Ibovespa fecha com leve queda em dia de baixo volume financeiro; juros futuros sobem

Mercado operou sem a referência das Bolsas em Nova York, com feriado nos Estados Unidos

Mitchel Diniz

B3 Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo (Germano Lüders/InfoMoney)

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Depois de subir mais de 4% no acumulado da semana passada, o Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira (17) em baixa. O índice fechou a sessão em queda de 0,52% aos 106.373 pontos. O volume negociado no dia ficou em R$ 15,2 bilhões, bem abaixo da média diária. A liquidez dos negócios foi reduzida hoje por causa do feriado do Dia de Martin Luther King, nos Estados Unidos – as Bolsas em Nova York não abriram.

“Com a menor liquidez, as pautas internas acabam ganhando mais relevância”, ressalva Juan Espinhel, especialista em investimentos da Ivest Consultoria. Nesse caso, o principal risco dos investidores é a ameaça de greve dos servidores federais, com uma paralisação programada para amanhã (18), com exigências de reajuste salarial.

“Essa ‘novela’ pode trazer um impacto fiscal maior do que o previsto”, explica Espinhel. O caso pode parar no Supremo Tribunal Federal caso o governo siga com a ideia de conceder aumento apenas para policiais. O judiciário poderá, por sua vez, obrigar que o reajuste valha para todos os servidores federais.

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“Podemos ver a greve dando um pouco de preço ao mercado, porém, com a semana de balanços corporativos nos Estados Unidos, o assunto tende a ficar escanteado. Claro que se houver judicialização e novas tensões entre os poderes, pode ‘dar preço’ de forma mais intensa, já que estamos construindo um cenário eleitoral”, conclui Espinhel.

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A Bolsa também sofreu com a pressão negativa vinda dos juros e do dólar. Mais uma vez, o impacto dessa junção foi sentida por varejistas, shoppings e fintechs. Porém, a maior baixa do índice foi Braskem (BRKM5) – a ação reagiu ao pedido de oferta secundária feita a CVM e Sec pelos controladores Novonor e Petrobras.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
CIEL3 4.9505 2.12
HAPV3 2.9098 10.61
QUAL3 2.76208 16.37
GNDI3 2.53018 62
ENBR3 2.40385 21.3

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
BRKM5 -6.09663 48.98
PCAR3 -3.56605 19.2
IGTI11 -3.56546 17.31
ALPA4 -3.36449 31.02
BPAN4 -3.33007 9.87

O dólar não teve fôlego para se recuperar com consistência da baixa de mais de 2% na semana passada. No comercial, a moeda americana subiu 0,24%, a R$ 5,526 na compra e R$ 5,527 na venda.

Porém, foi um dia de ganhos de dois dígitos para boa parte dos juros no mercado futuro, sobretudo nos contratos mais longos. Na sessão estendida, a alta arrefeceu, mas o DI para janeiro de 2023 avançava sete pontos-base a 12,02%; o DI para janeiro de 2025 subiu oito pontos-base a 11,34%; os contratos pra janeiro de 2027 tinham alta de 12 pontos a 11,30% e o DI para janeiro de 2029 subia 14 pontos-base, a 11,39%.

Sem a referência dos Estados Unidos, a agenda internacional foi dominada pelos indicadores da economia chinesa. O Produto Interno Bruto (PIB) chinês avançou 8,1% em 2021 e 4% no quarto trimestre, superando as projeções do mercado. Tanto as Bolsas asiáticas quanto os índices na Europa fecharam em alta repercutindo o dado.

O Banco Central chinês também reduziu juros pela primeira vez desde o começo do ano passado, o que promete injetar alguma liquidez nos mercados, mas também é um sinal de que a economia está precisando de estímulos.

Dados de produção industrial, varejo e investimentos na China foram divulgados junto com o PIB e mostram que a arrancada da economia chinesa foi puxada pelo setor externo. Com o avanço da variante Ômicron e a política de tolerância zero para Covid, a expectativa é que novas medidas restritivas severas e lockdowns impacte mais uma vez a cadeia produtiva.

Por esse motivo, os bancos já estão cortando as previsões de crescimento para a China em 2022.

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Mitchel Diniz

Repórter de Mercados