Energia Renovável

Como Aeris (AERI3), WEG (WEGE3), EDP (ENBR3) e Neoenergia (NEOE3) veem a transição energética

A busca por energia limpa tem levado empresas a investir nas matrizes eólica e solar – em detrimento de grandes hidrelétricas

Por  Augusto Diniz -

A transição energética tem movido as empresas do setor de energia e, neste cenário, observa-se cada vez mais o foco por parte das companhia em investir nas matrizes eólica e solar – em detrimento da manutenção de grandes empreendimentos hidrelétricos no portfólio.

É o que se observa avaliando os comentários e resultados recentes apresentados pelas companhias atuantes na geração de energia, como EDP (ENBR3) e Neoernegia (NEOE3). Em outra vertente, dois produtores de equipamentos para o setor de eólica e solar, WEG (WEGE3) e Aeris Energy (AERI3) se movimentam para atender a estes mercados.

A Aeris Energy (AERI3), fabricante brasileira de pás utilizadas em geradores de energia eólica, foi quem teceu mais de detalhes em apresentação a analistas, para comentar o balanço do quarto trimestre, como o uso dos ventos como fonte energética volta a avançar.

Bruno Vilela, CEO da empresa, disse que há uma demanda prevista grande a partir de 2024. “Muita coisa que estamos fazendo é nos preparando pra quando essa demanda chegar”, afirma.

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Mas o executivo prevê gargalos na capacidade da indústria entregar e na cadeia de suprimentos: “A gente está falando de onshore e offsore no mundo inteiro”. O crescimento estaria apoiado principalmente na adoção da meta de neutralidade de carbono até 2050, prometida por vários países, inclusive o Brasil, na última Cúpula do Clima.

No curto e médios prazos, porém, Vilela explica que seus clientes, que são empresas investidoras no setor eólico, têm enfrentado desafios com a alta da inflação e custos logísticos.

“Como os fabricantes estão tendo que ajustar os preços da turbina por conta da inflação e também incertezas do pacote de benefícios para o setor, investidores, donos de parques eólicos, estão esperando ter clareza dessas definições para poder fazer os investimentos”, explica.

“A questão inflacionária continua em 2022 e é consenso que ela começa a se regularizar em 2023, tanto a inflação como custo marítimo”, afirma.

Ele cita que mesmo com o período de demanda reprimida, a Aeris está com um backlog (pedidos) “gigantesco”, com entrega até 2024, envolvendo R$ 9 a 10 bilhões de reais.

O setor de energia Eólica em números

Dados da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica) indicam que a capacidade instalada do setor até o final de 2021 é de 21.837 MW, com previsão de subir para 26.792 MW, em 2022; para 30.370 MW, em 2023; 32.885 MW, em 2024, 32.937 MW, em 2025, e 33.052 MW, em 2026.

Esses números se referem apenas aos contratos viabilizados em leilões já realizados e no mercado livre. O que significa que novos leilões de geração de energia podem adicionar mais capacidade instalada nos próximos anos.

Offshore tem pendências

O decreto assinado em janeiro pelo governo, que dispõe sobre o aproveitamento dos recursos naturais no mar para a geração de energia elétrica a partir de empreendimentos offshore, é outro ponto observado por Vilela como relevante dentro do cenário de transição energética.

Segundo o CEO da Aeris, o novo decreto tem várias questões a serem definidas, como licença ambiental. Ele não compartilha a ideia de que já no ano que vem os leilões de geração de energia contemplem projetos de energia eólica offshore: “Não acredita na entrada do investidor sem ter um ambiente regulatório seguro”.

Bruno Vilela conta, por outro lado, que o mercado offshore americano já é uma realidade, com as regras e demandas definidas, inclusive com contratos sendo fechados. “Crescimento será grande quando o pacote (socioambiental) de (Joe) Biden for definido”, avalia. A Aeris pretende atender o mercado americano com pás eólicas.

Ainda sobre o decreto de eólicas offshore, a Abeeólica havia divulgado nota sobre assunto afirmando que a norma “é um avanço crucial” e que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já tem mais de 40 GW de projetos eólicos offshore em análise, “o que demonstra o grande interesse dos investidores”.

WEG (WEGE3) mira no crescimento de aerogeradores

A WEG também indica preocupação com aumento de juros e menor crescimento no PIB brasileiro em 2022, que podem impactar venda de produtos de ciclo curto, como motores elétricos e redutores.

No âmbito da transição energética, a empresa estuda oportunidades em armazenamento de energia e mobilidade elétrica, com desenvolvimento de power train.

No Brasil, o segmento de geração, transmissão e distribuição de energia teve crescimento de 60,4% entre o 4T21 e o 4T20, muito por conta dos segmentos eólico e solar.

André Salgueiro, diretor de finanças e relações com investidores da WEG, destacou a analista de mercado, durante a divulgação do balanço do quarto trimestre, que “as receitas de eólica voltaram a partir do final do segundo trimestre do ano passado e depois veio crescendo ao longo do ano (de 2021)”.

O backlog da empresa está quase completo para esse ano, com boas perspectivas nos próximos anos por conta de procura do mercado de eólica. A empresa é uma grande produtora de aerogeradores e fala em incremento forte da receita com o reaquecimento do setor eólico.

Poucos dias depois de apresentar o balanço do ano passado, a WEG informou o fornecimento de 72 aerogeradores de 4,2 MW cada, ao Complexo Eólico Coxilha Negra, em Santana do Livramento (RS), que pertence a CGT Eletrosul, da Eletrobras (ELET3;ELET6). O valor do contrato é de R$ 2,1 bilhões e entrega dos equipamentos a partir de 2023.

EDP (ENBR3) centra na geração solar

João Marques da Cruz, CEO da EDP no Brasil, disse a analistas, para comentar o balanço do quarto trimestre, que a empresa tem interesse em ampliar a energia solar fotovoltaica nos próximos anos, tanto a geração centralizada (que são as usinas centrais de produção de energia) como a distribuída (gerada no local de consumo).

“A geração distribuída (GD) significa tanta coisa. Tem pequenos painéis solares nas casas de pessoas de capacidade de 5kw as de 2 MW, 3 MW nas empresas, que parecem usinas remotas. Tudo isso é GD. Nós estamos focando fundamentalmente no GD de pequeno investimento e remoto. Esse é o nosso foco. Estamos acelerando isso”, disse o CEO da empresa de energia.

A empresa adquiriu ano passado participação de 40% na BlueSol Energia, que oferece soluções nessa área, e a AES Inova, plataforma de investimento em geração distribuída.

Na geração centralizada (GC), depois de anunciar ano passado o desenvolvimento da planta fotovoltaica de 209 MW de Monte Verde Solar, no Rio Grande do Norte, João Marques da Cruz informou que mais dois parques, com potência semelhante ao primeiro realizado pela empresa, deverão ser anunciados esse ano.

As três usinas solares representarão cerca 750 MW no sistema gerador de energia da empresa. Os novos empreendimentos fotovoltaicos seriam desenvolvidos em São Paulo e Minas Gerais.
Empresas colocam á venda hidrelétricas

A EDP no Brasil tenta ainda se desfazer de três hidrelétricas de seu portfólio: Santo Antônio do Jari, Cachoeira Caldeirão e Mascarenhas. Segundo Cruz, a venda tem a ver com “rebalancear” o portfólio.

Mas, de acordo com o CEO, não houve no mercado “condições corretas para venda”. Assim, disse que continua a operar os ativos.

Neoenergia

A Neonergia (NEOE3) também quer deixar de operar pelo menos uma hidrelétrica. No quarto trimestre de 2021, relatou lucro líquido de R$ 482 milhões referente ao ajuste de valor da UHE Belo Monte. Isso representa avanço na venda da sua participação acionária na usina hidrelétrica localizada na região de Altamira, no Pará.

“Esse desinvestimento está alinhado com a estratégia da companhia, tendo em vista que se trata de uma participação minoritária (10%). Dessa forma, o saldo do investimento em Belo Monte foi transferido da rubrica ‘investimentos’ para ‘ativos não circulantes mantidos para venda’”, escreveu sobre o assunto a Neoenergia no relatório de resultados da empresa.

A venda de hidrelétricas por empresas do setor de energia, de acordo com analistas de mercado, estaria ligada a riscos altos e retorno baixo das mesmas.

Novos parques

Em julho do ano passado, a Neoenergia comemorou a entrada em operação comercial do Parque Eólico de Chafariz, na Paraíba, agregando 471 MW à sua disponibilidade de geração. Em 2022, há mais um projeto nessa área a ser entregue.

O complexo Eólico Oitis, no Piauí e Bahia, com 12 parques e capacidade de 566,5 MW, está em início de montagem dos aerogeradores. A meta é colocar em funcionamento o empreendimento nesse primeiro semestre do ano.

Já no segundo semestre, a Neoenergia promete entregar o Complexo Solar Fotovoltaico Luzia, na Paraíba, com dois parques e capacidade de 149 MW.

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