Inflação: Alive and kicking!

E agora, José? Ou: e agora, Campos Neto? Como seguiremos com a evolução da política monetária com essa não transitoriedade aparente da inflação e relaxamento dos compromissos fiscais?

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(Shutterstock)

Para aqueles que já romperam a barreira dos 40 anos ou mais (meu caso), a canção do Simple Minds, a que se refere o título desta carta, acaba servindo muito bem para a situação da inflação no Brasil.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) – um indicador antecedente do IPCA – subiu 1,20% em outubro comparado ao mês anterior, após ter avançado 1,14% em setembro, totalizando um aumento de 10,34% em 12 meses. Resultado mais elevado desde fevereiro de 2016, quando o acumulado atingiu 10,84%.

E agora, José? Ou: e agora, Campos Neto? Como seguiremos com a evolução da política monetária com essa não transitoriedade aparente da inflação e relaxamento dos compromissos fiscais?

Mesmo com a elevação da Selic de 1,50% na última quarta-feira (27), para 7,75% ao ano, é de se esperar que o Banco Central aumente em mais 1,50% o juro em dezembro, fechando o ano com uma Selic de 9,25%.

Mas, ano que vem, aparentemente, teremos mais restrição monetária, podendo levar a Selic a 10,25% logo no primeiro semestre.

Se assumirmos que o maior risco fiscal deve ter levado a taxa de juros real neutra, aquela que nem estimula e nem contraí a economia real, a 3%, e se projetarmos uma inflação em 2022 de 5%, estaremos falando em uma taxa real de juros de 5,25%. E, descontando a taxa de juros real neutra, de uma taxa contracionista de 2,25%. Um baita impacto na atividade econômica.

Se juntarmos a deterioração das expectativas dos agentes econômicos com a queda de renda da população em 2021, graças a uma inflação que abateu muito mais as classes menos privilegiadas, que detém uma propensão a consumir maior, começa-se a entender as revisões para baixo para o PIB de 2022. Provavelmente, recessão com queda do PIB de 0,5% a 0,7%

Mesmo se pensarmos pelo lado dos investimentos, em formação bruta de capital, macroeconomicamente, essa rubrica parte da identidade macroeconômica do PIB e não deve trazer resultados promissores com a elevação da curva de juros de curto e longo prazo, aliado novamente a uma deterioração das expectativas dos agentes econômicos.

Em tempo, espero em breve escrever um artigo no mesmo estilo “Alive and kicking”, mas para a economia real (PIB).

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Roberto Dumas Damas

Roberto Dumas Damas representou o Itaú BBA em Xangai de 2007 a 2011 e em 2017 atuou no banco dos BRICs em Xangai. Dumas é mestre em Economia pela Universidade de Birmingham na Inglaterra, mestre em Economia Chinesa pela Universidade de Fudan (China), além de professor de MBA e pós graduação do Insper e da FIA e professor convidado da China Europe International Business School (CEIBS) e Fudan University (China)

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