEO influenciou preços de ativos digitais

GrimaceCoin

No início de 2022, Musk (de novo ele) disse para o McDonald’s, via Twitter, que só comeria por lá se a gigante do fast-food aceitasse DOGE. Como resposta, a marca respondeu, em tom de brincadeira, que poderia até colocar a cripto como forma de pagamento, mas só se a Tesla topasse aceitar uma tal de GrimaceCoin, que não existia na época. O bate papo entre empresário e rede, no entanto, fez com que especuladores criassem tokens chamados GrimaceCoin. Um deles chegou a valorizar 285.000%.

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Como minerar criptomoedas novas

A mineração é o processo de validação e inclusão de novas transações em uma blockchain. Como resultado, criptomoedas novas são criadas. Cada projeto tem o seu protocolo de mineração. No geral, no entanto, existem dois principais: a prova de trabalho (proof-of-work, PoW), usada pelo Bitcoin, e a prova de participação (proof-of-stake, PoS), modelo que o Ethereum pretende adotar no futuro.

No PoW, os mineradores criam criptomoedas novas ao emprestar poder computacional e resolverem cálculos na blockchain. É um processo que gasta bastante energia e, por isso, tem sido apontado como inimigo do meio ambiente.

Já no PoS, os mineradores precisam manter uma certa quantia de criptomoedas na rede parar ajuda a validar as transações e dar segurança à plataforma. Em troca, eles cunham – e ganham – novos ativos digitais.

É possível denunciar projetos fraudulentos?

Até o momento não existem órgãos especializados para denunciar projetos fraudulentos. Por isso, segundo Teixeira, é importante que os investidores de criptomoedas tenham contato com a comunidade cripto, por meio da qual são feitos alertas sobre golpes.

“A falta de um canal específico para denúncia só salienta a necessidade de que o investidor faça sempre uma pesquisa apurada antes da realização de qualquer investimento.”

Vale lembrar, no entanto, que casos de supostas pirâmides financeiras ou esquemas ponzi associados a ativos digitais podem ser denunciados para as polícias e para o Ministério Público. Já se o investidor se deparar com ofertas de possíveis Contratos de Investimento Coletivo (CIC) ligados a ativos digitais, sem registro, o caminho para a denúncia é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Cuidados necessários para investir em criptomoedas novas

Da mesma forma que o interessado no mercado cripto deve ter cuidado para fugir de scams, precisa também tomar preocupações na hora de investir nas iniciativas sérias.  

Conhecimento

Muitas pessoas entram para o mercado de criptomoedas sem ter um mínimo conhecimento sobre o setor. Por isso, uma boa dose de pesquisa sobre os fundamentos básicos do projeto visado é um dos cuidados básicos. “Ao investir em qualquer criptoativo, seja ele qual for, quanto mais conhecimento tiver, mais maduro você será para tomar decisões”, disse Teixeira.

Não aposte todas as fichas

Como uma criptomoeda nova ainda é imatura, e não se sabe exatamente de que forma o mercado vai reagir a ela, é perigoso apostar todas as fichas. Especialistas costumam recomendar que investidores aloquem apenas o recurso que pode perder, e não aquele usado para comprar o pão de cada dia.

Cuidado com o marketing

Empresas ou grupos que lançam criptoativos novos no mercado costumam apostar alto no marketing. Há criação de comunidades para divulgar o projeto, constante publicação nas redes sociais, contatos com jornalistas e por aí vai. Cuidado para não alocar recursos em iniciativas sem fundamento que são vendidas em mensagens de marketing bem empacotadas.

Anonimato

O fato de ninguém saber quem é Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin, é positivo para a criptomoeda. Como não há nenhuma instituição por trás ditando ordens ou um líder com maior força do que os outros participantes, o BTC pode levantar a bandeira da descentralização sem medo algum. No caso dos outros projetos novos, no entanto, o anonimato é perigoso. Por isso, uma atitude que pode diminuir os riscos é escolher criptos construídas por equipes experientes, ou que tenha grupos conhecidos por trás.

“É importante verificar se o projeto possui investimentos ou parcerias com grandes empresas do setor de criptomoedas ou tradicionais. Empresas grandes têm uma reputação a zelar e não vão se associar a um projeto que possa prejudicar sua imagem e fazer eles perderem dinheiro”, disse Isabela, da Coin Cloud no Brasil.

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