Ciro Gomes: a ascensão e as constantes mudanças do político que foi deputado, governador e ministro

Confira os principais fatos de sua trajetória.

quem é Ciro Gomes
Nome completo:Ciro Ferreira Gomes
Data de nascimento:15 de novembro de 1957
Local de nascimento:Pindamonhangaba, São Paulo – SP
Formação:Direito
Profissão: Político
Filiação:Partido Democrático Trabalhista (PDT)
Cargo de destaque:Deputado estadual (duas vezes), prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda, ministro da Integração Nacional, deputado federal e secretário da Saúde do Ceará

Ciro Gomes (PDT-CE) é um político brasileiro. Advogado de formação, vem de uma família com longa tradição na política cearense. Candidatou-se pela primeira vez a um cargo eletivo em 1982.

Foi duas vezes deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda, ministro da Integração Nacional e deputado federal.

Ciro Gomes despontou na política nacional na primeira metade da década de1990, quando foi governador e ministro da Fazenda do governo do ex-presidente Itamar Franco.

Jovem expoente do tucanato na época, logo ficou conhecido pelo pavio curto. Costuma criticar e responder a adversários, e também a aliados, vários tons acima.

Ficaram famosas suas declarações quando era ministro da Fazenda, em 1994. Chamou de “otários” consumidores que pagavam ágio para comprar carros, de “ladrões” e “canalhas” os empresários que cobravam sobretaxas, e de “terroristas” as reações do empresariado paulista a medidas do governo.

Ciro integrou diversos partidos, da direita à esquerda. Começou no PDS (hoje PP), legenda nascida da Arena do regime militar, mas logo migrou para o PMDB. Depois foi para o PSDB, onde se tornou uma liderança importante.

Posteriormente, passou pelo PPS (hoje Cidadania), PSB, PROS e agora está no PDT.

Continua a ter relações instáveis com as siglas que integra. Em novembro de 2021, suspendeu sua pré-candidatura à Presidência quando 15 dos 24 deputados federais do PDT votaram a favor da PEC dos Precatórios, de interesse do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

“A mim só me resta um caminho: deixar a minha pré-candidatura em suspenso até que a bancada do meu partido reavalie sua posição”, declarou. No entanto, em 21 de janeiro de 2022 sua pré-candidatura foi confirmada.

O lema da pré-campanha é “a rebeldia da esperança”, idealizado pelo marqueteiro João Santana, que já trabalhou em campanhas dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Ciro teve uma trajetória ascendente até decidir se lançar candidato a presidente, em 1998. Desde então, foram três tentativas fracassadas. Em 2022, Ciro Gomes prepara-se para tentar uma quarta vez.

Quem é Ciro Gomes?

Ciro Ferreira Gomes nasceu em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, em 15 de novembro de 1957. Ele é o filho mais velho de cinco de José Euclides Ferreira Gomes Filho, defensor público cearense, e Maria José Ferreira Gomes, professora paulista.

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (sem partido), é da mesma cidade.

Ao contrário do conterrâneo, que cresceu e iniciou a carreira política no município, ainda pequeno Ciro mudou-se com a família para Adamantina, também no interior paulista, e depois para Sobral, no Ceará, cidade localizada 260 quilômetros a oeste de Fortaleza.

Do lado paterno, o pedetista vem de uma longa linhagem de políticos cearenses. O bisavô, o avô e o pai dele foram prefeitos de Sobral, assim como o irmão Cid. Ivo, também irmão, é o atual prefeito.

Outro irmão, Lúcio, é secretario de Infraestrutura do Estado do Ceará. A irmã Lia deixou em dezembro de 2021 o cargo de secretária Executiva de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da Secretaria de Proteção Social do Estado. O Ceará é governado pelo petista Camilo Santana.

Depois de concluir o ensino médio em escola pública de Sobral, Ciro Gomes foi para Fortaleza e, em 1976, entrou na Faculdade de Direto da Universidade Federal do Ceará (UFCE). Participou de um grupo chamado Habeas Corpus, ligado à esquerda católica, mas tinha “um certo alheamento da luta partidária”, segundo ele mesmo contou no livro “No país dos conflitos”.

Foi candidato à vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1979, ano da reabertura da entidade. A ditadura militar havia tornado a UNE ilegal.

O jovem Ciro Gomes formou-se em 1979 e voltou para Sobral como advogado. Deu aulas de Direito Tributário na Universidade do Vale do Acaraú, na cidade, e na Universidade de Fortaleza (Unifor).

Trajetória política de Ciro Gomes

Em 1982, ele se candidatou pela primeira vez a um cargo público. Foi eleito deputado estadual pelo PDS, partido de seu pai, que na época era prefeito de Sobral.

Nesse período, Ciro Gomes e o hoje senador Tasso Jereissati (PSDB) deram início a uma duradoura aliança política. Tasso era presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC). Apesar de Ciro ter sido introduzido na vida partidária pelo pai, Tasso é considerado seu verdadeiro padrinho político.

Já em 1983, Ciro Gomes mudou para o PMDB. Foi favorável às Diretas Já, em 1984, e à eleição de Tancredo Neves para presidente, em 1985. Em 1986, ele foi reeleito deputado estadual. Tasso venceu a disputa pelo governo do Ceará e chamou o aliado para ser seu líder na Assembleia.

Satisfeito com a atuação do correligionário na liderança do governo, Tasso convidou Ciro Gomes para ser candidato a prefeito de Fortaleza pelo PMDB, em 1988. Ele venceu o pleito e sucedeu Maria Luíza Fontenele, a primeira prefeita de capital eleita pelo PT.

A administração Ciro foi bem avaliada pela população e, em 1990, ele foi o prefeito de capital com maior índice de aprovação do Brasil, segundo a Folha de S. Paulo.

Entre suas realizações estavam limpeza de ruas, buracos tapados, reabertura de postos de saúde, recuperação de escolas e regularização dos salários do funcionalismo.

Ciro Gomes ficou pouco tempo à frente da administração municipal. Já em 1990, ele se candidatou ao governo do Ceará, apoiado por Tasso. Naquela época não havia reeleição para cargos no Executivo.

Disputou pelo recém-fundado PSDB e elegeu-se no primeiro turno com 56% dos votos. Foi o único governador eleito pelos tucanos naquele ano.

Deu continuidade ao enxugamento da máquina do Estado, iniciado por Tasso, incentivou a criação de micro e pequenas empresas, combateu a sonegação e investiu em saúde e educação.

Em 1992, sua gestão atingiu 64% de aprovação, de acordo com o Datafolha. A mortalidade infantil caiu em um terço e, em 1993, Ciro Gomes recebeu o prêmio Maurice Paté do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A obra de maior destaque de sua administração foi a construção de um canal de 115 quilômetros para levar água do Rio Jaguaribe até Fortaleza. O Ceará é um dos estados brasileiros que mais sofrem com a seca.

Em 1992, Ciro Gomes se posicionou a favor do impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo. Após o afastamento e renúncia de Collor, em dezembro de 1992, o vice Itamar Franco assumiu a Presidência.

No plebiscito de 1993, Ciro Gomes apoiou a mudança do sistema de governo para o parlamentarismo, defendida pelo PSDB. Os eleitores decidiram pela manutenção do presidencialismo.

Em 1994, à frente do Ministério da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso lançou o Plano Real e depois deixou o cargo com o intuito de se candidatar à Presidência. Foi substituído pelo diplomata Rubens Ricupero, que logo caiu por causa do “escândalo das parabólicas”.

Ao dar uma entrevista ao jornalista Carlos Monforte, da TV Globo, conversas de bastidores entre entrevistador e entrevistado foram captadas por antenas parabólicas.

Após se declarar “grande eleitor” de FHC, Ricupero arrematou: “Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde”. A campanha eleitoral daquele ano estava em andamento e, depois de um pedido público de desculpas, Ricupero deixou o cargo.

Itamar então convidou Ciro para o posto. Em fim de mandato no Ceará, o então governador aceitou. Deu continuidade ao Plano Real. Reduziu a alíquota de importação de 445 produtos, extinguiu a cobrança de PIS/Pasep e Cofins sobre as exportações, criou a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e negociou com a Argentina os termos finais do acordo de tarifas do Mercosul.

Sua personalidade temperamental foi escancarada para o público nacional. No curto período em que passou no Ministério, teve desentendimentos com a equipe do Plano Real e com outros integrantes do governo, confrontou o empresariado paulista e cancelou um acordo fechado pela Petrobras com os petroleiros, lançando a categoria numa das mais longas greves de sua história.

Com a vitória e a posse de FHC nas eleições, Ciro Gomes foi substituído pelo economista Pedro Malan na Fazenda. Ele ainda criticou a escolha do senador José Serra (PSDB-SP) para o Ministério do Planejamento.

Fora do governo, Ciro seguiu para um período sabático como pesquisador visitante na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Lá deu início a uma parceria intelectual e política com o professor Roberto Mangabeira Unger que dura até hoje.

Mangabeira é um dos ideólogos do PDT. Ele assessorou Ciro na campanha à Presidência em 1998 e coordenou o programa de governo do então candidato em 2002. Posteriormente, Mangabeira foi ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) nos governos Lula e Dilma.

Durante a gestão de FHC, a relação de Ciro com o governo e com o PSDB foi se deteriorando. Passou a criticar a “política de estado mínimo” e teve um longo período de desentendimento com o tucanato paulista. Em 1996, recusou convite de Tasso para disputar novamente a eleição para a Prefeitura de Fortaleza.

Passou a se posicionar como possível candidato de oposição ao governo. Com a aprovação da emenda da reeleição, FHC tornou-se candidato novamente em 1998.

Ciro Gomes saiu do PSDB e se filiou ao PPS para concorrer ao Planalto pela primeira vez. Na campanha, criticou a politica econômica. Defendia a redução dos juros e o câmbio flutuante. FHC venceu no primeiro turno, seguido de Lula. Ciro ficou na terceira posição, com 10% dos votos.

O câmbio de fato se tornaria flutuante no segundo mandato de Fernando Henrique. Acabava a política de banda cambial que segurava a variação da moeda dentro de determinado intervalo. Para conter a inflação, os juros chegaram a 45%. O endividamento interno atingiu o maior patamar da história.

Ciro Gomes ressaltava que os problemas econômicos eram resultado da política “conservadora” adotada pelo governo para a área. Nessa época, e em diferentes ocasiões antes e depois, ele sugeriu a formação frentes suprapartidárias ou de esquerda para elaboração de projetos comuns e o lançamento de candidaturas de consenso. Não teve sucesso até hoje.

Teve um comportamento de “morde e assopra” com o governo no período. Fazia duras críticas, mas era contra o “Fora FHC” encampado pela oposição, e foi contra a instalação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) para investigar a administração. “Fernando Henrique não rouba, mas deixa roubar”, chegou a dizer na época.

Pré-candidatura de Ciro Gomes

Há meses Ciro começou a se colocar como alternativa a Bolsonaro e ao ex-presidente Lula, atacando ambos.

Já se referiu a Bolsonaro com uma infinidade de adjetivos pejorativos: “canalha”, “ladrão”, “ covarde”, “picareta”, “frouxo”, “bandido”, “incompetente”, “despreparado”, “corrupto”, “jumento” e vários outros.

Em dezembro de 2021, culpou o presidente por uma operação da Polícia Federal que atingiu ele e seu irmão, o senador Cid Gomes (PDT-CE). A justificativa da ação de busca e apreensão era investigar suposto desvio de recursos públicos na construção do estádio Castelão, em Fortaleza, para a Copa do Mundo de 2014.

“Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar me intimidar e deter as denúncias que faço todo dia contra esse governo que está dilapidando nosso patrimônio público com esquemas de corrupção de escala inédita”, declarou Ciro.

Em 22 de fevereiro de 2022, a quarta turma do Tribunal Regional Federal da 5a Região (TRF-5) acatou por unanimidade habeas corpus apresentado pela defesa de Ciro e anulou a operação da PF. Segundo a Folha de S. Paulo, os magistrados entenderam que “houve ausência de contemporaneidade entre as supostas fraudes e a busca e apreensão”. Mais de dez anos separam um acontecimento do outro.

“Há Justiça no Brasil. O TRF-5, por unanimidade, restaurou a minha honestidade, a minha decência”, afirmou Ciro Gomes na ocasião. Com a decisão, nenhuma eventual prova obtida na operação pode ser usada contra ele.

Relação com Lula (e o PT)

Com Lula e o PT, Ciro tem uma relação conturbada. Apoiou o petista no segundo turno em 2002, foi ministro da Integração Nacional em seu primeiro mandato e rompeu com o PPS, seu partido na época, quando a legenda decidiu ir para a oposição.

Seguiu como aliado do ex-presidente no segundo mandato, mas foi se afastando do governo.

Embora não tenha sido entusiasta da primeira candidatura de Dilma, defendeu sua reeleição, e seu irmão Cid chegou a ser ministro da Educação da ex-presidente. Foi contra o impeachment de Dilma, mas nos últimos anos endureceu os ataques ao PT.

Em 2018, lançou-se candidato à Presidência pela terceira vez e tentou conseguir o apoio de Lula, que liderava as pesquisas. O ex-presidente foi preso por ordem do então juiz Sérgio Moro, em meio à operação Lava Jato, e ficou impedido de disputar.

No entanto, o líder petista frustrou Ciro e apoiou a candidatura do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Ciro ficou em terceiro lugar no primeiro turno. Viajou para Paris e não pediu votos para Haddad, derrotado por Bolsonaro no segundo turno.

Em maio de 2021, em entrevista ao jornal Valor Econômico, disse: “Lula é parte central da corrupção. Lula é o maior corruptor da história moderna brasileira. E não aprendeu nada. Fica na lambança, prometendo a volta de um passado idílico que é mentira”.

Em outra entrevista, atacou: “O ego do Lula agora não tem reparo, não tem contradição, despirocou geral. Não mudou nem uma ideia sobre nada. E agora tá piorado, porque ele considera, vamos dizer, que o crime compensa”.

Ciro vinha tentando se colocar como alternativa de centro-esquerda e, ao mesmo tempo, atrair a simpatia de antipetistas. No entanto, em dezembro de 2021, Lula se solidarizou com seu ex-ministro quando da operação da PF que atingiu os irmãos Gomes.

O pedetista, então, amenizou o tom. “Não acho que o Lula seja um ladrão, eu nunca disse isso”, declarou. “Ele sabe o que é sofrer perseguição. E ele sabe que eu o defendi também quando o [Sérgio] Moro fez todas as arbitrariedades que fez contra ele”, acrescentou.

Recentemente, no entanto, voltou à carga. Ao ser questionado quem apoiaria num eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, declarou: “Nunca mais farei campanha para bandido, por isso que eu tenho que estar no segundo turno”.

Com um pé na esquerda e um olho na direita, Ciro participou tanto do protesto contra Bolsonaro organizado pelos movimentos direitistas MBL e Vem Pra Rua, em setembro de 2021, como do ato promovido por entidades de esquerda, em outubro, quando foi vaiado e chegou a sofrer uma tentativa de agressão.

Ciro Gomes e a economia

A economia é um dos temas favoritos de Ciro. O deputado Mauro Benevides (PDT-CE), um de seus conselheiros econômicos, disse recentemente que as propostas do pré-candidato giram em torno da ampliação da capacidade de consumo das famílias e do investimento público, como formas de impulsionar o crescimento.

Redução das desonerações tributárias e a cobrança de Imposto de Renda sobre dividendos estão também na pauta.

Em artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, o economista Nelson Marconi, também conselheiro de Ciro, defende ajuste fiscal de médio prazo, com redução de subsídios e isenções, impostos progressivos sobre lucros e dividendos, heranças e patrimônio, e desoneração da produção.

Defende também o fortalecimento da indústria e um plano nacional de desenvolvimento que promova avanço da educação, ciência e tecnologia, redução das desigualdades e melhoria dos indicadores sociais.

Destaca ainda a pauta ambiental como oportunidade de investimentos e propõe mudanças nos processos produtivos rumo a uma economia de baixo carbono.

No lançamento de sua pré-candidatura, em janeiro, Ciro afirmou que, se eleito, vai promover uma revisão da Reforma Trabalhista realizada no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) e irá acabar com o teto de gastos, para viabilizar investimentos públicos.

Ele acrescentou que pretende “mudar a criminosa política de preços” da Petrobras. “Podem tremer de medo os tubarões que se apossaram da Petrobras. Vibrem de alegria os milhões de brasileiros que pagarão menos no combustível. E vamos dizer de novo: o petróleo é nosso”, declarou o pré-candidato, de acordo com o site G1. O político é contra a privatização da petrolífera.

Na seara das privatizações, o ex-ministro já havia se manifestado contra a venda dos Correios e a desestatização da Eletrobras, promessas do governo Bolsonaro.

Para ele, o Estado deve ter papel de indutor na economia. “Nenhum país prosperou sem Estado forte e sem iniciativa privada poderosa”, declarou, de acordo com o Valor Econômico. “Infraestrutura no mundo não existe sem participação do Estado; vejam o caso do Galeão”, observou.

A concessionária do aeroporto fluminense apresentou ao governo um pedido de devolução da concessão. Na avaliação do pré-candidato, os setores de saneamento e rodovias também precisam de participação estatal.

Recentemente, Ciro declarou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, está “perdido”, “desmoralizado” e em “delírio” ao afirmar que o Brasil vai bem. “Tá mais perdido que cachorro que caiu do caminhão de mudança. O Paulo Guedes está desmoralizado, inclusive entre os próprios tubarões do mercado financeiro que bancavam o seu nome. O Guedes está sofrendo de delírio de que o Brasil vai muito bem”, disse, segundo o site Poder 360.

Ciro reapresentou propostas que havia feito em 2018, como a taxação de grandes fortunas, a cobrança de impostos sobre dividendos e a limpeza dos nomes de milhões de brasileiros negativados nos birôs de crédito. Em evento do BTG Pactual realizado em 23 de fevereiro, ele defendeu a tributação progressiva de heranças e o corte de 20% nas desonerações concedidas pelo governo.

O pedetista acrescentou que, se eleito, pretende firmar um pacto com governadores e prefeitos para fazer avançar reformas estruturais, e que o “tempo das reformas são os seis primeiros meses de governo”. Ele disse ainda que irá trabalhar “somente ao redor das reformas que o Brasil precisa”, mas não deu mais detalhes.

Ciro se posicionou contra a Reforma da Previdência aprovada em 2019 e criticou publicamente os parlamentares de seu partido que votaram a favor. Para o ex-ministro, o texto aprovado é uma enganação. Ele diz que pretende apesentar outro projeto, se for eleito. Em 2019, o PDT chegou a encaminhar uma proposta alternativa de reforma, baseada nas ideias defendidas por Ciro na campanha de 2018, com foco em assistência social, novas regras para o sistema de repartição e novo regime de capitalização.

Ciro se candidata à presidência

Em 2002, Ciro se candidatou novamente à Presidência, tendo Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (então no PTB, hoje no Solidariedade), como seu companheiro de chapa.

Defendia o compromisso com a estabilidade do real, “realismo fiscal”, uma abertura “criteriosa” da economia, uma Reforma Tributária que desonerasse o setor produtivo e a criação de um regime de capitalização na Previdência.

Divorciado, na época estava num relacionamento estável com a atriz Patrícia Pillar. Ciro criou uma situação constrangedora ao responder uma pergunta sobre o papel da então companheira na campanha daquele ano. “A minha companheira tem um dos papéis mais importantes, que é dormir comigo. Dormir comigo é um papel fundamental”, declarou. Depois pediu desculpas.

Ao longo da campanha, Ciro chegou a 30% nas pesquisas de intenção de voto, aproximando-se do líder Lula. Passou a ser bastante atacado, principalmente por Serra, seu antigo desafeto, que temia ficar fora do segundo turno.

Sua candidatura acabou desidratada e ele ficou em quarto lugar no primeiro turno, com 11,97% dos votos, atrás do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (então no PSB).

Aliado de Lula

Lula e Serra foram para o segundo turno e Ciro apoiou o petista, que venceu o pleito. Ao assumir, o novo presidente nomeou Ciro ministro da Integração Nacional.

Ficou a cargo dele a revitalização da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), extintas no governo FHC.

O projeto de recriação das agências tramitou por quatro anos no Congresso e só foi aprovado em 2007, quando Ciro já havia deixado o ministério.

Ciro coordenou também o início do projeto de transposição do Rio São Francisco. O empreendimento foi alvo de debates intensos e as obras só começaram efetivamente em 2007. Quando ministro, o político amenizou seu temperamento e Lula o qualificou com um de seus auxiliares mais “leais”.

O PPS rompeu com o governo em 2005, quando Ciro estava no ministério, então ele trocou a legenda pelo PSB. Em 2006, deixou a pasta para se candidatar a deputado federal. Foi eleito com 667.830 votos no Ceará, a maior votação do país proporcionalmente.

No mesmo ano, seu irmão Cid foi eleito governador do Estado. A ex-mulher de Ciro, Patrícia Saboya, havia sido eleita senadora em 2002, pelo PPS. Lula foi reeleito em 2006 ao derrotar o então tucano Geraldo Alckmin no segundo turno.

Em 2010, Ciro defendeu que o PSB lançasse candidatura própria à Presidência, mas o partido optou pelo apoio a Dilma. Ele passou então um tempo afastado da política. Chegou a atuar como comentarista de futebol no rádio, mas em setembro de 2013 assumiu o cargo de secretario da Saúde do Ceará, a convite do irmão Cid, que fora reeleito em 2010.

Rompeu com o PSB, que se afastava do governo petista e rumava para lançar a candidatura do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Ciro defendia a reeleição de Dilma e migrou para o PROS.

Campos morreu num acidente de avião em Santos, no litoral de São Paulo, durante a campanha de 2014. Foi substituído por sua companheira de chapa, a ex-ministra Marina Silva.

Após deixar a Secretária de Saúde do Ceará, em fevereiro de 2015, Ciro assumiu a presidência da Transnordestina, ferrovia em construção pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Ficou no cargo até maio de 2016.

Uma nova tentativa de se candidatar

Foi na campanha de 2018, quando Ciro tentou mais uma vez se eleger presidente, que sua relação com o PT azedou de vez. Frustrado com a insistência de Lula em apoiar Haddad, ele passou a fazer críticas cada vez mais pesadas ao partido e suas lideranças.

Em 2019, já com Bolsonaro no poder, foi hostilizado por alguns participantes de um evento da UNE e repetiu palavras ditas anteriormente pelo irmão Cid: “Lula está preso, babaca”.

Como Lula não está mais preso, há expectativa sobre a evolução futura das relações entre os dois políticos e seus respectivos partidos.

Família

Na seara familiar, Ciro foi casado com Patrícia Saboya, com quem teve três filhos: Lívia, Ciro e Yuri. Depois engatou um longo relacionamento com Patrícia Pillar. Em 2015, teve seu quarto filho, Gael, com a então namorada Zara Costa. Hoje o político é casado com a produtora Giselle Bezerra. Ele também é avô.

OUTROS PERFIS