Elon Musk: o homem por trás dos projetos mais audaciosos dos últimos tempos

Conheça a história do empreendedor que viabilizou a exploração espacial privada, a criação de uma montadora global de carros elétricos e um novo sistema de transporte urbano.

Elon Musk
Nome completo: Elon Reeve Musk
Ocupação: Empresário e investidor
Local de Nascimento: Pretória, África do Sul
Data de Nascimento: 28 de junho de 1971
Fortuna: US$ 24,5 bilhões (ranking da Forbes de 2019)

Quem é Elon Musk?

Elon Musk é conhecido como um dos empreendedores mais ousados dos últimos tempos, pois viabilizou projetos fortemente tecnológicos e inovadores. Entre as empresas que fundou ou comandou aparecem nomes como Paypal, Tesla, SpaceX e Neuralink.

A sua trajetória também chama a atenção pela diversidade de áreas de atuação; geolocalização, energia limpa, mobilidade, exploração espacial, inteligência artificial e neurociência.

Família e formação

Elon Musk nasceu em uma família de classe rica em Pretória, na África do Sul, filho da nutricionista e modelo Maye Musk com Errol Musk, um engenheiro mecânico, piloto de aviões e empresário, dono de uma mina de esmeraldas na Zâmbia.

O casal se separou em 1979 e os três filhos – Elon, Kimbal e Tosca – ficaram com Maye por dois anos até que Elon, mais velho, decidiu ir morar com o pai, quando tinha dez anos.

Ele achava injusto que sua mãe ficasse com os todos os filhos, enquanto o pai vivia solitário, então deixou a casa de Maye e se mudou para os subúrbios de Pretória – o que, muitos anos depois, considerou como um grande erro.

Isso porque, apesar de reconhecer que grande parte do que aprendeu de engenharia básica foi pela influência de seu pai durante a infância, a relação entre os dois nunca foi boa.

Elon, inclusive, chegou a falar mais de uma vez, em público, que Errol é “um péssimo ser humano”.
Em entrevista à Rolling Stones, Elon chegou a chorar ao compartilhar que acreditava que seu pai era uma pessoa ruim, capaz, inclusive, de cometer crimes.

As razões para essa conclusão, Elon não chegou a informar. Disse apenas que era comum que seu pai o chamasse de idiota.

Seu pai ficou conhecido por algumas polêmicas, como ter engravidado sua enteada, 40 anos mais nova, que conheceu quando esta tinha 4 anos, e atirado e matado três homens que invadiram sua residência.

Adolescente curioso

Um “nerd” assumido, Elon Musk se refugiou na leitura de livros como o Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, e a Série da Fundação, de Isaac Asimov. “Fui criado por livros. Livros, e depois meus pais”.

Aos dez anos gostava de fazer experimentos com explosivos e pequenos foguetes e começou a se interessar por programação. Aos 12, fechou seu primeiro negócio ao escrever o código de videogame e o vender para a revista PC and Office Technology, por US$ 500.

Apesar de prodigiosa, sua infância na África do Sul foi marcada por diversos episódios de bullying no colégio. Nascido no final de junho, Elon Musk era um dos mais novos – e menores – alunos da sala e foi alvo de atos violentos.

No pior deles, foi derrubado da escada e seu rosto batido diversas vezes no chão até desmaiar.
O suplício do colégio só acabou aos 16 anos, depois que decidiu aprender a se defender e entrou em aulas de caratê, judô e luta livre e passou a encarar seus desafetos.

Mudando de país

Aos 17 anos, Musk decidiu sair da África do Sul. Queria ir para os Estados Unidos, onde acreditava ser o melhor lugar para fazer ‘coisas grandes’. As complicações com a imigração, no entanto, o fizeram aproveitar a cidadania canadense da mãe e se mudar primeiro para Ontario.

O início da vida canadense não foi fácil. Aos 17 anos, Musk precisou da ajuda de parentes e fez bicos como limpador de boilers e cortador de madeira para pagar as contas e se matricular na Queen’s University.

Dois anos depois, ele conseguiu transferir seus estudos para a renomada Universidade da Pensilvânia, e lá, formou-se em economia e física.

Seus resultados acadêmicos lhe garantiram uma vaga no programa de PhD da Universidade de Stanford, onde se matriculou para cursar física e ciência de materiais.

Mas sua vida em Stanford durou pouco. Bem pouco, na verdade. Apenas dois dias depois de começarem as aulas, Musk decidiu largar a famosa universidade californiana para montar a sua primeira empresa, em uma sociedade com seu irmão Kimbal.

Como começou e como ficou rico?

Elon e Kimbal viram uma oportunidade no boom da internet dos anos 1990 e criaram a Global Link, uma empresa de mapeamento de cidades que teria nos jornais seus principais clientes.

Sem muitos recursos próprios, os irmãos Musk levantam capital com um pequeno grupo de investidores-anjo e com seu sócio na empreitada, Greg Kouri, que aportou US$ 6 mil.

Reunindo dados públicos de mapas e de negócios, a empresa criou um banco de dados e serviços para comerciantes locais anunciarem e se conectarem a clientes.

A solução inovadora atraiu clientes como New York Times e outros 160 jornais. A empresa cresceu com aporte de US$ 3 milhões de um investidor e foi rebatizada como Zip2.

Em abril de 1998, a Zip2 entrou em negociação para se fundir com a sua principal concorrente, a CitySearch. Elon Musk, que apoiou a ideia inicialmente, foi uma das principais vozes para convencer os conselheiros a abandonarem o projeto.

A decisão foi acertada. Em menos de um ano, em fevereiro de 199,9 a Compaq Computer pagou US$ 305 milhões para adquirir a Zip2 e, assim, alavancar seu buscador AltaVista. Com essa operação, Elon Musk embolsou US$ 22 milhões.

Capitalizado, Musk criou a X.com em novembro do mesmo ano, um dos primeiros bancos online do mundo, em parceria com seu antigo sócio Greg Kouri.

A empreitada durou pouco tempo e, já em março de 2000, o X.com se uniu a seu competidor Confinity. Como maior acionista, Musk virou o CEO da nova empresa.

No comando da X.com fortificada com a fusão, Elon Musk acabou deixando de lado as iniciativas de seu negócio original e deu prioridade ao desenvolvimento do sistema de pagamentos que era desenvolvido pela Confinity desde 1999, o PayPal.

Em meses, ele abandonou a atuação como banco online, rebatizou a empresa como PayPal e a levou a abrir o capital. O IPO foi realizado em 2002, levantando US$ 61 milhões.

A facilidade do pagamento pelo sistema do PayPal atraiu o interesse da gigante online eBay, que adquiriu a companhia meses depois, em outubro de 2002, por US$ 1,5 bilhão, 77% acima do preço do IPO.

Na época, 70% de todas as transações realizadas no eBay utilizavam o PayPal como meio de pagamento. Com a venda, Musk decidiu se desfazer dos 11,7% que tinha no PayPal e embolsar mais US$ 165 milhões.

Empreendedor serial, Musk não se aposentou após faturar com a venda de suas duas primeiras companhias. Na verdade, antes mesmo da venda do PayPal, Musk já estava desenvolvendo o seu novo e – possivelmente – mais ambicioso projeto: a exploração espacial.

Causas nobres X grandes medos

Musk é movido por grandes medos e não tem vergonha de compartilhá-los em suas palestras e entrevistas. Com o sucesso de seus empreendimentos online entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, sobrevivendo à bolha da internet, Musk passou a focar seus esforços em grandes projetos que buscam mitigar seus receios de extermínio da humanidade.

Uma de suas apostas é expandir a presença humana pelo Sistema Solar, com o estabelecimento de populações em diversos planetas, a começar por Marte.

Musk está cada vez mais próximo de seu objetivo de colocar uma expedição no planeta vermelho e iniciar a colonização. O que era um sonho impossível e parecia uma conversa excêntrica demais, hoje é visto por analistas como viável, depois de quase duas décadas de desenvolvimento de foguetes e soluções aeroespaciais.

Tudo começou ainda em 2001, quando Musk idealizou o Mars Oasis (Oásis de Marte), projeto de instalar uma estufa experimental em Marte e tentar cultivar alimentos no árido e tóxico solo marciano.
Para chegar lá, ele queria adquirir um míssil balístico intercontinental russo a um preço acessível. Se possível, um modelo já usado.

A ideia era excêntrica mesmo para os padrões do empreendedor, e um de seus melhores amigos desde a época da universidade, Adeo Ressi, acreditava que ele estava enlouquecendo.

Ressi chegou a convidar amigos próximos para tentar uma intervenção e dissuadi-lo da ideia. Não deu certo.

Em outubro de 2001, Musk viajou para a Rússia com Jim Cantrell, que atuava na área aeroespacial, e o próprio Ressi para reuniões com empresas como Kosmotras e a NPO Lavochkin, que construíram sondas para o governo soviético explorar Vênus e Marte durante a corrida espacial.

Após um almoço longo seguido de café com charutos, Musk e seus parceiros foram tratados com pouco respeito pelos russos, que os consideravam novatos.

O fracasso da primeira tentativa, porém, não impediu Musk de ir aos russos novamente. Dessa vez para comprar não um, mas três mísseis.

Poucos meses depois, em fevereiro de 2002, Musk pousou em Moscou com sua equipe para uma nova rodada de negociações. Dessa vez, levou alguém mais experiente para fazer parte da equipe: Mike Griffin, engenheiro renomado na área e que anos depois assumiria a administração da Nasa.

Depois de algumas doses de vodca, Musk perguntou diretamente aos representantes da Kosmotras quanto custaria cada foguete. Ele tentou negociar o preço inicial de US$ 8 milhões por unidade, mas novamente não foi levado a sério.

A decepção da segunda tentativa fez Musk acreditar que não era possível negociar com russos. Ele sabia que não tinha dinheiro para comprar de outro fornecedor.

Nesse ponto em que muitos desistiriam, Musk mostrou um lado de seu empreendedorismo que o acompanharia em futuros negócios: se não há uma solução disponível, ele criaria essa solução.

A sacada veio no voo saindo de Moscou, quando chamou seus parceiros e disse que achava que eles poderiam fazer um foguete próprio. Era a realização de um sonho de infância, quando brincava em construir foguetes no quintal da sua casa e lia ficção científica.

Em suas contas, o custo do material para construir um foguete era bem pequeno e eles poderiam reduzir em 90% o custo de produção ao verticalizar o negócio.

Enquanto maturava o projeto de exploração espacial comercial, Musk se reunia com uma organização de entusiastas que estudava tecnologias para explorar o planeta vermelho.

Ele não havia desistido da sua ideia de estufa em Marte para permitir que, no futuro, o ser humano possa colonizar o planeta e diminuir a possibilidade de extinção da nossa espécie.

Após doações generosas, passou a fazer rodadas de discussões com especialistas para reunir ideias de como levar a estufa com um rato, plantar, colher e trazer o rato de volta à Terra.

SpaceX

Corrida espacial com a SpaceX

Em maio de 2002, com US$ 100 milhões de sua fortuna pessoal, Musk criou a Space Exploration Technologies, ou SpaceX. O objetivo da empresa? Espalhar a civilização humana pelo espaço.

O início conturbado com os russos deu espaço à engenharia privada dos americanos. Como um bom nerd, o primeiro foguete foi batizado de Falcon 1, em homenagem à Millenium Falcon, do filme Star Wars.

O foguete foi lançado com sucesso em março de 2006 e serviu de teste para o Falcon 9, lançado em 2019.

A SpaceX conquistou seguidos recordes de eficiência e o ineditismo de ser uma empresa privada alcançando feitos que apenas estatais como a Nasa haviam conseguido.

A agência americana, aliás, é um dos principais clientes da SpaceX, que abastece a Estação Espacial Internacional, além de colocar em órbita satélites comerciais e militares.

Em 2014, o governo dos EUA deu em números a eficiência da SpaceX: enquanto a Força Aérea do país pagava até US$ 400 milhões por um lançamento para a United Launch Alliance (ULA), a mesma operação era conduzida pela empresa de Musk por menos de US$ 100 milhões.

Além do custo mais baixo, há também o espetáculo. Cada lançamento da SpaceX é um show transmitido ao vivo pela internet, com apresentadores, animação e funcionários da empresa torcendo e comemorando.

Até um carro Tesla Roadster foi lançado no espaço pela SpaceX com um foguete Falcon Heavy. O veículo é tripulado por um manequiem com trajes especiais apelidado de Starman. É possível acompanhar o trajeto do pelo site whereisroadster.com.

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Além do feito de alcançar o espaço, a SpaceX inovou ao reaproveitar peças. Parte dos queimadores de lançamento e o núcleo do foguete voltam e pousam suavemente na Terra ou em um navio-drone, para delírio dos funcionários que gritam durante a transmissão.

E quem comanda tudo é o CEO e diretor de tecnologia, Elon Musk, que detém 78% dos direitos de voto da companhia de mais de 7 mil funcionários e, em 2016, anunciou o plano de colonizar Marte com a chegada da primeira carga em 2022.

Tesla

Energia limpa com a Tesla

A conquista espacial, entretanto, não parece tomar todo tempo de Elon Musk. Sua preocupação com a extinção humana também fez com que ele agisse contra as mudanças climáticas.

A solução foram os carros elétricos, hoje quase um sinônimo do nome da sua empresa: Tesla.
Carro elétrico, autônomo, acessível e bonito.

Assim como ocorreu com o PayPal, Musk não fundou a montadora Tesla, mas viu oportunidade no negócio logo no início da jornada e catapultou os resultados para uma operação global.

A empresa foi criada em julho de 2003 pelos engenheiros Martin Eberhard and Marc Tarpenning, na Califórnia, após a GM fazer um recall e destruir seu modelo elétrico EV1.

Na primeira rodada de financiamento Series A da Tesla, em fevereiro de 2004, Musk liderou os investidores com aporte de US$ 6,5 milhões do total de US$ 7,5 milhões arrecadados e passou a presidir o conselho de administração da companhia.

Com o aporte, Musk passou a ser mais presente do dia a dia da empresa e acompanhou o lançamento do primeiro modelo, o Tesla Roadster.

Nas rodadas Series B e C, Musk também foi um dos principais investidores, com aporte de US$ 9 milhões de US$ 13 milhões e, depois, com mais US$ 12 milhões de US$ 40 milhões.

Nesta última, participaram investidores de peso como Sergey Brin e Larry Page, os fundadores Google, Jeff Skoll, ex-presidente do eBay, e fundos geridos pelo JPMorgan.

Após a crise de 2008, quando o fundador Martin Eberhard deixou a Tesla, Musk assumiu como CEO da companhia e virou o rosto da empresa, com apresentações pirotécnicas de cada novo modelo.

Com as vendas do primeiro veículo elétrico, Roadster, a Tesla passou a trabalhar no sedã Model S, lançado em 2012, seguido pelo SUV Model X, três anos depois. A chegada do Model 3 em 2017 marcou a primeira produção em grande escala global.

A estratégia da Tesla se assemelha à da SpaceX na verticalização. A empresa produz cerca de 80% das peças, se distanciando das montadoras tradicionais, que se apoiam em fornecedores e focam na engenharia e conclusão do veículo.

Assim como no caso da irmã espacial, ao ser a pioneira de um mercado em formação, a Tesla precisou criar negócios para solucionar gargalos e barreiras ao seu crescimento.

A montadora possui, portanto, fábricas de baterias, redes de carregamento de carros elétricos e produz painéis solares para alimentar a rede de energia.

Para financiar seu objetivo audacioso de ser uma montadora global, a empresa fez em 2010 seu IPO (sigla em inglês para oferta inicial de ações). Atualmente, é a companhia do setor mais valiosa dos EUA listada em bolsa, ao superar a tradicional GM.

Apesar da liderança no setor, Musk se arrepende de ter listado a Tesla porque, agora, a empresa enfrenta forte pressão de vendedores, que amplificam problemas para prejudicar a companhia.

Assim, a montadora fica, constantemente, entre as que têm mais posições vendidas, com bilhões de dólares apostando na queda dos papéis.

O motivo para a volatilidade é até razoável: a Tesla ainda não conquistou a confiança de que consegue produzir veículos maciçamente, a um preço lucrativo e no prazo estabelecido.

Mas não é só isso. A figura de Elon Musk também provoca controvérsias.

As polêmicas de Elon Musk

Em um tuíte em setembro de 2018, por exemplo, ele disse que tinha recursos assegurados para fechar o capital da empresa. Investigado pela SEC (o regulador do mercado de capitais americano), Musk não provou que tinha os termos do negócio assegurado e correu o risco de ser removido como CEO da montadora.

O caso terminou em um acordo, no qual Musk e a Tesla pagariam US$ 20 milhões cada, ele deixaria o cargo de presidente do conselho e teria os seus tuítes revisados antes de serem publicados.

Pouco tempo depois, em entrevista, Musk diz não ter se arrependido da polêmica e ainda afirmou que não tem nenhum respeito pela SEC.

Provou isso meses depois, em fevereiro de 2019, quando voltou a fazer previsões para a Tesla em seu Twitter, provocando a reação do órgão regulador.

Novamente, chegaram a uma solução negociada: o acordo inicial foi revisto para esclarecer assuntos que Musk não poderia publicar na rede social sem supervisão.

Polêmico, Musk sempre volta às manchetes com aparições pouco usuais. Em resposta, o mercado derruba as ações da Tesla.

Entre as atitudes que foram “castigadas” pelo mercado, estão a participação de Musk em um podcast que ficou famoso. Na gravação, Musk apareceu fumando maconha e chamando de ‘pedófilo’ o mergulhador britânico Vernon Unsworth, que ajudava no resgate dos meninos presos em uma caverna alagada na Tailândia.

O ataque de Musk foi uma resposta ao fato de Unsworth ter criticado e falado que era uma tentativa de atrair mídia a tentativa de ajuda de Musk às crianças tailandesas.

Máquinas X humanos

Nos últimos anos, vivendo o sucesso da SpaceX e a escalada global da Tesla, Musk também passou a se dedicar em outros projetos – que, novamente, combatem seu medo de fim dos humanos.

Além da tentativa de espalhar a espécie humana pelo Sistema Solar e reduzir a mudança climática, Musk tenta combater o seu temor de erradicação dos humanos pelas máquinas.

Ele acredita que a inteligência artificial (IA) poderá dar superpoderes a corporações e governos, e até mesmo provocar uma ‘explosão de inteligência’, que colocaria máquinas no comando, um risco fatal à humanidade.

O seu contra-ataque às máquinas vem em duas frentes. A primeira é a OpenAI, organização sem fins lucrativos que visa promover e inteligência artificial para beneficiar a população.

A organização foi criada no final de 2015, e Musk permaneceu no conselho até 2018, quando renunciou para evitar conflitos de interesse com o desenvolvimento de IA da Tesla. Ele segue como um dos doadores, assim como a Microsoft, que aportou US$ 1 bilhão em 2019.

Na outra frente, Musk criou a Neuralink em 2016, que tenta desenvolver uma conexão entre o cérebro e computadores. Contraditório? Não para Musk.

A ideia é que a raça humana consiga, com apoio de computadores, acompanhar o desenvolvimento das máquinas e não ser dominado por elas. Para o projeto, Elon destinou US$ 100 milhões.

O fim do tédio no trânsito

Em seu projeto mais recente, Elon Musk criou a The Boring Company, ou TBC, em dezembro de 2016. O nome é um trocadilho com a palavra boring que, em inglês, pode significar algo entediante ou uma tuneladora (máquina usada na escavação de túneis).

No caso da empresa de Musk, o tédio de estar preso no trânsito de Los Angeles o fez pensar em como reduzir o custo de criar túneis para criar avenidas e resolver os congestionamentos.

A TBC surgiu como uma subsidiária da SpaceX, que emprestou engenheiros para fazer os primeiros projetos conceituais e estudos de viabilidade da empresa.

A TBC era uma brincadeira para Musk, que, para se financiar, vendeu 50 mil chapéus em janeiro de 2018, levantando US$ 1 milhão.

Com o sucesso, ofertou 20 mil lança-chamas em formato de arma. “Uma péssima ideia”, lembra Musk. A empresa vendeu o estoque em poucos dias e arrecadou US$ 10 milhões.

Apesar de ser praticamente um hobby seu, Musk não deixa de lado seu estilo de cobrança. Em reunião de sexta-feira na SpaceX, perguntou quanto tempo era necessário para esvaziar o estacionamento da empresa e começar a perfuração do primeiro túnel.

Confrontado com a resposta de duas semanas, rebateu com a ideia de começar imediatamente, rodando por 48h até o domingo à tarde para medir o avanço. Provocou uma corrida dos funcionários para retirar os carros.

Ainda em fase pré-operacional, mas já desligada da SpaceX desde 2018, a TBC possui diversos projetos em estudo em Los Angeles, outras cidades na Califórnia, Chicago, Las Vegas e uma audaciosa conexão de veículos em altíssima velocidade – batizada de Hyperloop – de Baltimore a Washington, parando em Nova York.

Uma sacada, contudo, ajuda bastante seus negócios. Os túneis urbanos não têm ventilação e não são adequados para veículos que emitem gases de combustão. A solução seria liberar somente para carros elétricos, como… os da Tesla.

A pílula vermelha

O homem por trás de projetos audaciosos como a exploração espacial privada, a criação de uma montadora global de carros elétricos e um novo sistema de transporte urbano é, no mínimo, uma pessoa excêntrica, de posições fortes.

Musk é um crítico do transporte público, que, já declarou, não sai na hora desejada, não sai do lugar desejado e não chega ao lugar desejado. Além de obrigar o passageiro a compartilhar o ambiente com desconhecidos.

Apesar da posição individualista – e bastante criticada – no transporte, ele apoia a taxação mais forte de bilionários como ele, sugerindo imposto de 40%; alíquotas sobre a transmissão de herança; renda mínima para os mais pobres; o Acordo de Paris para redução de emissões; e reforma do sistema de imigração dos EUA.

Ele também é crítico do sistema de subsídios do governo a empresas

Bilionário, Musk é um dos super-ricos que assinou o acordo Giving Pledge, promovido por Warren Buffett e o casal Melinda e Bill Gates, em que se compromete a doar para filantropia grande parte de sua riqueza durante a vida, ou logo após a sua morte.

Além de suas contribuições para estudos de inteligência artificial, Elon possui uma fundação filantrópica chamada Musk Foundation. Sua atuação na área, contudo, é de porte pequeno dado sua fortuna.

Ele costuma doar para projetos de geração solar e armazenamento de energia em desastres naturais como um sistema de geração solar para cidade de Coden, no Alabama, atingida por um furacão, ou US$ 250 mil para um Soma, no Japão, devastada por um tsunami.

Para combater os danos provocados pela contaminação da água de Flint, em Michigan, Musk doou quase US$ 500 mil usados para instalar sistemas de filtros em bebedouros nas escolas da cidade.

Para saber mais

Quer saber mais sobre a trajetória do Elon Musk? Confira a seleção do InfoMoney com livros, artigos e entrevistas.

Livro

  • Elon Musk: Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro (Ashlee Vance)

Entrevista

Podcast