Qual é o melhor CDB ou título público: pré, pós ou indexado à inflação? Planilha mostra

Momento favorece a compra de títulos de renda fixa prefixados, mas faça as contas antes de tomar a decisão
Blog por João Sandrini  

(SÃO PAULO) – Com a crescente expectativa de que o Banco Central pare de aumentar os juros em breve e passe a baixá-los em 2016, uma das perguntas que mais tem sido enviadas pelos leitores ao InfoMoney é: “será que não chegou a hora de começar a comprar títulos de renda fixa prefixados?”. Minha opinião pessoal é que sim, ainda que eu ache importante ter diversificação também na renda fixa, possuindo os três tipos na carteira. Mas o ponto de partida para a tomada dessa decisão não deve ser uma tentativa de adivinhação sobre qual título apresentará os maiores ganhos nos próximos meses ou anos – até porque nem os diretores do BC já sabem para onde vão os juros. O primeiro passo é avaliar qual é a rentabilidade esperada de cada título com as condições atuais do mercado. Então quer saber, por exemplo, se é melhor um CDB que paga 117% do CDI, outro que rende IPCA + 8% ou então um prefixado com taxa de 15,1% ao ano? Calcule com as condições atuais! A planilha deste texto serve exatamente para ajudar você a fazer esses cálculos. BASTA DEIXAR SEU E-MAIL NO FORMULÁRIO ABAIXO QUE EU ENVIO A PLANILHA PARA VOCÊ (MAS NÃO COLOQUE SEU E-MAIL NO ESPAÇO DOS COMENTÁRIOS LÁ DO FINAL PORQUE ELA NÃO SERÁ ENVIADA).

Para quem ainda é pouco familiarizado com a renda fixa, acho importante dar um passo atrás e entender a diferença entre os três tipos de remuneração de títulos de renda fixa. Vou exemplificar usando o CDB porque esse é o investimento de renda fixa mais popular entre os brasileiros depois da caderneta de poupança, mas as conclusões da planilha também valem para Tesouro Direto, letras de câmbio, etc. O CDB mais comum é o pós-fixado, que paga um percentual do CDI – por exemplo, 117% do CDI. O CDI é a principal referência para investimentos em renda fixa no Brasil e seu cálculo corresponde à média das taxas praticadas para empréstimos entre bancos com prazo de um dia. Hoje o CDI é equivalente a 13,64% ao ano. O segundo tipo de rentabilidade é a prefixada. Então um CDB pode pagar, por exemplo, 15,1% ao ano. Por último, há os títulos que pagam juros reais, ou seja, IPCA mais uma taxa de juros de, por exemplo, 8% ao ano. Mas qual desses papéis seria o mais rentável?

A forma mais simples de descobrir essa informação é transformar todas as taxas em prefixadas, de forma que elas se tornem comparáveis. Mas como transformo uma taxa de 117% do CDI em prefixada? Isso é muito mais simples com a planilha. Em primeiro lugar, é importante entender que não basta multiplicar o CDI atual de 13,64% por 1,17 (ou 117%). O CDI é uma taxa de um dia anualizada que não é linear. As taxas de um dia vão aumentando ou diminuindo ao longo tempo, de acordo com a expectativa para as próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Os contratos de DI negociados na BM&F representam as expectativas de juros futuros de cada dia somadas até a data de vencimento. Num exemplo apenas para fins didáticos, o mercado percebe que hoje o DI é de 13,64% ao ano, sobe para 14,14% após a próxima reunião do Copom, se mantém elevado por seis meses e depois começa a cair. O somatório de todos os pontos dessa curva de juros vão gerar uma média, que será o valor dos juros negociados no contrato de DI. Então num exemplo prático, o contrato de juros DI com vencimento em janeiro de 2016 pagava, no momento em que esse texto foi escrito, 14,03% ao ano, o que indica que o mercado espera que a Selic suba em relação ao atual patamar de 13,75% ao ano. Para saber como encontrar os juros atuais negociados na BM&F, basta seguir as instruções da planilha.

O segundo passo é também transformar em prefixada a taxa do CDB que paga juros reais. Para saber qual é a taxa prefixada que corresponde a IPCA + 8% ao ano, basta descobrir qual é o IPCA esperado para os próximos 12 meses. Na planilha você também descobre onde achar essa informação e, então, já terá tudo que precisa para comprar um CDB que rende 117% do CDI, um que paga IPCA + 8% e um terceiro com taxa prefixada de 15,1% porque as três taxas já serão prefixadas e líquidas de Imposto de Renda. Essas taxas podem ser consultadas na tabela abaixo e consideram CDB com prazo de vencimento de dois anos – para Tesouro Direto seria ainda necessário descontar as taxas da corretora e da BM&FBovespa. Para fazer as contas considerando quaisquer outras taxas de juros ou prazos de vencimento, basta deixar seu e-mail no FORMULÁRIO ACIMA para receber a planilha.

Tabela com as rentabilidades líquidas (ao ano)
CDB pós-fixado com retorno de 117% do CDI e vencimento em 2 anos 13,11%
CDB prefixado com retorno de 15,1% e vencimento em 2 anos 12,96%
CDB com retorno de IPCA + 8% ao ano e vencimento em 2 anos 12,29%
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Perfil do autor

É editor-chefe do InfoMoney. Atua como planejador financeiro com CFP® (certified financial planner), analista de ações com CNPI (certificado nacional do profissional de investimento) e consultor de valores mobiliários autorizado pela CVM. Possui 15 anos de experiência em mercado financeiro como jornalista, professor e assessor na montagem de carteiras de investimento. Graduou-se em Jornalismo pela ECA-USP e concluiu dois MBAs pela FIA. joao.sandrini@infomoney.com.br