As maiores altas e baixas de criptomoedas no 1º semestre de 2022

Crise no mercado cripto fez com que apenas um ativo registrasse alta, enquanto 26 tokens caíram mais de 80%

Paulo Barros | Rodrigo Tolotti

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O fim de junho completa o terceiro mês consecutivo de baixa do Bitcoin (BTC), deixando o primeiro semestre de 2022 marcado na história como o período no qual a criptomoeda recuou, pela primeira vez, para menos do que a máxima do ciclo de alta anterior, ou seja, abaixo do antigo recorde de US$ 20 mil, atingido em dezembro de 2017.

O ano começou mal após um forte sell-off que levou o Bitcoin de US$ 46 mil para US$ 35 mil, mas voltou a dar esperanças ao investidor em fevereiro e março, quando a moeda digital apagou as perdas. A partir de abril, no entanto, ecoando clima de maior apreensão pela guerra na Ucrânia e o temor sobre os efeitos da alta da inflação, os preços iniciaram novo recuo.

Em maio, o mercado cripto começou a gerar receios por questões internas com o colapso do projeto Terra (LUNA) e da stablecoin TerraUSD (UST), que fez sumir US$ 18 bilhões das mãos de investidores.

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No mês que se encerra hoje, analistas seguem preocupados com os efeitos sistêmicos da crise em projetos do setor, como a falta de liquidez de grandes empresas de investimento, que viram seus ativos derreterem nos últimos meses, além dos riscos de contaminação.

Sob efeito da derrocada do projeto Terra, o hedge fund Three Arrows Capital (3AC) tomou o centro das discussões em junho em meio às chamadas de margem em diversas plataformas de empréstimos. Segundo especialistas, o mercado cripto passa por um momento de forte desalavangem em que o 3AC tem papel de destaque.

As altcoins, que costumam sofrer mais que o Bitcoin em momentos de estresse, caíram forte nos primeiros seis meses do ano. Entre as maiores perdas do semestre ficaram exatamente a TerraClassicUSD, nome da antiga TerraUSD, além da Fantom (FTM), que perdeu dois dos principais desenvolvedores do seu projeto no início do ano.

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Como mostrou o caso da UST, nem as stablecoins se safaram das quedas. Uma criptomoeda, no entanto, conseguiu navegar relativamente bem o cenário delicado e registrou alta no período: a UNUS SED LEO (LEO).

Entre as maiores criptos do mundo, o Bitcoin encerra o semestre com perdas de cerca de 60%, cotado em US$ 19.100, enquanto o Ethereum (ETH) perdeu 72% de valor, ficando próximo de US$ 1 mil. Todas as 10 maiores criptos em valor de mercado registraram queda de mais de 60% no período.

Confira abaixo as maiores altas e baixas do primeiro semestre de 2022, considerando apenas os 100 maiores ativos em valor de mercado (lembrando que o mercado de criptomoedas não fecha, podendo haver variações até o final do dia):

Maiores altas do semestre

Única ganhadora do semestre, a UNUS SED LEO (LEO), um token da exchange Bitfinex, tem seu desempenho explicado pelo programa de recompra anunciado pela corretora em 2019: a empresa se comprometeu a usar cerca de um quarto da receita para adquirir, mensalmente, o token LEO no mercado até que seu estoque termine.

A iniciativa foi anunciada há três anos, em junho de 2019, como uma maneira de compensar detentores do ativo digital pelas perdas de US$ 850 milhões da Bitfinex para cobrir um rombo nas contas de uma empresa chamada Crypto Capital Corp, ligada à Bitfinex, que teria tido prejuízo com uma outra exchange cujo fundador deu golpe e sumiu com as criptos dos clientes.

Segundo a Bitfinex, a quantia comprada todos os meses é equivalente a, no mínimo, 27% da receita bruta da empresa-mãe, iFinex, no período.

Diante disso, O LEO fecha o semestre em alta de quase 50%, a US$ 5,65.

As criptomoedas com as maiores altas do primeiro semestre de 2022 (até às 15h do dia 30 de junho):

Criptomoeda Fechamento do mês Variação
UNUS SED LEO (LEO) US$ 5,65 +48,21%

Maiores quedas do semestre

Na ponta negativa, o pior desempenho ficou com a TerraClassicUSD, conhecida anteriormente como Terra USD (UST), a stalbecoin algorítmica do ecossistema Terra. A crise do token começou a chamar atenção entre o fim de abril e começo de maio, quando esse token perdeu sua paridade com o dólar, ajudando a pressionar todo o mercado de criptomoedas.

Ao contrário de stablecoins mais conhecidas como Tether (USDT) e USD Coin (USDC), que criam paridade com o dólar mediante lastro depositado em banco, a UST obtinha estabilidade por meio da queima de Luna: a cada unidade de UST emitida, US$ 1 em Luna era retirado de circulação. A dinâmica era sustentada por market makers (criadores de mercado), que atuam na compra e venda dos ativos, lucrando em troca da tarefa de manter a paridade do UST com o dólar.

A crise teve início quando a Tron (TRX) lançou um novo protocolo que oferecia rendimentos melhores do que o que se conseguia com UST, mas foi com a forte queda do Bitcoin que ocorreu em seguida que o token viu um cenário insustentável de paridade com o dólar.

A UST havia entrado no que se chama de “espiral da morte”, cenário que envolve uma queda sistemática e retroalimentada de um ativo. Nesse caso, investidores começaram a resgatar valores cada vez maiores em UST com o receio de que a stablecoin valesse cada vez menos que US$ 1.

Com isso, o sistema passou a emitir mais tokens Luna, derrubando ainda mais o preço da criptomoeda e causando mais medo no mercado. Para não ficar no prejuízo, investidores da Luna também começaram a liquidar suas posições, enfraquecendo outra vez o combustível da paridade, criando um ciclo vicioso. O resultado é que, apesar de ainda estar entre as 100 maiores criptos em valor de mercado, hoje ela vale cerca de US$ 0,05.

Segunda maior queda do ano até agora, a Fantom (FTM) já perdeu 90% de seu valor em uma crise que teve início em março, quando dois importantes desenvolvedores, Andre Cronje e Anton Nell, pediram demissão de projetos de finanças descentralizadas (DeFi).

Os dois ajudaram a criar a criptomoeda e as saídas foram interpretadas com grande temor no mercado sobre a força do projeto em continuar, o que, aliado à crise do mercado como um todo, acabou derrubando o ativo.

Em seguida diversas criptos tiveram desempenhos parecidos no semestre, com pelo menos 24 tokens recuando mais de 80%, mostrando a força da atual crise do mercado. Porém, no momento da publicação da matéria, as maiores quedas ficaram com Curve DAO Token (CRV), Gala (GALA) e Kadena (KDA).

As criptomoedas com as maiores baixas do primeiro semestre de 2022 (até às 15h do dia 30 de junho):

Criptomoeda Fechamento do mês Variação
TerraClassicUSD (USTC) US$ 0,05075 -94,93%
Fantom (FTM) US$ 0,2456 -90,49%
Curve DAO Token (CRV) US$ 0,6616 -89,35%
Gala (GALA) US$ 0,05305 -88,53%
Kadena (KDA) US$ 1,53 -88,09%

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Paulo Barros

Editor de Investimentos