Eleições 2022

Saída de Doria da disputa pela Presidência merece respeito, diz Eduardo Leite

Ex-governador do RS e pivô do racha no PSDB diz que “as circunstâncias adversas de uma eleição não diminuem relevância do legado” de Doria

Por  Anderson Figo

Ex-governador do Rio Grande do Sul e pivô do racha no PSDB, Eduardo Leite escreveu no Twitter que a decisão de João Doria de deixar a disputa pela Presidência da República merece respeito.

“O PSDB teve candidato legítimo oriundo das prévias, que agora faz gesto para unificação da terceira via sob liderança de outro partido. Gesto importante de João Doria, que merece respeito”, escreveu.

“As circunstâncias adversas de uma eleição não diminuem a relevância do seu legado para o Brasil”, continuou o ex-governador do RS. Com a saída de Doria, o PSDB sinaliza que pode apoiar a pré-candidata do MDB ao Planalto, Simone Tebet.

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Mais cedo, Doria anunciou em coletiva de imprensa que estava deixando a disputa pela Presidência porque entendia que seu nome não era o desejo do partido. Ele disse que o PSDB saberá escolher quem apoiar.

“Hoje, neste 23 de maio, serenamente, entendo que não sou a escolha da cúpula do PSDB. Aceito esta realidade com a cabeça erguida. Sou um homem que respeita o bom senso, o diálogo e o equilíbrio”, disse.

“Sempre busquei e seguirei buscando o consenso, mesmo que ele seja contrário à minha vontade pessoal. O PSDB saberá tomar a melhor decisão no seu posicionamento para as eleições deste ano”, completou. Doria disse ainda que se retira da disputa “com o coração ferido, mas com a alma leve”.

Racha no PSDB

A relação de Doria com o PSDB está estremecida desde novembro do ano passado, quando o tucano venceu as prévias do partido para concorrer ao Planalto. Na ocasião, membros da legenda não concordaram com a escolha do ex-governador de SP e apoiavam outro nome, o do ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Leite, até então à frente do governo gaúcho, deixou o cargo para poder concorrer nas Eleições 2022, mesmo tendo perdido nas prévias para Doria. Ele tem apoio de importantes nomes no partido, como o deputado federal Aécio Neves.

O ex-governador do RS chegou a flertar com o PSD, de Gilberto Kassab, numa possível troca de partido para concorrer ao Planalto e ser adversário de Doria, mas acabou sendo convencido por colegas de legenda a ficar no PSDB, uma vez que a viabilidade da pré-candidatura do ex-governador de SP estava em xeque.

Se sentindo ameaçado dentro do próprio partido, Doria chegou a dar uma cartada que piorou sua situação na legenda: ameaçou não deixar o posto de governador de SP, prejudicando a candidatura de Rodrigo Garcia, seu vice no estado, mas voltou atrás e se afastou.

Pesou na decisão dele na época uma carta do presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, garantindo que o resultado das prévias tucanas seria mantido. Doria queria que seu nome fosse indicado como o representante da terceira via (opção às candidaturas de Lula e Bolsonaro), num acordo com outros dois partidos, o Cidadania e o MDB — o União Brasil já tinha desembarcado da ideia para apoiar a candidatura de seu presidente, Luciano Bivar.

O anúncio da chapa única da terceira via, no entanto, que estava previsto para 18 de maio, foi adiado pelo próprio PSDB, após uma reunião da executiva nacional do partido em Brasília, na qual foi acordado que o ex-governador de São Paulo seria convidado a ouvir dos pré-candidatos do partido as dificuldades que eles têm enfrentado com a manutenção de sua candidatura.

A reunião foi marcada depois que Doria enviou uma carta ao partido, assinada pelo advogado Arthur Rollo, dando a entender que judicializaria sua candidatura caso o PSDB não prosseguisse com o seu nome.

Carlos Sampaio, coordenador jurídico do PSDB, disse a jornalistas que a carta de Doria foi um erro político, por sugerir uma batalha interna na sigla, e um erro jurídico, porque a “convenção é a instância máxima da decisão de candidatura”. A convenção do PSDB ocorre entre julho e agosto.

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