Eleições se aproximam

Petrobras (PETR4): BBI traça cenários para ação pós-eleições e aponta duas razões para ter o papel em 2022

Banco destaca altos dividendos a serem pagos pela empresa e alternativas mais escassas de investimentos; recomendação atual é de compra

Por  Lara Rizério -

À medida que a eleição presidencial se aproxima, os investidores questionam cada vez mais se possuir os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4) ainda faz sentido, como aponta em relatório o Bradesco BBI. Com questionamento de diversos investidores, os analistas do BBI destacaram cenários diferentes para a companhia e responderam à pergunta.

“Nossa resposta curta é: fique, por enquanto”. Eles apontam duas razões para tanto: (1) hoje há um alto custo para sair da Petrobras antes, que é um dividend yield (dividendo sobre o preço da ação) de 20% esperado para 2022. Portanto, esperar que o cenário político se desenvolva melhor não é tão prejudicial quanto nas eleições passadas, e (2) diferente do que passou nas eleições anteriores, o mundo está enfrentando uma tendência de alta de juros que torna as oportunidades alternativas de ações mais escassas, e a Petrobras tem elementos que são positivos nesse cenário, segundo os analistas.

Assim, Vicente Falanga e Gustavo Sadka, analistas do banco, mantêm recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações PETR4, com preço-alvo de R$ 42, ou potencial de alta de cerca de 30% em relação ao fechamento de segunda-feira.

Para os analistas, os futuros governos podem sim afetar os dividendos da companhia com o represamento dos preços dos combustíveis e com possível aumento das despesas de capital. E, com base nessas duas variáveis, o BBI fez uma análise de sensibilidade sobre o valor justo da Petrobras.

A conclusão de que, se nada mudar nas políticas atuais sob um próximo governo, as ações da estatal podem valer R$ 58 por ação, ou potencial de alta de 80% frente o fechamento da véspera (US$ 21 por ADR), mas em um cenário de baixa, as ações podem recuar para R$ 19,50, ou queda de 31% (US$ 7 por ADR) .

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“Outra questão fundamental é se os avanços que a Petrobras e o Brasil tiveram em termos de governança das estatais desde os escândalos da ‘Lava-Jato’ evitarão que a governança futura afete os retornos da companhia. Estamos um pouco céticos quanto a isso, mas achamos que essa discussão deve se intensificar somente após as eleições”, apontam.

Os dois cenários para a companhia estão listados a seguir:

No cenário otimista (Bull case), os analistas basicamente assumem que a estratégia da Petrobras permanece intacta no próximo governo, com a empresa pagando US$ 12,3 bilhões em dividendos relacionados aos ganhos de 2023. Derivam o valuation justo da empresa a 9% de rendimento de dividendos (em linha com as empresas russas). Acreditam que a Petrobras não negociará a um dividend yield próximo a 6% (média global) dado o risco político constante.

Com isso, o valor justo da empresa seria de R$ 58 por ação (ou US$ 21 por ADR), com um rendimento de dividendos de 15% para aquele ano, sendo potencialmente maior, pois poderia pagar mais de 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos”.  Os analistas usam como premissa um preço do Brent a US$ 78 o barril para 2023, em linha com a curva futura.

No cenário pessimista (ou Bear Case), o BBI avalia que os dividendos da Petrobras poderiam potencialmente desaparecer; portanto, avaliar a empresa sob uma metodologia de dividend yield não faria muito sentido.

Aqui, avalia o desconto de gasolina/diesel em relação aos preços internacionais e aumenta o capex anual percentualmente para aplicar uma taxa justa de EV (valor da firma) sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) de 2,5 vezes.

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“Por que 2,5 vezes? Porque a YPF, empresa estatal argentina expropriada em 2012 e que praticamente não paga dividendos, tem negociado consistentemente em torno desse nível de avaliação”, apontam os analistas.

Para o cenário pessimista, as premissas seriam : (1) desconto de 20% na paridade internacional (por se tratar dos níveis médios praticados nos anos Dilma) e (2) um aumento de 90% no guidance de investimentos de US$ 15 bilhões da companhia para 2023. Um aumento de 90% representaria o fato da empresa ter que financiar 2 grandes refinarias, gastar mais de US$ 20 bilhões em cada uma (como a RNEST) e levar 3 anos para a construção (com dispêndio de mais de US$ 13 bilhões ao ano). Também se considera que a Petrobras assumiria o ônus de abastecer integralmente o mercado brasileiro com importações de gasolina/diesel com prejuízo (cerca de 260 mil barris por dia). Nesse cenário, as ações precisaria corrigir para cerca de R$ 19,50 por ativo, sem pagamento de dividendos.

Assim, ainda veem os riscos distorcidos para cima, apesar da recente valorização das ações. No ano, as ações PETR3 e PETR4 registram altas de 15,57% e 13,01%, respectivamente.

Já sobre os avanços em termos de governança pós Operação Lava-Jato, os analistas ressaltam que houve dez avanços significativos, ainda que mostrem ceticismo que eles seriam capazes de proteger a estatal.

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“Especificamente relacionado à Lei 13.303/2016 das estatais, que estabelece que as empresas devem seguir os mecanismos de precificação de mercado, não temos certeza de que a lei obrigaria a Petrobras a precificar o combustível em linha com a paridade, uma vez que o artigo 8.º do texto afirma que a paridade é aconselhada, salvo outra lei estabelecer o contrário”, aponta.

Cabe ressaltar que outras casas, como Bank of America XP, possuem recomendação de compra para as ações da estatal, mas  destacam o período de volatilidade que os papéis da petroleira pode enfrentar mais à frente neste ano, à medida que se aproximam as eleições presidenciais.

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