Eleicoes Americanas

Apesar de Hillary Clinton ser a candidata mais provável, Donald Trump não está totalmente descartado. Muitos investidores se questionam, o que aconteceria com os mercados se ele ganhasse.
Por  Livia Mansur
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No próximo dia 8 de novembro, os EUA escolhem seu novo presidente, e, há anos, o país não vivencia eleições presidenciais tão disputadas. Na visão da maioria dos estrangeiros, a ideia de Donald Trump ser candidato a presidência parece totalmente louca e infundada. Mas não visão do americano, nem tanto.

Segundo um recente estudo da universidade de Harvard, publicado no mês passado, o desempenho econômico dos Estados Unidos atingiu o pico no final da década de 90, e, a partir de então, temos acompanhado a erosão dos principais indicadores econômicos, tais como: crescimento da economia, crescimento da produtividade, crescimento do emprego e investimentos. De fato, a participação na força de trabalho atingiu seu pico em 1997. Hoje, com menos homens e mulheres da idade ativa na força de trabalho, a renda per capita para os EUA caiu.

 

Ainda segundo o estudo, a renda real familiar média diminuiu desde 1999, com rendas estagnadas em praticamente todos os níveis de renda. Apesar de uma melhora em 2015, a renda familiar média permanece abaixo do pico atingido há 17 anos. Além disso, a estagnação de renda e a menor quantidade de empregos afetaram sobretudo os americanos de baixa renda e com menor qualificação, aumentando a desigualdade social no país. Uma divergência de desempenho semelhante também ocorreu entre as grandes empresas e pequenas empresas. Enquanto as grandes empresas têm sido capazes de prosperar, as pequenas empresas estão com dificuldades, startups estão postergando seus planos, e pequenas empresas já não são mais o maior grupo gerador de empregos. Isso coloca em xeque o sonho americano, ou a capacidade de qualquer americano para avançar e prosperar.

 

E quando as coisas não vão bem, em geral, a culpa sempre recai para o sistema político. Os americanos não confiam em seus líderes políticos e polarização política aumentou dramaticamente. Os americanos estão cada vez mais frustrados com o sistema político dos EUA. Pra se ter uma ideia, hoje, 42% dos norte-americanos se dizem independentes de partidos políticos, uma porcentagem maior do que a de qualquer grande partido. 

 

Pesquisas mostram que a população acredita que o sistema político está obstruindo o progresso económico. Acreditam que reformas políticas são importantes, mas não têm certeza de quais. Muitos americanos estão conscientes de que o sistema está quebrado, mas não tem certeza porque ele está quebrado ou como corrigi-lo. Embora haja crescente frustração com política, não há, ainda, nenhuma estrutura para compreender as razões para o fraco desempenho de hoje e propor soluções eficazes.

 

Dito isso, agora fica mais fácil de entender porque os 2 candidatos tem bastante apoio e porque as eleições ainda não estão definidas ainda. E por isso, os ativos financeiros como bolsa americana, dólar, e até mesmo perspectiva sobre a subida de juros nos EUA podem ser afetados pelos resultados pelas eleições.

 

Apesar da maior probabilidade seja da Hillary ganhar, muitos investidores se perguntam: e se Trump ganhar, o que acontecerá com os mercados? Em um primeiro momento teríamos o clássico cenário de aversão a risco (bolsa em queda, dólar em alta…). Em um segundo momento, uma nova realidade seria avaliada. E vale lembrar que Trump ainda teria um congresso majoritariamente republicano por 2 anos, o que facilitaria muito a aprovação de reformas. É preciso entender como será a implementação das propostas feitas em campanha. Mas se tomarmos como verdade tudo que foi anunciado (o que não quer dizer que se concretizará), poderíamos ver algumas empresas favorecidas por planos de reforma fiscal em relação a receita fora dos EUA, um dólar mais forte e US Treasury: queda, com eventual normalização monetária e subida de juros.

 

Livia Mansur Livia Mansur é especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda com mais de 12 anos de experiência. Hoje mora em Miami e atua no mercado financeiro internacional.

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