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Ethereum 2.0: o que realmente muda na próxima grande atualização da rede?

Para desenvolvedora e professora de blockchain Solange Gueiros, sucesso da atualização é certo

Por  Paulo Alves -

Não é de hoje que o Ethereum (ETH), segunda maior criptomoeda do mundo, vem roubando a cena do Bitcoin (ativo=BTC). Depois de subir quase cinco vezes mais que o BTC no ano passado, o criptoativo começou 2022 com grande expectativa em torno da sua maior e mais importante atualização até aqui, chamada de “Ethereum 2.0”.

Tem quem considere a atualização como o maior evento da história das criptomoedas desde o próprio surgimento do Ethereum, em 2015. A relevância tem tudo a ver com a importância do projeto no mercado cripto como um todo. Foi graças a ele, por exemplo, que surgiram tecnologias como DeFi, NFTs, e jogos play-to-earn, que remuneram jogadores, como o Axie Infinity (AXS).

A principal promessa do novo Ethereum é reduzir drasticamente as taxas cobradas para transacionar na rede, além do tempo de confirmação das operações. Em uma só tacada, a plataforma que é a campeã de projetos de smart contracts acabaria com seus principais gargalos.

No entanto, toda essa reformulação será feita em etapas. Esperadas inicialmente para este ano, as transações mais rápidas e baratas devem ficar apenas para 2023. Além disso, outra atualização muito aguardada antes prevista para o final de junho, chamada de “The Merge” ou “A Fusão”, que acaba com a mineração convencional de ETH, foi adiada para os “próximos meses”, possivelmente ainda em 2022.

A espera será ainda mais longa, mas especialistas em blockchain estão animados com a novidade, mesmo com tanta demora.

“Sim, é demorado, mas estão trocando o pneu do carro com o carro andando. É para ser demorado mesmo, para tomar cuidado”, explicou a desenvolvedora e professora de blockchain Solange Gueiros, da Chainlink Labs, durante participação no Cripto+ nesta semana.

Fim da mineração

Segundo a desenvolvedora, “a rede atual do Ethereum vai ser um dos braços ligados nessa rede que começou em 2020, que é a Beacon Chain”, em referência à união entre a blockchain atual do Ethereum e uma rede lançada há dois anos que já não usa a mineração tradicional para gerar ETH. No lugar dos mineradores, entram validadores que operam computadores com pelo menos 32 ETH (US$ 96 mil) “trancados” em uma carteira digital. O novo mecanismo é chamado de proof-of-stake (prova de participação).

É essa a principal mudança espera para ainda este ano.

“Os validadores não vão mais precisar fritar o seu computador para fazer uma prova de trabalho, mas sim ter uma quantidade de moedas para participar da validação dos blocos”, explicou a desenvolvedora.

Para além das mudanças técnicas, a adoção do proof-of-stake também traz uma redução significativa no consumo de energia para validar dados da blockchain, em tese afastando críticas sobre o impacto ambiental da mineração baseada em proof-of-work (prova de trabalho), a mesma adotada pelo Bitcoin. A expectativa, portanto, é que o Ethereum 2.0 seja mais sustentável.

Renda passiva

Outra mudança se dá na forma de obter renda passiva com Ethereum. Se agora usuários são obrigados a recorrer a empresas ou protocolos muitas vezes inseguros para ganhar juros sobre suas criptos, a atualização de junho permitirá que o usuário instale um programa no computador, deposite 32 ETH e ajude a validar transações em troca de um percentual das taxas pagas pelos usuários.

Criptos rivais como Solana (SOL), Cardano (ADA) e Binance Coin (BNB) já funcionam dessa maneira.

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Segurança

Por outro lado, defensores ferrenhos do Bitcoin associam o mecanismo de proof-of-stake a uma suposta fragilidade contra hackers. Eles apoiam a tese de que a mineração comum deixa a rede mais segura justamente pela dedicação de alto poder computacional e energia. A desenvolvedora da Chainlink Labs, porém, não vê a mudança para proof-of-stake como negativa.

“Não vejo nenhuma mudança nesse sentido. Pelo contrário. O Ethereum atual vai ser um pedacinho do Ethereum 2.0, e vão existir sub-redes assim como é o Ethereum hoje, e será possível trabalhar em qualquer uma delas, com validadores funcionando em todas elas. Então a tendência é que isso até aumente a segurança”, explica Solange Gueiros.

Como ficam os rivais?

A expectativa em torno do Ethereum 2.0 também cresce pelo potencial impacto sobre blockchains rivais, como Solana e Cardano, que até aqui cresceram pela promessa de resolver os problemas que serão atacados pelas reformulações planejadas. Segundo a professora de blockchain, a sobrevivência desses projetos está ligada à capacidade de diferentes redes conversarem no futuro.

“A gente está falando de um universo gigantesco, tem espaço para todo mundo. Espero que a gente use blockchain da mesma que a gente usa Internet hoje. Eu vejo um caminho muito importante relacionado à interoperabilidade. Sim, vão existir vários blockchains, mas ao mesmo tempo tem que ter interoperabilidade entre eles.”

O mesmo valeria para blockchains que hoje funcionam como auxiliares do Ethereum. Uma delas é a Polygon (MATIC), que deverá oferecer um tempo de confirmação de transações bem menor mesmo após o Ethereum ficar mais rápido no ano que vem.

Até lá, a expectativa é que rivais e aliados sigam crescendo enquanto se preparam para o Ethereum mudar de vez. A mudança que abandona a mineração parece finalmente próxima de ficar pronta no segundo semestre de 2022, após anos de desenvolvimento. Para a especialista da Chainlink Labs, é improvável que a implementação dê errado.

“Quantas aplicações rodam no Ethereum hoje, quanto dinheiro existe lá dentro. Você não vai fazer uma coisa irresponsável. Não tem como errar”.

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