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Luciano Bivar: quem é o pré-candidato à presidência da União Brasil?

Veja os principais fatos de sua trajetória

Luciano Bivar
Nome completo:Luciano Caldas Bivar
Data de nascimento:29 de novembro de 1944
Local de nascimento:Recife, Pernambuco
Formação:Direito
Profissão: Empresário do setor de seguros, dirigente de futebol e político
Partido:União Brasil
Cargo de destaque:Deputado federal e presidente do partido União Brasil

Luciano Bivar é um político brasileiro. Deputado federal por Pernambuco, ele ocupa o cargo de presidente do recém-criado União Brasil, partido resultante da fusão do Partido Social Liberal (PSL) e do Democratas (DEM, ex-PFL), realizada em outubro de 2021. Em abril de 2022, foi escolhido como pré-candidato à Presidência da República nas eleições deste ano pela Comissão Executiva Nacional do União Brasil.

Bivar tem longa carreira como empresário do setor de seguros, cartola de futebol e político. Nos anos 1990, foi um dos fundadores do PSL e presidiu a legenda durante quase toda sua existência. Partido nanico por mais de duas décadas, ganhou musculatura em 2018 quando foi escolhido pelo então deputado Jair Bolsonaro para sua candidatura à Presidência.

Bolsonaro foi eleito e, na onda, o PSL elegeu a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, com 52 parlamentares, atrás apenas do PT. Na legislatura anterior, Luciano Bivar era o único representante do partido na Casa e havia chegado lá como suplente, depois que o titular, Kaio Maniçoba, de sua coligação, assumiu o posto de Secretário de Habitação do estado de Pernambuco.

Para acomodar Bolsonaro e seus aliados, Luciano Bivar cedeu temporariamente a presidência do PSL ao advogado Gustavo Bebianno, que coordenou a campanha. Depois da eleição, Bivar voltou ao comando do partido.

No novo governo, Bebianno foi nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência, mas durou menos de dois meses no cargo. Saiu após brigar com um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), e em meio ao escândalo que ficou conhecido como “Laranjal do PSL”, suposto esquema de candidaturas laranjas de mulheres em 2018.

Em tese, o objetivo das candidaturas femininas suspeitas era cumprir a cota de 30% de candidatas mulheres exigida por lei. O caso teve como pivô o ex-ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que havia comandado o PSL de Minas Gerais naquelas eleições. Bebianno morreu em março de 2020, de infarto fulminante. À época, era cotado para disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSDB.

Com a eleição de uma banca expressiva, o PSL passou a ter fatias generosas do fundo partidário e do fundo eleitoral, mas o casamento de Bolsonaro com o partido não durou muito. Em meio a uma disputa com Bivar pelo controle da legenda, o presidente deixou a sigla em novembro de 2019, depois de dizer a um apoiador na saída do Palácio da Alvorada para “esquecer o PSL” e que Bivar estava “queimado para caramba”.

Antes da saída de Bolsonaro, Bivar foi atingido também pelas investigações do “Laranjal do PFL”. Sua casa foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal em outubro de 2019. A defesa do deputado negou as acusações e qualificou a ação de “absurdo”.

Naquele ano, reportagem da Folha de S. Paulo noticiou a candidatura à Câmara de Maria de Lourdes Paixão, pelo PSL de Pernambuco, reduto de Bivar. A candidata recebeu R$ 400 mil do fundo partidário e foi a terceira maior beneficiada da sigla em 2018, mas só teve 274 votos.

Em entrevista à Folha na época, Bivar disse não ter sido consultado pelo repasse, negou que a candidatura fosse laranja e disse que o dinheiro foi utilizado legalmente. Ele se manifestou contra a cota de gênero nos partidos e disse: “[A política] não é muito da mulher. Eu não sou psicólogo, não. Mas eu sei isso”.

Formação

história de Luciano Bivar

Luciano Caldas Bivar nasceu em Recife, Pernambuco, no dia 29 de novembro de 1944. Ele é um dos nove filhos de Milton de Lyra Bivar e Hermínia Caldas Bivar.

Bivar se formou em direito pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) em 1969. Fez pós-graduação em Direito Comparado na mesma universidade. De 1965  1967, trabalhou na agência de publicidade Warlupo, em Recife. Em 1976, estudou Educação Financeira no Institute of Financial Education da Northwestern University, em Illinois, nos Estados Unidos.

Atuou como advogado da seguradora carioca Delphos na capital pernambucana, depois foi gerente, diretor e vice-presidente da mesma empresa. Posteriormente, fundou a Gerencial Brasitec, empresa de gerenciamento risco de seguros habitacionais. Mais tarde, comprou a Excelsior Seguros e mudou a sede da companhia do Rio de Janeiro para o Recife. Até 2019, era presidente do conselho de administração da seguradora.

Paralelamente, Bivar teve longa carreira como dirigente esportivo. Começou aos 18 anos como diretor de Tênis do Sport Club do Recife, modalidade que praticava quando jovem. Seu pai havia sido presidente do tradicional time de futebol da capital pernambucana em 1952. Um de seus irmãos também já ocupou a posição.

Foi como cartola que o então empresário ficou conhecido. Tornou-se diretor de Futebol do Sport em 1984 e, em 1987, vice-presidente, quando o clube conquistou o Campeonato Brasileiro. Foi eleito presidente da agremiação pela primeira vez para o biênio 1989-1990.

Ao todo, ocupou a presidência do Sport por seis vezes (1989/1990, 1997/1998, 1999/2000, 2001, 2005/2006 e 2013/2014). Em 2013, Bivar admitiu em entrevista que pagou lobistas para interceder junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para que o volante Leomar, jogador do Sport, fosse convocado pela Seleção Brasileira em 2001. Na época, o técnico da Seleção era o ex-goleiro Emerson Leão e o presidente da CBF era Ricardo Teixeira.

Carreira política de Luciano Bivar

Na política, Bivar entrou em 1990, quando se filiou ao Partido Liberal (PL). Presidiu o diretório regional da legenda em Pernambuco de 1992 a 1997. Em 1994, foi candidato a senador, mas não se elegeu. Em 1997, tornou-se presidente do PSL, posto que ocupou quase que ininterruptamente desde então.

Foi o único deputado federal eleito pelo partido em 1998, para a legislatura de 1999 a 2003. Integrou a chamada “Bancada da Bola”, formada por cartolas, e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou os contratos da CBF com a Nike.

Em 2002, candidatou-se a suplente de senador na chapa de Carlos Wilson, então no PTB. Wilson, morto em 2009, foi vice-governador (1987-1990) e governador (1990-1991) de Pernambuco, senador (1995-2003), quatro vezes deputado federal e presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) no primeiro mandato do ex-presidente Lula.

Troca-troca

Bolsonaro saiu do PSL e tentou lançar um novo partido, o Aliança pelo Brasil, mas a iniciativa não vingou. O presidente então se filiou ao PL, sigla comandada pelo mensaleiro Valdemar Costa Neto.

Na última “janela partidária”, encerrada em 1o de abril 2022, os últimos bolsonaristas que ainda estavam no PSL, já com o nome de União Brasil, migraram para o PL ou outras legendas da base governista.

A “janela partidária” é um prazo de 30 dias em ano eleitoral em que parlamentares podem mudar de partido sem correr o risco de perder o mandato por infidelidade. Ela ocorre seis meses antes das eleições.

Com o recente troca-troca, o União Brasil caiu de 81 para 48 deputados federais e agora tem a quarta maior bancada da Câmara. O PL, por sua vez, saltou de 33 para 78 e tornou-se a maior legenda da Casa.

Depois do rompimento com Bolsonaro e com a aproximação das eleições de 2022, Bivar passou a defensor da chamada “terceira via”, a construção de uma candidatura alternativa às do atual presidente e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Embora o deputado tenha sido lançado pré-candidato, o União Brasil havia se comprometido com PSDB, Cidadania e MDB a dar continuidade às negociações em torno de um único nome, mas recentemente Bivar indicou que o partido pode deixar o grupo.

“A União Brasil não pode ficar mais a reboque de querelas ou grupos que não queiram chegar a lugar nenhum”, declarou Bivar em 27 de abril de 2022, de acordo com a Folha.

O aparente recuo ocorre num momento em que o Planalto ameaça cortar cargos do União Brasil no governo se o partido seguir apoiando a ideia de uma terceira via.

Além de Bivar, outro quadro considerado candidato em potencial dentro da legenda é o recém filiado ex-juiz Sérgio Moro, que rompeu com o Podemos, partido ao qual havia aderido em novembro de 2021.

Convenção do União Brasil (Divulgação)
Convenção do União Brasil (Divulgação)

Liberal autodeclarado

Em 2006, Bivar se lançou candidato à Presidência da República pelo PSL. Autodeclarado liberal na seara econômica, ele propôs a instituição de um imposto único federal, ideia que trazia dos tempos de PL, quando foi correligionário do economista Marcos Cintra.

Propôs ainda a construção de uma rodovia de Norte a Sul do Brasil e a instalação de “mini quartéis” nas favelas brasileiras. Ficou em último lugar no pleito com 62.064 votos, ou 0,06% do total.

O que Luciano Bivar defende?

Bivar não segue uma linha ideológica bem definida. Ele já defendeu o aborto, a realização de um plebiscito sobre a união de pessoas do mesmo sexo e o programa Bolsa Família, do PT. Depois aderiu ao modelo bolsonarista de ultra conservadorismo nos costumes e liberalismo teórico na economia.

O político é também escritor. Já publicou livros de ficção e não ficção, como Brasil alerta: psicoses socialistas (1985), Cuba: num retrato sem retoques (1986), Passagem para a vida: operação terror (1989), Burotocracia: a invasão invisível (2006), Intuição: a terceira mente (2016) e 50 formas de amar. Uma é matar (2019).

Em 2014, Bivar foi novamente candidato a deputado federal, mas ficou como suplente, tendo assumido a cadeira em parte da legislatura. Em 2018, foi eleito para a Câmara como o “federal do Bolsonaro” com 118 mil votos. Na época, ele declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de quase R$ 18 milhões.

O deputado é casado com Catarina Petribú Bivar e tem três filhos.

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