Política

Presidente do PSL é alvo de buscas da PF em investigação sobre candidaturas laranjas

As ações foram autorizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco para a Operação Guinhol, a pedido do Ministério Público Eleitoral

SÃO PAULO – Quase uma semana após o início das brigas públicas travadas entre o presidente Jair Bolsonaro e a cúpula do PSL, a Polícia Federal cumpre, nesta terça-feira (15), mandado de busca e apreensão em um endereço ligado ao presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar (PE).

Desde as primeiras horas da manhã, policiais federais cumprem mandados judiciais em endereços ligados aos investigados.

O procedimento faz parte da investigação sobre o uso de candidaturas laranjas pelo partido durante as eleições de 2018, como forma para burlar a regra de destinação obrigatória de ao menos 30% dos valores dos fundos partidário e eleitoral a campanhas de candidatas mulheres.

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Os investigadores acreditam que o dinheiro alegado pela sigla como de destinação às candidatas mulheres pode, na verdade, ter sido usado em outras campanhas.

As ações desta terça-feira foram autorizadas pelo pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) para a Operação Guinhol, a pedido do Ministério Público Eleitoral. Ao todo, nove mandados foram autorizados.

Segundo a PF, os mandados visam esclarecer se teria havido “burla ao emprego dos recursos destinados às candidaturas de mulheres, tendo em vista que ao menos 30% dos valores do Fundo Partidário deveriam ser empregados na campanha das candidatas do sexo feminino, havendo indícios de que tais valores foram aplicados de forma fictícia objetivando o seu desvio para livre aplicação do partido e de seus gestores”.

O nome da operação, Guinhol, faz referência a uma marionete, personagem do teatro de fantoches criado no século 19, “diante da possibilidade de candidatas terem sido utilizadas exclusivamente para movimentar transações financeiras escusas”.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a casa de Bivar é um dos alvos da operação. As investigações começaram após uma série de reportagens do veículo mostrando indícios de irregularidade na destinação dos recursos para campanhas e um possível descumprimento da regra da proporcionalidade para candidatas mulheres.

Os desdobramentos do caso aprofundaram uma disputa entre Bolsonaro e a cúpula do partido a um ano das eleições municipais.

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Além do impacto em termos de reputação do caso dos laranjas, também está em disputa o controle dos recursos públicos que o partido vai receber para o pleito e a tomada de decisão sobre candidaturas e alianças.

Luciano Bivar preside a legenda desde 1998, quando o partido foi fundado e deve tentar ser reconduzido para o posto em novembro. Como detém amplo controle sobre o Diretório Nacional, a avaliação é que o deputado não deve enfrentar dificuldades em seu esforço.

De nanica, a sigla tornou-se a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados nas últimas eleições. Neste ano, deve receber cerca de R$ 103 milhões. Em 2020, o montante pode chegar a R$ 360 milhões, sendo R$ sendo R$ 245,2 milhões do Fundo Eleitoral.

(com Agência Brasil)