Profissionais da área financeira explicam a máxima de Gates: “ninguém precisa de bancos”

De acordo com convidados do Innovators Summit, a Fintech veio para ficar e está prestes a mudar a forma como você lida com seu dinheiro

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SÃO PAULO – “Estamos entrando mais profundamente em uma era em que quem define o que comprar é o consumidor. Passamos pela era das marcas e pela era das varejistas, agora a decisão está nas mãos certas”, afirma Flávio Dias, diretor executivo do Banco Original, que atualmente está em fase pré-operacional no país.

Já não é de hoje que as pessoas passaram a desacreditar nos serviços financeiros “tradicionais”. Uma pesquisa de março deste ano descobriu que 33% dos jovens da geração Y acreditam que, em 5 anos, não precisarão mais dos bancos, mas apenas de serviços financeiros; uma máxima que já havia sido profetizada por Bill Gates.

De acordo com o executivo do Original, o grande erro dos bancos costuma estar na experiência do consumidor: “é muito complicado ainda falar com o seu banco, e até mesmo empresas de outros segmentos começam a entender isso melhor do que as financeiras”, critica. Flávio falou em uma palestra do evento Innovators Summit, que ocorreu nos dias 16 e 17 de novembro em São Paulo, e citou o exemplo do sistema de pagamentos móveis do Starbucks e do similar usado no app WeChat.

“O Starbucks percebeu que poderia usar um cartão pré-pago para atrair clientes, e isso deu muito certo. As pesquisas indicam que 13% das pessoas que possuem o cartão deixam algum saldo nele: é lucro limpo e direto. As outras 87% costumam demorar 3 meses para usar, é um floating incrível e extremamente simples”, exemplifica. “A indústria financeira vai precisar acompanhar essas mudanças. E isso começa com uma movimentação: o que funcionava como um sistema de dentro para fora, passará a ser pensado de fora para dentro”, explica o profissional. “O diálogo com o cliente é essencial”.

Na tentativa de atender a essa demanda por maior facilidade de acesso, ele afirma que o Original trabalhará em quatro frentes essenciais: foco no cliente; plataforma aberta e colaborativa; cultura ágil e “build, buy or partner”, que significa estar atento a novas soluções do mercado, especialmente as criadas por startups, e ver se faz sentido copiar essas soluções, adquirir essas empresas ou fazer uma parceria.

Para Flávio, isso significa que a experiência do consumidor será otimizada, a partir do momento em que ele é ouvido, a ferramenta evolui com mais rapidez e as startups não oferecem serviços melhores do que os da companhia.

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Também trabalha com contato direto com o consumidor a plataforma de pagamentos móveis MoIP. De acordo com Igor Senra, um dos criadores da companhia, que falou em outro painel do mesmo evento, o diferencial do MoIP foi perceber uma oportunidade de facilitar o processo de pagamentos eletrônicos, que antes da criação do sistema precisava passar por 14 contratos. “Isso foi possível porque escutamos o nosso cliente. Houve um momento em que percebemos que nosso cliente não quer ligar para a gente, mas sim resolver o próprio problema. E é por isso que não terceirizamos nada: sabendo quais são os problemas das pessoas, conseguimos resolver muito melhor”, afirma o empreendedor. A MoIP hoje tem 150 funcionários trabalhando nesse esquema, e prevê faturamento de R$5 milhões nesse ano, tendo efetuado R$1 bilhão em transações no total.

Sobre a regulamentação do seu serviço, que poderia ser classificado como uma das plataformas de tecnologia financeira que podem “matar os bancos”, Igor afirma que o Banco Central tem trabalhado de maneira a aumentar ainda mais essa competição. “Ao mesmo tempo em que o BC quer regular o mercado, ele também quer que nós, pequenas empresas de pagamento, briguemos com as grandes instituições financeiras”, garante. “A regulamentação daqui é boa para o empreendedor”.

Outra empresa que veio para dar uma nova visão à forma como se lida com o dinheiro é o NuBank. Trata-se de um cartão de crédito independente que é gerenciado pelo próprio consumidor através de uma plataforma completamente virtual, por meio de aplicativos. Os gastos são classificados e organizados em categorias imediatamente e as dúvidas dos clientes são tiradas por meio de chats em tempo real, em vez do tradicional telefone.

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Não há ainda uma maneira de saber se os bancos deixarão de existir, como profetizam alguns, ou se precisarão, como sugere Flávio, se encaixar nos moldes da evolução tecnológica. O que se sabe é que são, em grande maioria, instituições com fortes dificuldades de adaptação. De acordo com Flávio, a opção do Original pelo sistema aberto se deu justamente para não cair na armadilha da estagnação: “os bancos são muito fechados, queremos que as pessoas possam cooperar para aumentar a velocidade da nossa inovação”.

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Analista de conteúdo da Rico Investimentos, ex-editora de finanças do InfoMoney