Caminhoneiros param o Brasil: de postos de gasolina a supermercados, o que foi afetado pela greve nesta quinta

Paralisação dos caminhoneiros criou clima de caos ao redor do Brasil

Paula Zogbi

Cabine de um caminhão
Cabine de um caminhão

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SÃO PAULO – O quarto dia de paralisação dos caminhoneiros criou clima de caos geral em todo o Brasil com a dificuldade de abastecimento em diversos setores e o término dos estoques mais diversos. 

Mesmo após a aprovação do projeto de lei de desoneração zerando incidência de PIS/Cofins sobre o óleo diesel, a categoria manteve sua manifestação em estradas ao redor do país. Representantes disseram esperar a publicação da lei no Diário Oficial da União antes de cogitar terminar o movimento – o problema é que, para isso, é necessária ainda a aprovação do Senado.

Confira os serviços que foram gravemente afetados pelas paralisações ao longo do dia (clique nos links para mais informações): 

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  1. Postos de gasolina
  2. Em São Paulo, o sindicato de postos de gasolina disse viver uma situação “desesperadora”, porque o combustível deve acabar na sexta-feira. Outros estados não se encontram em melhor condição: 90% dos postos no Rio já estavam vazios na quinta; o Distrito Federal e Santa Catarina também relataram escassez. 
  3. Alimentos e supermercados
  4. Os preços de determinados produtos chegaram a subir 660% nesta semana pela falta de abastecimento – já que os caminhões que os transportam estão parados. Supermercados também relataram falta de estoque, e o Carrefour está impedindo que clientes comprem mais de 5 unidades de cada produto. A Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores) recomendou o uso de mercados de bairros. Até o McDonald’s ficou sem pão em algumas unidades.
  5. Frigoríficos e leite
  6. Além do abastecimento das lojas, a produção de alimentos também está prejudicada. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que, caso os caminhoneiros não cedam, 90% da produção de proteína animal brasileira fique paralisada na sexta-feira. A indústria de laticínios perde R$ 180 milhões por dia com a paralisação.
  7. Aeroportos
  8. Pelo menos 5 aeroportos operam com restrição nesta quinta-feira por falta de combustível: Brasília, Goiânia, Ilhéus, Recife e Teresina. Em São Paulo, foi necessário que a PM escoltasse caminhões carregando querosene de aviação para permitir a continuidade da frota até sexta-feira. As companhias aéreas e a Anac alertam aos passageiros que têm voos nos próximos dias da necessidade de consultar o status do voo antes de sair de casa.
  9. Ônibus
  10. Usuários de transporte público em diversas cidades também sofrem com a falta de combustível. Em São Paulo, com 40% das linhas afetadas, a SPTrans diminuiu a circulação de ônibus fora do horário de pico para garantir o fornecimento de transporte nos momentos de maior demanda. Belo Horizonte e Rio de Janeiro também realizaram operações especiais graças à falta de combustível.
  11. Jogos de futebol
  12. A Federação de Futebol do Estado de Rio de Janeiro adiou todos os jogos que ocorreriam pelos campeonatos que organiza neste final de semana. Isso afeta o Campeonato Carioca Série B1 sub-20, o Carioca Série B1 profissional e o troféu Guilherme Embry sub-16. As quatro divisões do Campeonato Brasileiro estão mantidas por ora, mas a CBF também estuda possíveis cancelamentos. 
  13. Policiamento alterado
  14. Em São Paulo, a Polícia Militar modificou o formato de patrulhamento para economizar combustível. Carros ficarão parados meia hora para cada meia hora patrulhando.
  15. Calamidade Pública
  16. Pela alta dependência da rodovia Régis Bittencourt, a cidade de São Lourenço da Serra, na Grande São Paulo, chegou a decretar calamidade pública, suspendendo aulas em escolas públicas e mantendo apenas os serviços municipais essenciais em funcionamento.

Paula Zogbi

Analista de conteúdo da Rico Investimentos, ex-editora de finanças do InfoMoney