Como a subida dos juros americanos afeta seus investimentos?

Entenda como a alta de juros americanos pode afetar seus investimentos em bolsa, renda fixa e o cambio.

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Depois de vários anos de politica acomodatícia, o FOMC deve subir juros ainda no segundo semestre de 2015. Na visão dos analistas, o primeiro aumento deve ocorrer na reunião de setembro, podendo ser postergado para dezembro, dependendo dos dados econômicos apresentados.

O patamar atual da taxa básica de juros americana encontra-se em 0%-0.25%. Na visão do macroeconomista internacional da XP Securities Paulo Hermanny, o ciclo de aperto monetário deve começar com aumentos alternados de 25 bp até atingir o patamar de 0.75%-1.00%. Depois disso, deve acelerar para uma media de 25 bp por reunião ate atingir 3.50%-3.75% em 2017.

Como isso afeta os títulos de renda fixa?

Como a maioria dos títulos de renda fixa emitidos nos EUA têm taxas pré-fixadas, uma subida da taxa de juros americana impactaria negativamente o preço dos ativos.

Para saber o quanto isso pode afetar sua carteira de renda fixa no exterior, um bom indicativo é avaliar o duration médio da sua carteira. Por exemplo, um fundo com duration médio de 3, tudo mais constante, deveria cair 3% para cada alta de 1% da taxa de juros americana.

Mas vale lembrar que nem todas as categorias de ativos de renda fixa reagem da mesma maneira. O gráfico abaixo mostra o quanto, em media, o preço dos ativos de cada categoria sofre a cada alta ou baixa de 1% na taxa de juros americana.

Em suma, os títulos mais afetados são os mais longos (com maior duration) e os títulos com menores taxas de remuneração como US Treasury (títulos públicos) e Investment Grade – IG Bonds (títulos de alto grau de investimento).

Então não é possível ganhar dinheiro com títulos de renda fixa em um cenário de subida de juros? Sim, se os juros pagos pelos papeis mais do que compensarem as perdas sofridas pela queda no preço. Por isso, os títulos que costumam pagar juros mais altos (com maior risco de credito) tendem a se sair melhor. Se não houver mudanças, obviamente, no nível de risco dos papeis.

Como isso afeta as ações?

É possível que haja uma pequena realização no mercado de ações logo apos do anuncio da primeira subida de juros. Mas a tendência do mercado não deve ser alterada por 2 motivos:

1- A taxa de juros real (juros nominais – inflação) ainda permanecerá negativa por algum tempo. E mesmo ao final do ajuste, o custo de oportunidade de investimento para as empresas deve continuar atrativo.

O gráfico abaixo mostra o coeficiente de correlação entre o retorno das ações americana e movimentos de alta de juros americanos dependendo do patamar dos juros. A conclusão, baseado em retornos históricos, é que uma alta de juros até um patamar de 5% seria ainda positivo, ou benéfico para a bolsa. Acima desse patamar, a alta de juros seria prejudicial para ações.

A explicação do autor do estudo é que, enquanto uma aplicação em renda fixa americana de primeira linha rende menos que 5% ao ano, o investidor aceita tomar risco em bolsa pra obter o retorno esperado. Acima disso, o investidor acha que o risco retorno não compensa e prefere investir em renda fixa com riscos bastante limitados.

2- A subida de juros esta sendo motivada, principalmente, por uma melhora da economia americana, o que não deixa de ser positivo para as empresas.

O gráfico abaixo mostra a performance do S&P 500 durante períodos de alta de juros entre janeiro de 1993 e setembro de 2013:

Como isso afeta o dólar?

Uma alta de juros nos EUA enquanto todos os outros países desenvolvidos estão mantendo ou cortando juros sem dúvida aumentaria o fluxo de recursos para os EUA e consequentemente só reforçaria a tendência de alta do dólar.

Quais são as melhores categorias de ativos para se estar investido?

Baseado mais uma vez em comportamentos históricos seguem os resultados das principais categorias de investimentos durante as altas de juros de 1993 e 2003:

Livia Mansur

Livia Mansur é especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda com mais de 12 anos de experiência. Hoje mora em Miami e atua no mercado financeiro internacional.