Entrevista

HASH11 faz 1 ano e pode virar maior ETF do mercado em 2023, aponta CEO da Hashdex

Em um ano, base de cotistas do ETF de criptomoedas se quintuplicou; Hashdex prepara dois novos lançamentos, um deles estreia em maio

Por  Katherine Rivas -

O primeiro ETF (fundo de índice) de criptomoedas do Brasil, o HASH11 completa nesta terça-feira (26) o seu primeiro ano de história. Novato, mas poderoso, o ETF viu a sua base de cotistas experimentar um crescimento de mais de 500% nos últimos 12 meses.

Na sua estreia, em 26 de abril de 2021, o HASH11 chegou à Bolsa com uma base de 28.358 investidores. Um ano depois, o número de cotistas do ETF se quintuplicou para 149.438 – segundo o último boletim mensal de ETFs da B3, referente ao mês de março.

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“Na semana de seu lançamento, o HASH11 ultrapassou R$ 1 bilhão de patrimônio, mostrando o apetite dos investidores por esse tipo de produto”, lembra Marielle Brugnari, gerente Non-Cash Equities da B3. Até março de 2022, o patrimônio do HASH11 cresceu para R$ 1,981 bilhão.

Essa não foi sua única conquista. Com apenas 9 meses de existência, o HASH11 desbancou o tradicional BOVA11– ETF que replica o índice Ibovespa – e se tornou o segundo maior ETF em número de cotistas na B3, atrás apenas do IVVB11, que replica o S&P 500.

Mas, novos ciclos trazem novos desafios e, agora, o HASH11 está de olho na liderança do mercado de ETFs. Em entrevista exclusiva ao InfoMoney, Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex, revela que a conquista deve vir até o segundo aniversário do ETF – em abril de 2023. “O HASH11 é recordista em crescimento entre os ETFs. A gente tem grandes chances de quando estiver celebrando os dois anos de aniversário ser o maior ETF do mercado”, afirma.

Até março, o IVVB11 – primeiro colocado da lista – reunia na sua base 180.630 cotistas.

Olhando apenas para a indústria de ETFs de criptomoedas na Bolsa, com 9 ativos listados, nenhum conseguiu chegar perto do número de investidores do HASH11. O segundo colocado é o QBTC11, um ETF de Bitcoin (BTC) da gestora QR Asset, que reunia até março 38.366 cotistas.

O HASH11 replica o desempenho do Nasdaq Crypto Index (NCI), índice composto por uma cesta de 10 criptomoedas, com rebalanceamento trimestral. A taxa de administração do ETF é de 1,3% ao ano.

Além do HASH11, a Hashdex lançou no último ano outros quatro ETFs de criptomoedas. O BITH11 (bitcoin verde), o ETHE11 (Ethereum), o DEFI11 (finanças descentralizadas) e o WEB311 (focado em contratos inteligentes ou smart contracts). Nas próximas semanas, a gestora deve anunciar o lançamento de dois novos ETFs. Um deles, como antecipado ao InfoMoney, deve chegar à bolsa no mês de maio.

Confira a seguir a entrevista:

InfoMoney – De todos os investidores que aplicam seus recursos em ETFs de criptomoedas, 77% investem em ETFs da Hashdex, a maioria concentrados no HASH11. Se tratando de um ETF para o investidor iniciante, o que justifica a liderança após 1 ano de história e frente ao surgimento de novas teses?

Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex – Discordo um pouco, acho que o HASH11 não foi feito para iniciantes. Ele é um instrumento que serve para o mercado como um todo. E acredito que esse é o segredo do sucesso dele.

Imagine que o HASH11 é uma espécie de S&P 500 dos Estados Unidos ou um Ibovespa do Brasil, um benckmarch (referência) da indústria. Esse é o motivo de ter tanta procura.

Você deixa de lado o debate de ser especialista no mundo cripto e passa a investir em uma tese do que este mercado pode se tornar no futuro. E cada vez é mais claro que cripto vai ser uma parte importante do futuro, da sociedade, da humanidade, é uma ótima aposta a se fazer.

Olhando para o risco-retorno, o índice de criptomoedas replicado pelo HASH11 é o melhor retorno a ganhar pelo risco que o investidor vai correr no mercado. Se você quer investir em Bitcoin, Ethereum, tem uma visão mais profunda e específica do que quer fazer. Mas operar no timing é mais difícil.

No HASH11 você está comprando a longo prazo os resultados do mercado de criptomoedas, que sabemos que é volátil, mas tem um potencial enorme pela frente. Então a liderança do ETF se justifica na natureza do produto, no que ele representa.

Em qualquer país, os maiores ETFs são aqueles que seguem setores industriais. No mundo cripto, o maior ETF é o que segue o Nasdaq Crypto Index (NCI), o HASH11.

InfoMoney – Pode falar um pouco sobre o crescimento da base de cotistas desde a estreia do HASH11? Houve períodos que propiciaram a entrada de mais investidores ou a fuga de alguns?

Marcelo Sampaio – É curioso que o HASH11 já começou muito bem. Estreou na bolsa com quase 30 mil investidores (28.358) e está completando o primeiro ano com cerca de 150 mil (149.438).

Um crescimento de cinco vezes é inacreditável. Não existe algo semelhante em ETF, nem no Brasil nem no mundo. Eu acho que o HASH11 é recordista entre todos os ETFs nesse sentido.

Em relação a quando o ETF cresce mais ou menos, percebemos que a curva de crescimento é relativamente boa. No mercado de criptomoedas tem a relação com o ciclo do ativo, que está subindo ou caindo, mas acho que fizemos um bom trabalho em educar os investidores. Porque quando o mercado cai muito, dado que o mercado é volátil, o HASH11 não tem perdido muitos investidores. É uma perda marginal.

Isso significa que as pessoas entenderam que são ativos de longo prazo. É claro que tem um volume de investidores saindo, mas acredito que ocorre mais com investidores institucionais – que estão operando timing de mercado – do que o investidor de varejo essencialmente.

De maneira geral, o HASH11 continua crescendo. A gente tem grandes chances de quando estiver celebrando dois anos de aniversário, ele ser o maior ETF do mercado. Estamos muito perto do IVVB11, que replica o S&P 500 e é o maior ETF em número de investidores.

Então é uma história muito legal, mostra como existe demanda por criptomoedas. O HASH11 tem uma das melhores governanças do mundo e estamos felizes de fazer algo histórico no mercado.

InfoMoney – A queda marginal seria, por exemplo, a saída de 266 investidores de fevereiro para março?

Marcelo Sampaio – Não dá nem para falar sair, 266 investidores é marginal, representa quase nada em relação ao tamanho do ETF. É normal ter a variação no número de investidores. Mas. observando este dado, não perdemos 50 mil investidores ou 10 mil investidores, que seria uma coisa relativamente normal no mundo cripto.

No mercado cripto, de repente some um monte de investidores e depois voltam. Mas, o HASH11 sente menos isso porque apresentamos o ETF como um produto de longo prazo. Quando sobe ou cai muito, acalmamos os investidores. É uma tese continuada no tempo.

InfoMoney – Sobre o HASH11 se tornar o maior ETF do mercado até o segundo aniversário em 2023. O que está faltando para conquistar essa liderança entre os investidores?

Marcelo Sampaio – Está faltando apenas tempo. O mercado de criptomoedas evolui cada dia e isso não ocorre por conta do preço. Preço é algo que no curto prazo é irracional, mas sempre se racionaliza no longo prazo.

Quando você pensa em desenvolvimento tecnológico, o número de cérebros, de funding está migrando para as criptomoedas, apesar do cenário macroeconômico – juros subindo e guerra – deixando a tecnologia mais escalável. Você vê o Web 2 virando Web 3.

Com o mercado cripto se desenvolvendo, as pessoas vão conhecer mais, se interessar mais e querer investir. Então é só questão de tempo para o HASH11 conquistar a liderança.

O preço ajuda, mas acho que o crescimento do ETF acompanha o desenvolvimento da indústria, que está crescendo.

InfoMoney – Quais foram as principais mudanças na cesta de ativos do HASH11 neste último ano? Em um mercado tão volátil, a Hashdex acha suficiente rever a cesta apenas trimestralmente?

Marcelo Sampaio – O HASH11 segue de forma passiva o índice NCI (Nasdaq Crypto Index).

O NCI observa o mercado como um todo e escolhe os ativos para representá-lo. Ele faz algumas exclusões automáticas do que não representa o mercado ou tem um risco elevado, por exemplo de ser considerado um ativo mobiliário por algum regulador como os Estados Unidos e ter que sair do índice depois.

Então o NCI tem um número variável de ativos. É algo que normalmente não vemos em outros índices. No S&P 500, por exemplo, tem 500 ativos. Ou no Ibovespa tem um número fixo.

Mas o mercado cripto é dinâmico e novo, definir um número fixo seria ruim porque com o mercado crescendo pode virar um índice de nicho ou a inclusão de muitos ativos acabaria saindo caro.

O NCI tem uma coisa muito engenhosa que é conseguir se autobalancear pelo valor de mercado. E, com o tempo, alguns ativos foram reunindo critérios para entrar no NCI. Teve a entrada de ativos como Uniswap (UNI), do mundo das finanças descentralizadas (DeFi), o Axie Infinity que é do universo do metaverso e NFTs. E cada vez mais novas teses da indústria vão entrando.

Hoje, o índice ainda é bastante concentrado em Bitcoin e Ethereum, que são os principais agentes de mercado. Bitcoin é visto como reserva de valor e Ethereum como uma grande plataforma de contratos inteligentes. Mas, além dessas criptomoedas grandes, existem outras potenciais. E cada vez mais o Bitcoin vai perdendo a dominância e vai abrindo espaço para outras no índice.

O legal do NCI é que você não precisa saber quais ativos estão por vir. O mercado resolve o que é válido ao longo do tempo e pelo HASH11 você já estaria investindo nas teses que interessam.

Em relação ao rebalanceamento trimestral, onde entram e saem ativos, é um prazo matematicamente estudado.

Pode até dar a sensação que se isso ocorresse com mais frequência seria melhor para o índice, mas fazer isso em um mercado tão volátil adicionaria muito custo e isso não é bom para o investidor.

Imagine se o rebalanceamento fosse mensal, o ativo entra um mês, sai no outro e retorna no próximo. Isso é extremamente ineficiente. Então os três meses não é algo arbitrário, a escolha torna o HASH11 mais eficiente e penaliza menos a performance do índice.

InfoMoney – Desde o seu lançamento até ontem, o HASH11 acumula uma rentabilidade negativa de 33,24%. A queda está relacionada ao fato de o Bitcoin ser negociado no patamar dos US$ 40 mil? O que pode puxar a retomada do HASH11 em 2022?

Marcelo Sampaio – Acredito que qualquer tentativa de precificação é uma perda de tempo porque o mercado cripto é nascente, estamos aprendendo os drivers de valor.

Acho que hoje é mais fácil fazer uma análise top down (de cima para baixo) do que falar como vai estar o preço. O HASH11 ter caído 33% faz parte do jogo, assim como o ETF já chegou a valorizar 40%.

A natureza das criptomoedas é volátil e quem investe em cripto precisa entender isso. Agora quando você olha para a frente o cenário é muito positivo.

O que puxa uma retomada? São os ativos do mercado, quando o curto prazo parar de ter uma influência forte e criptomoedas comecem a ser avaliadas pelo seu momento, a adoção, os drivers de crescimento.

Quando você olha para o mercado cripto, ele continua desenvolvimentista. É apenas uma questão de tempo para isso se revelar no preço. Mas citando alguns eventos, diria que o ETF spot nos Estados Unidos, regulações mais desenvolvimentistas, podem ajudar, mas a grande verdade é que a disrupção tecnológica passa ao largo de tudo isso.

Uma queda de 33,24% não está certo e nem errado, é uma característica da volatilidade dos produtos. Mas, a tese do HASH11 continua tão boa ou até mesmo melhor do que quando a gente lançou o ETF um ano atrás.

InfoMoney – O fato de a Hashdex ter lançado recentemente um fundo com Itaú que engloba as teses do HASH11 e outros ETFs da gestora e cujo objetivo é superar o NCI, não acaba tirando a atenção dos investidores do HASH11?

Marcelo Sampaio – De jeito nenhum, pelo contrário, a gente só pode fazer isso porque existe o HASH11. Esse fundo novo o Hashdex Crypto Selection busca resolver uma ineficiência enorme do mercado que são os gestores de estratégia ativa, que escolhem ativos, utilizam como benckmarch o CDI. Isso é um absurdo.

É um absurdo cobrar uma performance do CDI acima das criptomoedas, precisa ter uma referência do mercado. Então para ganhar performance, tem que superar o NCI (Nasdaq Crypto Index).

Então não existe canibalização do HASH11, porque o próprio fundo do Itaú vai em grande proporção comprar HASH11 também. Assim como outros ETFs temáticos.

A Hashdex tem hoje os ETFs de DeFi, de Web3, e tem outros chegando nas próximas semanas.

O investidor não precisa decidir qual e quanto de cada ETF vai comprar, ele pode deixar essa tarefa para nós que estudamos a tese há muito tempo.

Não é canibalização e sim realocação, uma melhor distribuição. A gente só pode fazer isso porque existe o HASH11, isso nunca poderia ter ocorrido sem um benckmarch estabelecido. Então começamos pelo HASH11, pelo índice NCI, porque, na nossa opinião, é por onde o mercado cripto inicia.

InfoMoney – Quais segmentos do mercado cripto a Hashdex está observando e deve trazer como novidade nas próximas semanas?

Marcelo Sampaio – Não podemos revelar por questão regulatória, mas está muito perto de a gente ter novos ETFs legais. Teremos mais duas teses setoriais no curto prazo.

Mas desde o ponto de vista das estratégias, começamos pelo NCI e fomos entrando nos detalhes.

Depois do HASH11 – que representa literalmente o mercado como um todo – a Hashdex fez um primeiro ETF de Bitcoin e Ethereum, que eram criptomoedas maiores e muitos investidores pediam isso para a gente. Mas quando você vai em um produto como teses de DeFi e Web3, é diferente, são teses setoriais. São subindústrias dentro de uma indústria completa.

Então, pegando como exemplo o WEB311, muito se fala de plataformas de contratos inteligentes, mas qual vai dominar o mercado? Ethereum? Solana? Polkadot?

Se o investidor está convicto de que contratos inteligentes (smart contracts) são uma tendência, não precisa escolher um ganhador. Você pode comprar o ETF e se expor a uma tese de smart contracts que será positiva pela frente. Mesma coisa para o ETF de DeFi – finanças descentralizadas.

InfoMoney – De que forma movimentos regulatórios no Brasil, como o PL 3.825/2019, podem afetar o HASH11?

Marcelo Sampaio – Do ponto de vista estrutural do ETF, não influencia em nada, HASH11 continua firme e forte. O Brasil tem uma liderança na regulação de ETFs cripto, está a frente de outros países como Canadá, Austrália e Estados Unidos.

O PL 3.825/2019 é uma boa coisa para o Brasil e não influencia no preço das criptomoedas. O mercado global ainda não baliza muito o que acontece por aqui. Então acho que essa PL vai ser noticiada, ela passando será uma coisa legal, um bom marco, mas não vai mexer no preço.

InfoMoney – E nos EUA? De que forma os avanços regulatórios recentes, como o decreto assinado por Joe Biden, e a expectativa pela aprovação de um ETF de Bitcoin à vista, podem beneficiar o mercado e a demanda por ETFs de cripto como o HASH11?

Marcelo Sampaio – A regulação nos Estados Unidos mexe com o preço, mas também depende de qual regulação. No curto prazo, tecnologia não espera por regulação. Mas já ficou claro que regulações muito restritivas só vão criar uma migração de investidores e mercado para um país que não restringiu.

Os Estados Unidos já entenderam isso e o marco do presidente Joe Biden, mostra que será uma postura desenvolvimentista. Porque se os EUA tiverem uma postura restritiva, há uma migração para Suíça ou outros países abertos a criptos.

Imagine se Estados Unidos tivessem sido restritivos com a internet, estamos falando de um mercado que rende centenas de trilhões de dólares. Não faria sentido.

Criptomoedas é a mesma coisa. EUA já entenderam isso. Pode ser que de vez em quando ocorra alguma postura mais restritiva, mas não será algo radical. Espero no longo prazo boas notícias desse mercado que vão impactar positivamente o preço das criptomoedas.

Biden não foi específico com prazos, mas espero notícias melhores pela frente. Até porque o mercado lá precisa se desenvolver, estão muito atrasados.

InfoMoney – No Brasil, o que ainda precisa melhorar a nível regulatório para fortalecer a indústria de ETFs de criptomoedas?

Marcelo Sampaio – O Brasil está em bom caminho. Tem muita coisa para desenvolver ainda, as pessoas por dentro da indústria gostariam que as coisas fossem mais rápidas, mas preciso reconhecer que o processo já é surpreendentemente rápido se considerado o ponto de vista regulatório.

As lideranças do mercado de capitais, Comissão de Valores Mobiliários e até Banco Central estão ajudando. O Brasil está em bom caminho e pode servir de inspiração para outros países.

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