Renda fixa

Tesouro Direto: taxas oscilam com risco fiscal no radar e à espera de dados do IPCA

Prefixados oferecem até 12,86% na tarde desta quarta-feira (8)

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam em movimento misto na tarde desta quarta-feira (8). Nos títulos atrelados à inflação o movimento é de queda nas taxas, enquanto nos prefixados alguns títulos apresentam ganhos na rentabilidade.

Segundo Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos, a sessão de hoje na curva de juros é marcada por oscilações após forte alta nas taxas longas ontem. De acordo com o economista, o risco fiscal e o aumento de gastos públicos ainda permanecem no radar do mercado, após medidas anunciadas pelo governo ontem.

Os imbróglios do governo para tentar reduzir os preços dos combustíveis pesam sobre os juros, ao gerar desconfiança entre os agentes financeiros sobre a situação fiscal do País e com os impactos que isso pode ter sobre a postura do Banco Central na condução de política monetária em 2023 – que é onde está o horizonte relevante da autoridade monetária agora.

Serrano destaca ainda a cautela dos investidores com dados da inflação de maio. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será divulgado nesta quinta-feira (9).

No radar do mercado está ainda o dado das vendas do varejo de abril, que sai na sexta-feira (10).

Dentro do Tesouro Direto, o título prefixado de curto prazo apresenta alta nas taxas.

O Tesouro Prefixado 2025 oferecia às 15h26 um retorno anual de 12,79%, superior aos 12,73% registrados na terça-feira (7).

Na contramão, o título prefixado de longo prazo teve queda nas taxas. O Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, entregava na última atualização de hoje uma rentabilidade anual de 12,86%, abaixo dos 12,92% vistos ontem.

O Tesouro Prefixado 2029 apresenta estabilidade nas taxas.

Nos títulos atrelados à inflação, as taxas recuavam entre 2 e 5 pontos-base.

A maior baixa era na taxa do Tesouro IPCA+ 2026. O título público entregava um ganho real de 5,49% na tarde desta quarta-feira (8), inferior aos 5,54% da sessão anterior.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quarta-feira (8): 

Fonte: Tesouro Direto

Petrobras e Bolsonaro

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou, nesta quarta-feira, 8, que o governo federal vai colaborar para conter a alta dos combustíveis, mas que ainda não há um “entendimento” com a Petrobras (PETR3;PETR4) sobre a política de preços.

Durante almoço com empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), no centro da capital fluminense, o chefe do Executivo repetiu ainda que o governo pretende zerar o PIS-Cofins sobre a gasolina e o etanol.

Bolsonaro citou ainda o projeto aprovado na Câmara que limita a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis em até 17% como uma das medidas que ajudarão a conter a alta dos preços.

O texto está pendente de votação no Senado, Casa que tem sido pressionada por governadores.

“Nós devemos colaborar em um momento difícil como este. Infelizmente, não temos um entendimento com a Petrobras. As grandes petrolíferas baixaram a sua margem de lucro. Aqui, se faz o contrário”, afirmou o presidente.

Bolsonaro disse também que não irá interferir na política de preços da Petrobras, “como o PT interferiu”.

“Não vamos interferir na Petrobras, como o PT interferiu, lá atrás, no preço da gasolina. Não vamos interferir no preço da energia elétrica, como a Dilma interferiu”, prometeu.

Combustíveis e Selic

A grande preocupação do mercado está no fato de que a proposta anunciada pelo governo na última segunda-feira (6) para baratear os combustíveis pode pressionar ainda mais os juros e forçar o Banco Central a postergar o ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic) em 2023. A avaliação foi feita por especialistas ouvidos pelo InfoMoney.

Leia mais:
Medidas para baixar preço dos combustíveis podem forçar BC a postergar redução da Selic

Os temores giram em torno do anúncio de que o governo apresentará uma proposta emenda à constituição (PEC) que vai compensar os estados que aceitarem zerar o ICMS sobre diesel e gás de cozinha. A medida, que vale até dezembro de 2022, ficaria condicionada à aprovação pelo Senado do Projeto de Lei Complementar (PLP) 18/2022, que já passou pela Câmara há duas semanas e estabelece teto de 17% para o ICMS sobre combustíveis e energia elétrica, entre outros itens.

Para gestores e economistas, a PEC teria um custo fiscal alto, já que seria muito difícil que um novo governante conseguisse reverter os benefícios no próximo ano. E para reduzir a inflação em 2022, a proposta também acabaria pressionando a inflação de 2023.

Juliano Ferreira, estrategista-chefe da BGC Liquidez, afirma que o grande problema da proposta é que o governo estaria tirando a inflação de um ano que está “perdido”, para fins de política monetária, e adicionando em 2023, período em que “o BC está mirando” neste momento.

“Se houver a aprovação da PEC e do PLP 18, o impacto poderia chegar a 230 bps [2,30 ponto percentual] na inflação deste ano. Mas no ano que vem, 90 bps [0,90 ponto percentual] deveriam ser revertidos de volta”, diz Ferreira. Os cálculos são preliminares e englobam a intenção do governo de zerar impostos federais (PIS/Cofins e Cide) sobre o etanol e gasolina neste ano, também anunciada ontem.

Sergio Goldenstein, estrategista-chefe da Renascença DTVM e ex-chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do Banco Central, vai na mesma linha e vê com preocupação os impactos para a alta de preços em 2023.

Segundo ele, o “deslocamento” da inflação, com parte da inflação de 2022 passando para 2023, pode fazer com que o ciclo de cortes que o BC terá que fazer tenha que ser “mais tardio e gradual” no ano que vem.

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Outro ponto de atenção está no fato de que há uma defasagem nos preços da gasolina. Marcos Mollica, gestor do Opportunity Total Master, afirma que se a Petrobras for repor todo o atraso nos preços, há uma boa chance de que isso “coma os ganhos” que a inflação teria neste ano.

As compensações anunciadas pelo governo também seguem preocupando vários entes da Federação. Cláudio Castro (PL-RJ), governador do Rio, afirmou hoje que os governadores estão dispostos a “sacrificar” parte da arrecadação, mas que o texto aprovado na Câmara do PLP18/2022 “não dá”.

IGP-DI

Na agenda econômica, investidores repercutem os números do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que variou 0,69% em maio, percentual superior ao apurado no mês anterior, quando variara 0,41%.

O resultado do indicador ficou dentro do intervalo das previsões do mercado financeiro, que estimavam uma alta desde 0,28% a 0,95%, com mediana positiva de 0,85%, de acordo com as instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast.

Com esse resultado, o índice acumula alta de 7,17% no ano e 10,56% em 12 meses. Em maio de 2021, o índice havia subido 3,40% e acumulava elevação de 36,53% em 12 meses.

PIB da zona do euro

Já na cena externa, o mercado monitora a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro, que cresceu 0,6% no primeiro trimestre de 2022 ante o quarto trimestre do ano passado, segundo a terceira e última leitura do indicador divulgada nesta quarta-feira pela Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia (UE).

O resultado representa uma revisão positiva em relação à estimativa anterior, que apontava expansão de 0,3% na atividade. Na comparação anual, a economia da zona do euro teve avanço de 5,4% entre janeiro e março, 0,3 ponto porcentual acima do cálculo prévio.

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