Renan Santos pede que TSE suspenda reajuste do Bolsa Família assinado por Lula

O pedido foi encaminhado pelos advogados de Renan Santos e do Missão ao ministro André Mendonça, do TSE

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O candidato à Presidência Renan ⁠Santos (Missão) pediu na noite de quinta-feira ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ⁠que suspenda o reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família determinado em decreto assinado ‌pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob o argumento de que a medida, tomada a menos de 20 dias do primeiro turno da eleição presidencial, é ilegal, inconstitucional e ‘desequilibra definitivamente o ‌pleito’.

O pedido foi encaminhado pelos advogados de Renan Santos e do Missão ao ministro André Mendonça, do TSE. Na véspera, o magistrado arquivou ação do deputado federal Zé Trovão (PL-SC) contra o reajuste do Bolsa Família sem analisar o mérito, apontando que Trovão, candidato à reeleição na Câmara dos Deputados, não tem legitimidade para entrar com uma ação contra um candidato a outro cargo.

Em sua ação, Renan Santos e ⁠Missão ‌pedem liminar para suspender o decreto que reajustou os valores do programa social, assim como a ⁠imposição de multa e a cassação do registro e do diploma de Lula caso ele seja eleito.

‘A proximidade da data de realização do 1º turno e do início da produção dos efeitos financeiros do decreto n° 13.120, de 17 de setembro de 2026, previsto para 1º de outubro, têm o impacto de desequilibrar definitivamente o pleito, a partir do benefício ilegal para ​cerca de um terço dos eleitores, comprometendo a isonomia e o processo democrático brasileiro’, afirma a petição de Renan Santos e do Missão.

‘Permitir a continuidade da consumação dos ilícitos, com ​o seu agravamento, com a continuidade do uso promocional da recomposição inflacionária, desde 2023, do Bolsa Família, pelos representados, comprometerá a democracia brasileira e a igualdade de oportunidade entre os candidatos de modo definitivo, em prejuízo de todos os brasileiros’, acrescentou.

Em nota publicada na quinta após o anúncio do reajuste do Bolsa Família, a Advocacia-Geral da União afirmou que se tratou apenas de reposição da ‌inflação entre março de 2023 e agosto de 2026, sem ganho ​real, e que a legislação permite ao governo corrigir valores de benefícios.

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‘O decreto não cria benefício novo, tampouco altera os critérios de acesso ao programa, apenas impede que a inflação reduza a proteção devida às famílias em situação de vulnerabilidade’, afirmou ⁠a AGU. ‘A correção do benefício pautada ​no INPC, sem ampliação do ​público atendido, está fora, portanto, do alcance de qualquer vedação eleitoral, conforme apreciação realizada pela Câmara Nacional de Direito Eleitoral da ⁠Consultoria-Geral da União da AGU.’

Também na quinta-feira, o senador ​e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), segundo as pesquisas o principal rival de Lula nesta eleição, classificou o reajuste do Bolsa Família de ‘ilegal’ e afirmou se tratar de um ‘ato de desespero’ pois, segundo ele, Lula ‘sabe que já ​perdeu’. Mais tarde, também na quinta, Flávio disse que não concorda com a ação movida por Zé Trovão, que não autorizou a medida e que o parlamentar ​agiu por conta própria.

Com o reajuste ⁠anunciado, o piso do Bolsa Família passará de R$600 para R$691 enquanto o valor médio do benefício do programa irá para R$777. ⁠Segundo cálculos da equipe econômica do governo Lula, o impacto fiscal será de R$5,8 bilhões neste ano e de R$22 bilhões no ano que vem. O governo, que disse que enviará ao Congresso mensagem alterando a lei orçamentária de 2027 para incluir o reajuste, afirmou que a medida não gerará aumento de despesas, mas sim remanejamento, e que há espaço fiscal para conceder o reajuste.

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