Usar Ethereum durante a Merge é “viver perigosamente”, diz desenvolvedora

Atualização da rede deve acontecer na madrugada da próxima quinta-feira (15)

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A atualização Merge (fusão, em português) do Ethereum (ETH) será concluída nesta semana, mas a incerteza em torno da hora exata em que o evento irá ocorrer pode deixar investidores em sobressalto: afinal, será possível continuar usando aplicativos de Web 3 normalmente durante o processo?

Segundo informações oficiais da Ethereum Foundation, a Merge foi construída de maneira que a rede não pare de funcionar em momento algum, mesmo durante a atualização. No entanto, a professora de blockchain e desenvolvedora Solange Gueiros prefere adotar o caminho mais prudente: evitar usar o Ethereum no momento da fusão.

“Depende do quanto você gosta de viver perigosamente – e de quanto de valor você vai transacionar. Se eu tivesse um valor muito grande para transacionar exatamente ali [no momento da Merge], eu faria um pouco antes ou depois”, recomenda a Blockchain Developer Advocate da Chainlink Labs, startup por trás do projeto Chainlink (LINK), que roda no Ethereum.

Em entrevista ao Cripto+ (assista à íntegra no player acima), Solange conta que, apesar da cautela, acredita firmemente que a atualização dará certo. “Mas temos sempre que tomar nossos próprios cuidados”, justifica.

O horário em que não é recomendável usar a rede Ethereum pode variar porque o momento da atualização não é marcado no tempo, mas sim em uma contagem de conjunto de dados verificados: o gatilho para a fusão virá quando a rede atingir um determinado número de blocos validados, o que pode mudar segundo a dinâmica de disputa entre mineradores.

“Em média, os blocos são minerados a cada 15 ou 16 segundos. Mas pode acontecer de um bloco ser fechado (ou minerado, ou validado) e incluído na rede um pouco mais rápido ou um pouco mais lento”, explica Solange.

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Segundo sites que fazem contagem regressiva para a Merge, a atualização ocorrerá na madrugada de quinta-feira (15), entre 0h e 1h.

É importante lembrar que o cuidado vale principalmente para quem usa carteiras como a MetaMask, assim como aplicativos de finanças descentralizadas (DeFi) ou NFTs, por exemplo. Isso porque, quem apenas compra e vende ETH em corretoras não precisará se preocupar: em geral, vão permitir negociações internas e suspender saques e depósitos durante a mudança na rede para evitar problemas.

Merge do Ethereum

A Merge envolve uma mudança no modelo de consenso da blockchain do Ethereum, alterando as regras do mecanismo de verificação de dados: o modelo Proof-of-Work (PoW), similar ao do Bitcoin, dá lugar ao Proof-of-Stake (PoS), considerado mais ecológico.

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Planejada há pelo menos cinco anos, a atualização fará a rede passar por redução drástica no consumo de energia, além de criar uma nova dinâmica de uso do ETH, que ganha uma ferramenta oficial de renda passiva, por meio do staking.

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Paulo Barros
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Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos