A influência da China para o Bitcoin e os impactos do cerco do governo aos mineradores

Cerca de 70% das plantas de mineração estão instaladas na China e o crescimento exponencial do mercado acendeu o alerta das autoridades locais

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(Shutterstock)

Quem acompanha de perto o mercado de criptoativos já não se assusta tanto com notícias relacionadas a restrições impostas pela China. Ao longo dos últimos anos, o gigante asiático já limitou as operações com ativos digitais ao menos 7 vezes.

O ponto de atenção dessa vez é que o alto comissariado de autoridades que governa o país voltou suas atenções para a indústria de mineração de ativos digitais, a infraestrutura responsável por processar e validar as transações. Cerca de 70% das plantas de mineração estão instaladas no país e o crescimento exponencial do mercado acendeu o alerta das autoridades locais, especialmente pelo aumento do consumo energético.

Até maio de 2024 a recompensa dos mineradores de Bitcoin é de 900 moedas emitidas por dia, equivalente a US$ 35 milhões na cotação atual. Além disso, o aumento de utilização da rede tem crescido substancialmente, atingindo picos de remuneração diária na faixa de US$ 15 milhões originados pelas taxas pagas pelos usuários.

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À medida que a adoção mantém sua trajetória de crescimento, a tendência é de que a indústria de mineração se torne cada vez mais competitiva, incentivando a busca por fontes de energia mais eficientes e renováveis.

O processo de mineração envolve uma sofisticada cadeia de suprimentos, que vai desde os produtores dos chips especializados utilizados nos equipamentos até o uso intensivo de energia elétrica consumido pelos data centers, conhecidos como fazendas de mineração.

Ainda que mais de 75% das fontes de energia utilizadas no processo sejam oriundas de fontes renováveis, na China ainda existem diversas plantas que se utilizam de usinas movidas a carvão mineral em regiões onde os governos locais subsidiam o custo do gasto energético industrial.

Tem crescido nos últimos anos a relevância dada pelo mercado financeiro ao conceito de ESG, que preza por melhores padrões de sustentabilidade, responsabilidade social e governança. Tendo em vista a já manifestada resistência das autoridades chinesas em relação ao Bitcoin, parece bastante conveniente utilizar a narrativa da sustentabilidade para aumentar o cerco à indústria de mineração.

Na prática, o fator mais relevante para as novas sanções é a agenda de implementação da moeda digital emitida pelo Banco Central da China, e a determinação de que essa será a única moeda digital autorizada para realização de transações no território chinês. Para que os objetivos dessa iniciativa tenham êxito é fundamental desencorajar a adoção do Bitcoin para evitar alternativas que sejam capazes de contornar o controle totalitário das transações financeiras com o uso da moeda digital estatal.

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Os agentes do sistema financeiro local estão proibidos de oferecer serviços envolvendo criptoativos e as autoridades prometem fechar o cerco aos mineradores, encerrando contratos de fornecimento de energia elétrica e eventualmente até apreendendo equipamentos que estejam operando sem autorização.

A preocupação do governo chinês é um atestado do sucesso do Bitcoin, que tem se posicionado cada vez mais como uma forma de conversão muito eficiente de energia elétrica em um ativo escasso e com altíssima liquidez em escala global.

Obviamente o processo de migração das plantas de mineração não será simples e deve levar algum tempo para que diminua a relevância chinesa para a dinâmica de funcionamento do ecossistema. No entanto, a própria lógica de funcionamento do protocolo Bitcoin garante que mesmo em cenários extremos, o funcionamento da rede se auto ajusta para manter a segurança e eficiência da rede.

Uma das grandes virtudes do mercado é o seu dinamismo e capacidade de adaptação. A subida de tom da escalada persecutória por parte da China, tende a acelerar o movimento de migração das plantas de mineração em busca de outras para seguirem produzindo. Países do leste europeu, Estados Unidos e Canadá se destacam como alternativas, especialmente pelos custos competitivos e diversidade de fontes energéticas.

Para quem investe em criptoativos o mais importante é se atentar ao crescimento da adoção e aos fundamentos em detrimento das narrativas. Mesmo com o aumento recente da volatilidade, sigo convicto de que Bitcoin é o ativo de melhor relação risco x retorno.

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Safiri Felix

Diretor de produtos e parcerias da Transfero Swiss e ex-diretor executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto). É um dos pioneiros do mercado brasileiro de cripto, começou a investir em Bitcoin em 2013, tendo participado de várias iniciativas envolvendo criptoativos e aplicações em Blockchain.

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