Maia é mais decisivo que o governo para o resultado da Previdência

Se aprovada entre 25 e 27 de junho na Comissão Especial, cresce ainda mais a chance da reforma ser aprovada em Plenário ainda em julho

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Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia
(Marcos Corrêa/PR)

O assunto “reforma da previdência” anda tão batido que é quase impossível escrever sem, em alguma medida, chover no molhado.

Como já foi dito pela equipe da XP Política, a reforma será aprovada. Hoje é um desafio encontrar quem no Congresso Nacional diga com inteira sinceridade que a reforma não é uma necessidade (o comum é ouvir de quem é contra “mas não essa aí”), que o governo é ruim de articulação política, que a militância, a falta de confiança entre Congresso-Planalto e a agressividade de parte da rede de Bolsonaro – e do presidente mesmo, em alguns momentos – bateriam no tamanho da economia da reforma aprovada.

E que, claro, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos deputados, é chave no processo.

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Bom, tudo isso continua verdade. Só que alguns elementos novos entraram em campo nas últimas semanas:

1) Negativo para a reforma: Paulo Guedes se destemperou e reclamou forte demais do relatório da reforma da previdência apresentado por Samuel Moreira (PSDB);

2) Neutro para a reforma, mas atrapalham no clima geral: Bolsonaro – que não falou muito do assunto – linchou Joaquim Levy publicamente ocasionando seu pedido de demissão no BNDES e demitiu também por razões muito mais de militância ideológica o General Santos Cruz, e;

3) Positivo para a reforma, finalmente: ou vários líderes de bancada e deputados importantes combinaram de enganar todo mundo, ou o governo começou a abrir o balcão e negociar a liberação de recursos para as bases políticas dos parlamentares usando “tecnologia” no estilo Temer. Cargos também estariam no cardápio.

Também foi bom, na sequência das falas de Guedes, Maia ter pedido ponderação de líderes para que não saíssem em guerra contra o ministro da Economia. Samuel Moreira também teve papel relevante ao defender o relatório e o Congresso sem entrar na briga.

A surpresa foi o posicionamento de Paulo Guedes nos últimos dias, tanto na reforma, quanto no caso da indefensável fritura pública de Levy.

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Lembrou mais o Guedes de novembro que falava em “prensa no Congresso” que o Guedes que teve desempenho excelente na construção de uma relação com a política em Brasília.

Na reforma, Guedes acaba por jogar mais responsabilidade ainda sob os ombros de Rodrigo Maia, já que evidentemente o ministro perde um pouco de espaço como interlocutor.

Nada irreversível, já que Maia respondeu com força calculada e evitou colocar fogo em pontes que Guedes pode – e deve – voltar a usar. Mas o timing da crítica não é nem de longe o ideal.

Além disso, o Congresso vai seguindo mais ou menos a fórmula repetida tantas vezes pelo presidente Bolsonaro quando ele diz que “a reforma boa é a possível”, e que esperava R$ 800 bi de economia.

Vale lembrar também que a melhora de ambiente entre governo e deputados está assentada em questões pontuais e práticas que passaram a ser tratadas pelo Executivo. Soluços ainda podem ser vistos se a prática se desviar do combinado.

Sem conseguir fugir de chover no molhado outra vez: uma boa reforma da previdência será aprovada. Se aprovada entre 25 e 27 de junho na Comissão Especial, cresce ainda mais a chance de ser aprovada em Plenário ainda em julho. E Rodrigo Maia tem contribuição maior que o governo no resultado.

XP Política

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