Swaps: o que são e como funcionam as operações de troca de fluxo de caixa?

Contratos de swap vem sendo cada vez mais negociados, mas muitos não sabem exatamente como eles funcionam
 
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SÃO PAULO - Ao longo dos últimos anos, os mercados de derivativos no Brasil têm apresentado uma significativa expansão. Certamente, uma parte significativa deste crescimento é proveniente do maior número de operações de swaps, que vem se popularizando entre os investidores brasileiros.

Apesar da recente propagação, muitos ainda não sabem como funcionam ou mesmo o que são os swaps. Neste sentido, parece interessante uma abordagem sobre o tópico, passando por sua definição, pela análise de seu funcionamento e pela forma como estes são negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).

O que é este tipo de operação?
De maneira bastante simples, um swap pode ser definido como um contrato, entre dois agentes, de troca de fluxo de caixa ou troca de rentabilidade, havendo duas pontas (pernas), associados a dois indexadores, que podem ser vistas como uma posição comprada e outra vendida.

Desta forma, cada um dos agentes assume as duas posições, mas de forma antagônica: comprada na perna A, por exemplo, e vendida na ponta B. Evidentemente, o ganho deste investidor se dá quando a rentabilidade da perna na qual ele assumiu a posição comprada for superior ao retorno da ponta em que assumiu a posição vendida. Caso contrário, ele apuraria uma perda.

Agregando-se os ganhos e as perdas dos dois agentes, torna-se uma operação de ganho zero, sendo o ganho de um investidor rigorosamente igual à perda da sua contraparte.

Indexadores
Nos contratos de swaps, utilizam-se como indexadores: índices de preços (IPCA, IGP-M, IPC, etc.), índices de ações (Ibovespa, IBX, etc), taxas de juros (CDI, Pré, TR, etc.), preço de um ativo (ouro, por exemplo) ou qualquer outra mercadoria definida pelas partes. No entanto, no caso dos swaps registrados na BM&F ou na Cetip (Câmara de Custódia e Liquidação), devem ser utilizados indexadores autorizados.

Entre as partes, pode ser acordado um eventual acréscimo percentual à variação do indexador. No caso de operações envolvendo dólar, essa porcentagem é tipicamente o cupom cambial, referencial do juro real em dólar no Brasil.

Um exemplo ilustrativo
De forma a tornar mais clara a explicação, vale acompanhar um exemplo ilustrativo. Consideremos um swap CDI - Pré à taxa de 20% ao ano, por um prazo de 360 dias, sobre um valor de R$ 100 mil. Haveria aqui o espaço para uma ampla discussão a respeito do problema de contagem de dias no Brasil, no entanto, vamos assumir que estes 360 dias sejam equivalentes ao prazo de um ano.

O investidor "comprado" na perna do CDI ganhará se os juros do CDI forem maiores do que a taxa pré-fixada e perderá caso contrário. Obviamente, o contrário é válido para o agente comprado na ponta Pré.

Imaginemos que a taxa efetiva do CDI ao longo deste ano tenha sido 25%. Desta forma o investidor "comprado" na perna do CDI receberia R$ 25 mil (0,25 x R$ 100.000,00), valor exatamente igual à perda do agente comprado na ponta Pré.

Simultaneamente, este último receberia, passados os 360 dias, R$ 20 mil (0,2 x R$ 100.000,00), montante equivalente à perda do agente comprado na perna do CDI. Deste modo, considerando-se as perdas e ganhos de cada agente, nota-se que o investidor comprado na ponta do CDI teria lucrado R$ 5 mil, enquanto o outro haveria arcado com um prejuízo também de R$ 5 mil.

Contratos de swaps
Entendido o que é um swap, bem como a maneira como eles funcionam, falta ainda uma breve visão de alguns aspectos dos contratos deste tipo de operação. As operações de troca de fluxo de caixa são negociadas em mercado de balcão, com cotação livre, porém mínima de R$ 50 mil.

O prazo para o vencimento destes contratos pode variar entre dois dias úteis e dois anos, sendo que a liquidação financeira das transações se dá na data de vencimento do contrato.

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