Se você já tomou algum empréstimo, financiou a casa, o carro ou outro bem ou serviço, ou simplesmente possui uma conta-corrente com limite, saiba que já fez (ou faz) parte do que chamamos de mercado de crédito.

O conceito pode parecer formal e técnico para quem não tem tanta proximidade com as finanças. Mas o fato é que o mercado de crédito exerce grande influência na vida das pessoas, das empresas e da economia de forma geral.

Para saber mais sobre o que é, como funciona e qual a importância deste mercado, continue a leitura a seguir.

O que é o mercado de crédito?

Mercado de crédito é o ambiente no qual acontecem operações de empréstimos e financiamentos entre quem disponibiliza e quem recebe o crédito. Nesse contexto, estão as pessoas físicas, empresas e governo que necessitam de recursos (tomadores), e as instituições financeiras que viabilizam o crédito (credores).

Esse ambiente faz parte do Sistema Financeiro Nacional, e é regulamentado e supervisionado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central do Brasil (BC). Cabe ao CMN estabelecer as políticas e normas do mercado de crédito para garantir a estabilidade da moeda e, com isso, auxiliar no desenvolvimento econômico nacional. Por sua vez, o BC tem a missão de regular e supervisionar as instituições financeiras, para assegurar que todas atuem dentro das normas estabelecidas.

Para que serve o mercado de crédito?

O papel principal do mercado de crédito é facilitar o fluxo de recursos na economia. Para isso, faz a intermediação entre quem precisa tomar dinheiro e quem tem condições de emprestar.

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O crédito é um importante motor da economia, pois ele pode impulsionar o desenvolvimento por meio de investimentos e consumo. Quando o custo é adequado e as linhas são acessíveis, as empresas podem utilizar crédito para capital de giro, para desenvolver novos projetos ou para ampliar a atividade, por exemplo. O mesmo vale para as pessoas, seja para cobrir algum imprevisto no orçamento ou para planejar objetivos financeiros de curto, médio ou longo prazo.

Qual a diferença entre mercado de crédito e mercado de capitais?

O mercado de crédito e o mercado de capitais são estruturas que fazem parte do mercado financeiro, mas com papéis diferentes.

No mercado de crédito, as transações entre credores e devedores são feitas por instituições financeiras. Ao contratar um empréstimo ou financiamento, o cliente recebe o dinheiro da instituição e o devolve futuramente de acordo com o que foi estipulado em termos de prazos e taxas para pagamento.

No mercado de capitais, também existe o objetivo de obter crédito, mas exclusivamente para empresas, e a sistemática é outra. Nesse caso, quando precisam de recursos, as empresas emitem títulos e os negociam diretamente com investidores. 

Por exemplo, quem adquire ações ajuda a financiar a operação da empresa que emitiu o título. Na prática, o efeito no caixa da companhia é o mesmo de um empréstimo bancário, com a diferença de que ela não precisará pagar juros sobre o valor recebido, mas sim dividendos ao investidor sobre os seus lucros.

Outra diferença entre os dois ambientes é que a fiscalização do mercado de capitais é de responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e não do BC, como no mercado de crédito.

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Como funciona o mercado de crédito?

Um ponto importante para entender o funcionamento deste mercado é o conceito de risco de crédito.

Basicamente, risco de crédito é a chance que existe de o tomador do dinheiro não honrar com o pagamento da dívida no futuro. Para liberar um empréstimo ou financiamento, as instituições financeiras costumam fazer uma avaliação criteriosa de quem solicita o crédito.

No caso das empresas, leva-se em consideração aspectos como saúde financeira, evolução das vendas, quadro societário, mercado de atuação, entre outros. Já para as pessoas físicas, a avaliação do risco contempla renda, patrimônio, histórico de crédito, restritivos no CPF, e assim por diante.

O resultado dessa análise vai determinar as características da operação, como valor do crédito, taxa de juros e prazo para pagamento. Dependendo da modalidade ou dos termos de aprovação do crédito, pode ser que o tomador tenha que apresentar garantias adicionais para formalizar a transação. Todas essas condições deverão constar no contrato da operação.

Esse costuma ser o passo a passo de uma operação de crédito. De acordo com a complexidade da linha, os prazos de análise, formalização e liberação da operação poderão ser maiores ou menores.

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Quais os tipos de crédito no mercado de crédito?

As instituições financeiras oferecem diferentes tipos de crédito para pessoas físicas e jurídicas, como veremos a seguir.

Crédito para pessoa física

Algumas das modalidades mais populares no mercado para cidadãos são as seguintes:

  • Cheque especial: este é o limite que costuma vir pré-aprovado no momento da abertura da conta, mesmo que o cliente não o solicite. O cheque especial pode ser de grande ajuda quando existe um pequeno descasamento entre o vencimento de alguma conta e o recebimento do salário, pois alguns bancos não cobram juros por poucos dias de utilização. Porém, é uma linha de crédito muito cara para se utilizar com regularidade.
  • Cartão de crédito: muito popular no Brasil, o cartão de crédito permite que o consumidor faça compras para pagar no mês seguinte, integralmente ou em parcelas. Em alguns casos, é possível parcelar o saldo da fatura, mas o ideal é pagar o seu valor integral para evitar os juros, que estão entre os mais altos do mercado – ao lado do cheque especial.
  • Financiamentos de bens: existem linhas de crédito específicas para adquirir bens duráveis, como veículos, eletrodomésticos, imóveis, e assim por diante. No crédito direto ao consumidor (CDC) e nos financiamentos imobiliário e de automóveis, os bens financiados servem como garantia do crédito até o pagamento total da operação.
  • Consórcio: outra forma de adquirir bens ou serviços é o consórcio, uma forma de compra programada. Em vez de juros, a modalidade cobra uma taxa de administração junto das parcelas, o que torna a operação bem mais barata do que os financiamentos de forma geral.
  • Crédito consignado: no crédito consignado, as parcelas são descontadas diretamente do salário ou do benefício do tomador da operação. Isso facilita a aprovação do crédito e contribui para que as taxas sejam menores do que a média dos empréstimos pessoais.
  • Leasing: o leasing (ou arrendamento mercantil) é uma espécie de contrato de aluguel. Ao longo do tempo, o tomador paga as parcelas e, no final do contrato, pode renovar a operação, devolver o bem ou comprá-lo, descontando o que já pagou.

Crédito para pessoa jurídica

Assim como no mercado da pessoa física, o crédito para empresas vai atender a alguma necessidade específica do negócio. Nesse contexto, as mais usuais costumam ser o financiamento do giro, de investimentos e de operações no mercado internacional.

  • Capital de giro: operações como antecipação de recebíveis, giro parcelado, limite rotativo são algumas alternativas para a empresa dar fôlego ao fluxo de caixa e melhorar a sua liquidez.
  • Investimentos: empresas também podem utilizar o leasing para aquisição de máquinas, veículos e outros bens móveis. Já para projetos que envolvem somas mais altas, as linhas de investimentos subsidiadas pelo governo – como Pronampe e outras – costumam ser mais interessantes devido às taxas e prazos diferenciados.
  • Exportações e importações: também existem linhas específicas para empresas que atuam no segmento, seja para giro, importação de maquinário, garantia internacional, entre outras. 

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Quais fatores influenciam no mercado de crédito?

Tudo o que mexe com a economia acaba exercendo alguma influência no mercado de crédito, em maior ou menor grau. Dependendo do cenário, pessoas físicas e empresas percebem alterações na disponibilidade do crédito e nas condições oferecidas pelas instituições financeiras para a tomada de recursos.

Veja a seguir algumas das variáveis que mexem mais diretamente no mercado de crédito.

Taxa Selic

A taxa Selic, a taxa básica de juros no Brasil, influencia não só os juros dos empréstimos e financiamentos, mas também o mercado financeiro e toda a economia de forma geral.

Em momentos de Selic alta, os investidores podem se beneficiar especialmente da renda fixa, cuja remuneração acompanha a sua trajetória. Por outro lado, tomar crédito neste momento fica mais difícil, pelo custo mais alto e pelas condições geralmente mais restritivas. Com receio de que a inadimplência aumente devido ao encarecimento das operações, muitos bancos reduzem sua exposição ao risco, emprestando menos e/ou exigindo mais garantias dos tomadores.

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Inflação

Taxa Selic e inflação têm uma relação bastante direta, pois costumam andar na mesma direção.

Um dos principais instrumentos de política monetária para conter a inflação é a taxa de juros. Teoricamente, ao elevar a Selic, o governo espera que os preços recuem, pois juros altos inibem o consumo e a tomada de crédito. Com menos dinheiro circulando na economia, o consumo também diminui, e os preços dos produtos e serviços tendem a cair.

Regulação financeira

Mudanças regulatórias também causam impacto no mercado de crédito, pois influenciam diretamente os juros e os critérios de concessão por parte dos bancos. 

Um exemplo é a Resolução 4.966 do Banco Central, de novembro de 2021, que trouxe alterações na forma com que os bancos devem calcular suas provisões para perdas de crédito.

Segundo especialistas, a provisão de um contrato de crédito sob as novas regras pode aumentar em até 13 vezes. Para se adaptar à nova realidade, os bancos precisarão investir em modelos preditivos de análise de risco. Junto disso, espera-se que alguns também passem a exigir garantias adicionais para as operações, o que pode dificultar o acesso ao crédito.