Exchange de criptomoedas: o que são e como escolher uma?

O que é uma exchange de criptomoedas? Nesse guia completo te explicamos tudo sobre esse tipo de corretora; conheça as principais no Brasil

Desde que o Bitcoin (BTC) foi criado, no final de 2008, uma indústria bilionária se formou ao redor da criptomoeda. Sugiram novas empresas, produtos, empregos e modelos de negócio até então nunca vistos. E na lista de participantes desse novo mundo criptográfico, um dos destaques são as exchanges.

Também chamadas de corretoras, elas têm a função de intermediar as negociações entre vendedores e compradores de ativos digitais. Por esse serviço, claro, elas cobram taxas, e é assim que sobrevivem.

Neste guia, o InfoMoney conta tudo sobre exchanges, explicando o que são, como funcionam e quais as vantagens e as desvantagens de se negociar criptomoedas nessas plataformas. Explica também se elas são ou não seguras.

• O que é uma exchange de criptomoedas
• Como funcionam as exchanges
• As principais corretoras de cripto do Brasil
• Como abrir uma conta
• Vantagens e desvantagens
• É seguro investir por uma exchage

O que é uma exchange de criptomoedas?

Exchanges são plataformas digitais onde é possível comprar, vender, trocar e guardar criptomoedas, como Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e Cardano (ADA). Em “juridiquês básico”, a Receita Federal define uma corretora da seguinte forma:

“Pessoa jurídica, ainda que não financeira, que oferece serviços referentes a operações realizadas com criptoativos, inclusive intermediação, negociação ou custódia, e que pode aceitar quaisquer meios de pagamento, inclusive outros criptoativos”.

Criptoativos são ativos virtuais que rodam em blockchains, nome do grande livro-razão descentralizado que nasceu junto com o BTC há mais de uma década.

Como funcionam as exchanges?

As exchanges funcionam como intermediadoras entre vendedores e compradores de ativos digitais. Elas também guardam as criptomoedas (custódia) daqueles investidores que não querem manter suas criptos em carteiras próprias.

Na prática, elas são bem parecidas com corretoras de valores. Para usá-las, basta o usuário fazer o cadastro, confirmar a identidade, enviar recurso, comprar ativos e pagar as taxas. Mas há algumas diferenças importantes:

•        Em vez de oferecer ações, as exchanges têm moedas digitais no “cardápio”, como Dogecoin (DOGE), Solana (SOL) e XRP (XRP). Algumas também oferecem outros produtos e serviços, como soluções de pagamentos com cripto.

•        As exchanges não são supervisionadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como as corretoras de valores. Ainda assim, elas não são ilegais.

•        Cada exchange funciona como uma bolsa de valores independente. Portanto, os preços das criptomoedas negociadas nelas variam conforme a lei da oferta e da procura. Cabe informar, no entanto, que os valores não fogem muito da média geral. A diferença é de 1%, 2% ou 3%. Investidores se valem desse cenário para fazer arbitragem (operação de compra e venda em locais diferentes para realizar lucro). 

•        Em geral, as exchanges costumam funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Corretoras de valores, por outro lado, seguem o horário da B3.

Como escolher uma exchange?

Na hora de escolher uma exchange, é preciso levar em consideração tanto o passado do negócio como as taxas cobradas. Essas são medidas necessárias para aqueles que querem proteger o bolso e se precaver contra possíveis golpes. Nos últimos anos, o Brasil foi inundado de falsas corretoras de criptomoedas. Tomar cuidado, portanto, é mais do que essencial.

Histórico – Verifique os dados básicos da exchange, como CNPJ, endereço físico, telefone etc. Avalie também quem são os sócios e qual o passado de cada um deles. Vale também verificar nos sites dos tribunais de Justiça que tipos de processos as empresas e seus proprietários respondem.

Reputação – É importante verificar a reputação da exchange. Redes sociais, sites de notícias, fóruns e a plataforma de defesa do consumidor Reclame Aqui são ótimas fontes. Vale também conversar com outros clientes da corretora.

Preços – As exchanges têm taxas de saques, depósitos e transferências, bem como limites. Em geral, elas disponibilizam essas informações seus sites. É importante verificar esses dados por causa da seguinte situação, comum de acontecer:

Uma pessoa transfere R$ 100 para a corretora X e compra meia unidade da criptomoeda Y. Depois de uma valorização de 10%, tenta fazer a retirada para ficar com o lucro. No entanto, a plataforma só permite saques de uma criptomoeda inteira. O dinheiro, como resultado, ficará preso na plataforma, a não ser que se deposite mais grana e compre mais criptomoeda Y para atingir o valor mínimo de retirada.  

Oferta de criptomoedas – Os livros de ofertas das exchanges variam muito, e algumas oferecem mais ativos do que outras. Portanto, se a ideia é adquirir alguma moeda diferente dos populares BTC e ETH, é ideal pesquisar o “menu” das corretoras antes de investir.

Liquidez – Exchanges com baixo volume de negociação geralmente têm baixa liquidez (facilidade de converter um ativo digital em caixa). Esse é um dado importante a levar em consideração principalmente se existir urgência em transformar a criptomoeda em moeda fiduciária.

Quais as principais corretoras do Brasil?

Há dezenas de exchanges brasileiras ou estrangeiras com operação no Brasil. Confira abaixo algumas delas:

Binance

Maior exchange do mundo em volume de negociação, chegou ao Brasil no final de 2019. Entre as corretoras com operação no país, é a que oferece o maior portfólio de criptomoedas. Não tem sede fixa. Seu fundador e CEO é Changpeng Zhao. 

Mercado Bitcoin

Fundada em 2013 por Gustavo Chamati e Maurício Chamati, é uma das maiores plataformas de ativos digitais da América Latina. Em 2021, se tornou o primeiro unicórnio de criptomoedas do Brasil. Sua sede fica em São Paulo.

Foxbit

Além de ser uma plataforma para negociação de criptomoedas, também oferece serviços, como a tokenização, e soluções de pagamentos e compra e venda de Bitcoin para empresas. Foi fundada em 2014, em São Paulo, por João Canhada e Luís Augusto Schiavon.

BitcoinTrade

Os empreendedores Carlos André Montenegro e Daniel Coquieri lançaram a exchange em 2017, no Rio de Janeiro. No final de 2020, a corretora foi comprada pela startup argentina Ripio, que atua no mercado de criptomoedas da América Latina desde 2013.

Coinext

Sua sede fica em Belo Horizonte, em Minas Gerais. Nasceu em 2017 com a missão de democratizar o acesso às criptomoedas. Um de seus fundadores é o economista José Artur Ribeiro, que também é CEO da exchange.

BitcoinToYou

Fundada em 2010, em Belo Horizonte, afirma ser uma corretora internacional de Bitcoin e altcoins (nome dado a qualquer criptomoeda diferente do BTC). Seu fundador e CEO é André Horta.

Algumas das outras plataformas com operação no Brasil são as seguintes: NovaDAX, BitPreço, FTX, Transfero, PagCripto e Crypto.com.

Quais são as taxas?

As exchanges não costumam cobrar por depósitos em reais. Para saques, no entanto, os valores variam de R$ 2,90 a R$

9,99, mais comissão. As exceções são o Mercado Bitcoin e a Foxbit, que zeraram a tarifa de saque em setembro de 2021. Até então os valores eram de R$ 2,90 mais 1,99% sobre o montante sacado no MB, e de R$ 1,89 mais 1,39% por saque na Foxbit.

As exchanges também cobram retiradas em ativos digitais. Os preços variam conforme a criptomoeda. Regras das blockchains e congestionamento das redes no momento da transação afetam os valores.

Todas as informações sobre tarifas costumam estar nos sites das corretoras. Para encontrar mais facilmente essas informações, basta digitar no Google a expressão “Taxas da exchange” seguida do nome da exchange.

Como abrir uma conta em uma exchange?

A abertura de conta normalmente é gratuita. É só entrar no site da plataforma, fazer o cadastro, criar uma senha e confirmar a identidade. As empresas pedem e-mail, CPF, CNPJ (no caso de empresas) e RG. É preciso enviar as fotos desses documentos. 

Geralmente, o usuário também precisa preencher um formulário com nome completo, nome da mãe, país de origem e CEP. Como medida de segurança, algumas empresas também exigem que a pessoa tire uma selfie segurando algum documento.

Após a aprovação do cadastro, é possível também ativar o 2FA, sigla em inglês para verificação de duas etapas. Trata-se de um procedimento para aumentar ainda mais a segurança da conta. 

Na prática, o 2FA exige duas autenticações para liberar uma transação. Exemplo: para entrar no perfil e fazer movimentações, além de colocar a senha cadastrada, o usuário também precisa inserir um código que recebe via SMS. Algumas exchanges também reforçam a segurança para saques enviando um terceiro código por e-mail, por exemplo.

Exchanges são reguladas?

Diferentemente das corretoras de valores, as exchanges de criptomoedas não são supervisionadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Cabe lembrar que no Brasil, assim como em outros países do mundo, ainda não há uma regulamentação para o mercado de criptomoedas.

No entanto, desde 2019, a Receita Federal obriga as exchanges a informar as movimentações dos clientes. Além disso, a CVM pode intervir se entender que alguma oferta da corretora é caracterizada como valor mobiliário.

Exchanges de criptomoedas, fundos de criptomoedas ou ETF de criptomoedas?

Exchanges não são o único canal para investir em criptomoedas. É possível também se expor ao preço do Bitcoin e de altcoins por meio de fundos de investimento, ETF (Exchange Traded Funds) ou mesmo P2P.

Fundos de criptomoedas – Funcionam como “condomínios” de investidores. Eles reúnem recursos de diversas pessoas para que sejam aplicados em conjunto em criptomoedas. Eles podem acompanhar um índice ou ser balanceados pelo gestor, que procura sempre maximizar os lucros e evitar perdas.

ETF de criptomoedas – É um tipo de fundo de investimento. A diferença é que esse produto financeiro pode ser negociado na bolsa de valores como uma ação. Além disso, eles costumam seguir índices de referência de criptomoedas.

P2P – Os investidores compram e vendem sem intermediários. Esse tipo de transferência, que recebe o nome de P2P (peer-to-peer), foi o proposto por Satoshi Nakamoto, o famoso criador do Bitcoin.

Vatangens das exchanges

Em relação às outras formas de investir em criptomoedas, as exchanges têm algumas vantagens.

Variedade – As exchanges têm mais variedade de criptomoedas que os fundos e os ETFs. Por isso, o investidor tem autonomia para escolher as criptomoedas que quiser. ETFs e fundos são “engessados” e seguem um ativo ou uma cesta deles.

Taxas – As taxas das corretoras criptomoedas geralmente são menores que as cobradas por fundos e ETFs. As tarifas de negociações P2P, no entanto, costumam ser mais “em conta” que as das corretoras.  

Imposto de renda – Outro ponto positivo das exchanges diz respeito ao imposto de renda. Se o investidor vende menos do que R$ 35 mil em um mês e tem ganhos, ele está isento de tributação. No caso de ETFs e fundos funciona diferente: existe uma alíquota de 15% sobre o lucro, independentemente do valor negociado.

Segurança – Em relação às negociações P2P, as exchanges são mais seguras. Isso porque as corretoras garantem que o comprador pague o vendedor e vice-versa. No caso das negociações entre pessoas, a confiança é um grande problema, em especial quando algum valor é repassado para o outro de forma antecipada.  

Investimento baixo – O investimento inicial em exchanges é baixo e não é preciso ser um investidor qualificado ou profissional para ter 100% de exposição a criptomoedas, como no caso dos fundos de investimento. Com R$ 50 é possível investir em Bitcoin ou em altcoins.

Desvantagens das exchanges

As corretoras também têm algumas desvantagens quando comparadas às outras maneiras de investir em criptomoedas.

Na mira de hackers – Como movimentam recursos de milhões de investidores, as exchanges são muito visadas por hackers. Em agosto de 2021, por exemplo, a plataforma de negociações de criptomoedas Liquid, do Japão, foi alvo de um ataque cibernético e perdeu US$ 90 milhões. Vale reforçar, no entanto, que elas costumam investir bastante em segurança.

Variedade – Se por um lado a variedade de criptomoedas pode atrair investidores experientes, pode afastar os novatos. Isso porque há mais de 10 mil criptomoedas no mercado, cada uma com um fundamento diferente. Muita gente, no entanto, não tem tempo ou mesmo paciência para pesquisar. Além disso, esse segmento tem jargões muitas vezes complexos para o investidor novo, como wallet, hash, taxa de gás etc. Fundos e ETFs de criptomoedas costumam ser mais simples e entregam tudo mastigado.

Falta de regulação – Apesar de terem que enviar informações para a Receita Federal, as exchanges não são reguladas. Fundos e ETFs, por outro lado, andam sob a mira dos supervisores do mercado de capitais.

Qual foi a primeira exchange de criptomoedas do mundo?

A primeira exchange de criptomoedas foi a bitcoinmarket.com. Ela foi proposta em 15 de janeiro de 2010, no Bitcointalk, fórum criado por Nakamoto, o “pai” do Bitcoin. A ideia partiu de um usuário identificado como “dwdollar”.

“Olá a todos. Estou construindo uma exchange. Tenho grandes planos para isso, mas ainda tenho muito trabalho a fazer. Será um mercado real onde as pessoas poderão comprar e vender bitcoins umas com as outras. Nas próximas semanas devo ter um site com uma estrutura básica configurada. Por favor, tenha paciência comigo”, escreveu.

A ideia foi bem recebida no fórum. Como costuma acontecer com projetos iniciantes, a corretora tinha algumas falhas, que logo foram apontadas pelos próprios usuários. O site chegou a ser integrado com o PayPal. A exchange Gemini, dos irmãos Winklevoss, disse o seguinte sobre o projeto em seu site:

“Os compradores podiam comprar Bitcoin enviando dólares americanos a outro usuário via PayPal, enquanto a Bitcoin Market mantinha o Bitcoin do vendedor sob custódia até que o vendedor recebesse o dinheiro”.

A exchange, no entanto, não deu muito certo. Muitas fraudes começaram a acontecer. O PayPal foi retirado do site, e o projeto definhou. Logo em seguida, ainda em 2010, nasceu a exchange japonesa Mt.Gox, que no seu auge concentrou 70% das transações de BTC do mundo todo. Entretanto, a corretora sofreu um hack em 2014 que fez desaparecer cerca de 850 mil BTC dos investidores.

É seguro comprar criptomoedas em uma exchange?

A blockchain, tecnologia de registro distribuído que nasceu com o Bitcoin, é 100% segura. Diversas pessoas tentaram fraudá-la, mas nenhuma teve êxito. A conversa, no entanto, é diferente com as exchanges, que são empresas.

Para garantir uma compra segura de criptomoedas, primeiro é preciso analisar a reputação da corretora e de seus proprietários. Fóruns, redes sociais, plataforma de defesa do consumidor Reclame Aqui e conversas com clientes ajudam nessa tarefa.

É necessário ter em mente também que as exchanges são visadas por hackers, e que algumas já foram alvo no passado e perderam criptomoedas dos investidores. Elas costumam investir bastante em segurança, mas todo cuidado é pouco. Por isso, como medida de proteção, uma recomendação é manter as criptomoedas em diferentes exchanges.

Se um investidor tem Cardano (ADA), Dogecoin (DOGE), Litecoin (LTC) e outras, não seria um problema distribuir um pouco em cada plataforma.

Para se prevenir de possíveis ataques, vale também guardar os criptoativos em wallets próprias. Existem as “cold wallets” (carteiras não conectadas à internet), como os modelos da Ledger e da Trezor. Há também as “hot wallets” (carteiras virtuais), a exemplo da Coinomi e da Exodus.

Aqui vai um adendo: antes de baixar qualquer wallet em uma loja de aplicativos, é preciso verificar se é o app é o correto. Há diversos casos de carteiras de criptomoedas fake por aí que roubam os ativos dos investidores.