Web 3.0 e a migração do poder para o usuário

NFTs, DAOs e novos modelos econômicos

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores
arrow_forwardMais sobre
Web 3.0
Fonte: Getty Images

Nos últimos meses tenho participado de inúmeras discussões onde o termo Web 3.0 aparece trazendo uma visão muito disruptiva que afetará tudo e todos. Em uma dessas conversas com o amigo Daniel Murta, ele me indicou um texto da Li Jin sobre o assunto.

Não só o texto é espetacular, como ela consegue, de uma forma fácil, colocar a transformação pela qual estamos passando. Trago aqui um pouco do que ela descreve agregando algumas reflexões minhas sobre o assunto.

Foram vários os pontos do texto que me chamaram a atenção, a começar pela razão pela qual a internet como a conhecemos hoje não comportar formas de facilitar o fluxo de valores através dela. Tudo que fazemos nela e que envolve dinheiro, por exemplo, tem que ser feito de uma forma externa a ela e com muita fricção, com o uso de cartões de crédito, utilização de publicidade etc.. Segundo o texto, Marc Andreessen chama isso de “o pecado original da internet”.

Esse é um ângulo que, apesar de ver as formas de monetização bem complexas da internet, eu nunca tinha refletido sobre até ver essa explicação.

O papel da internet foi o de mudar o foco de poder das mãos dos consolidadores de conteúdo (publishers) para a das grandes plataformas.

Ter vários usuários se tornou, durante os últimos anos, uma fixação de todo empreendedor web. Vários modelos de negócio se desenvolveram com esse racional. O racional de investir muito dinheiro para adquirir usuários, tendo prejuízo por um longo tempo, para depois, com uma base de clientes considerável, você conseguir monetizar o negócio. Essa foi a forma como muitos unicórnios atuais foram construídos.

Com isso, grandes plataformas foram criadas. Facebook e Google que o digam.

O que a Web 3.0 muda é que, com todas as tecnologias que a envolvem, ela faz com que seja possível construir uma forma de interação com vários modelos novos de monetização, mais diretos, transparentes e que não geram a quantidade de fricção que os modelos atuais o fazem.

Colocado de outra maneira, o que está sendo construído muda o foco de poder das plataformas para os produtores, indivíduos, etc.. Isso já começa a ter impactos profundos em todos os setores e o foco crescente de inúmeros fundos de venture capital para iniciativas web 3.0 é certamente um dos sinais dessa mudança.

Sempre vi os NFTs, DAOs e a criação de novos modelos econômicos programáveis como elos importantes dessa nova fase. Nos últimos meses tenho praticamente respirado esse último ponto. Estudando, testando e investindo em inúmeros modelos focados na criação de novas moedas.

Projetos espetaculares e que tem no seu cerne a ideia dessa mudança de poder. Ter o controle, de forma programada e transparente de todos os aspectos da moeda, é um dos conceitos que sempre aparecem nas discussões. Usar NFTs, é sempre uma possibilidade a ser estudada e nascer com uma estrutura de governança que possibilitara a implementação de uma DAO em breve fazem também parte.

O texto da Li traz outro aspecto, o de que o suporte aos criadores virará um investimento e não mais um ato de altruísmo, já que ele possibilitará ao investidor comprar determinado NFT e ajudar o artista, no caso de um NFT de arte, a desenvolver o mercado para ele.

Eu não vejo isso como uma grande mudança de modelo, mas como uma ampliação do público de investidores que esse artista passa a ter. Investir em artistas sempre foi o business de várias galerias de arte do mundo, online ou não. A grande diferença aqui é que o artista passa a ter acesso a uma gama muito superior de investidores e a poder ter parte das receitas futuras das negociações da sua arte e não somente da primeira venda. Uma mudança significativa, com certeza.

Termos controle e poder sobre tudo que é efetivamente nosso e não representações de coisas teoricamente nossas junto a terceiros centralizadores é o anseio de toda uma geração que está aí e o desenvolvimento da Web 3.0 a forma de se realizar isso.

Isso terá impactos em tudo o que vemos a frente pelo próprio questionamento de legitimidade relativo a esse conceito: aquela plataforma representa os meus valores? E aquele banco? E aquele político? E aquele sistema político?

A utopia cripto de se criar uma comunidade a volta de uma governança distribuída, onde todos decidem praticamente tudo e você tenha propriedade direta que tudo que é seu, está cada vez mais próxima de nós e com a possibilidade de acontecer em termos globais.

A questão que fica e como tratar temas como diferenças culturais, ética e outros temas sociais dentro dessas iniciativas. Esse para mim é o maior desafio desse novo mundo que estamos hoje presenciando sua criação.

Depois me conta suas reflexões em relação a isso.

Instagram: @Fintrender
Twitter: @Fintrender
Site: www.fintrender.com
Facebook: @Fintrender
Youtube: @Fintrender
Podcast: Fintechs e novos investimentos

Links usados nesse artigo e para quem quiser ir além:

The Web3 Renaissance: A Golden Age for Content – by Li Jin
Você é cliente ou dono de uma empresa? Ou as duas coisas?
NFTs de obras de arte, cards da NBA e outros colecionáveis movimentam milhões de dólares; entenda o que é e como funciona

Gustavo Cunha

Sócio da gestora de ativos digitais Resetfunds, e do portal de educação Fintrender. Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro, foi ex-diretor do Rabobank Brasil, e está há mais de 5 anos no mercado cripto. Escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É um experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal)