Pré-candidato do PSDB, Datena tem até dia 30 para deixar programa na TV Bandeirantes

PSDB marcou para quinta-feira (13) o lançamento da pré-candidatura de Datena a prefeito de São Paulo; evento tucano acontecerá a partir das 10h30, no Novotel Jaraguá, no centro da capital paulista; saiba como será

Fábio Matos

José Luiz Datena, apresentador de TV (Foto: Beto Barata/PR)

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Prestes a ser lançado oficialmente como pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo (SP), o apresentador de TV José Luiz Datena terá poucos dias para, enfim, sacramentar a decisão de concorrer ou não à sucessão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na maior cidade do Brasil.

De acordo com a legislação eleitoral, Datena só poderá continuar à frente do programa Brasil Urgente, que apresenta na TV Bandeirantes, até o dia 29 de junho (que cai em um sábado). A partir do dia 30 de junho (domingo), caso decida mesmo disputar a eleição, o jornalista terá de abandonar o programa (leia aqui todas as regras da Justiça Eleitoral).

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O Brasil Urgente é um telejornal policial, com viés bastante popular, exibido pela Band de segunda a sábado, das 16h às 19h20.

Ainda de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as convenções partidárias que vão definir as candidaturas para as eleições de 2024 devem ocorrer entre os dias 20 de julho e 5 de agosto. Definidos os candidatos, os partidos terão até 15 de agosto para registrar os nomes na Justiça Eleitoral.

Convite para a cerimônia de lançamento da pré-candidatura de José Luiz Datena à prefeitura de São Paulo (SP) pelo PSDB (Foto: Reprodução)

O lançamento da pré-candidatura

O PSDB marcou para quinta-feira (13) o lançamento da pré-candidatura de Datena a prefeito de São Paulo. O evento tucano acontecerá a partir das 10h30, no Novotel Jaraguá, no centro da capital paulista, e reunirá algumas das principais lideranças do partido.

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São esperadas as presenças do presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo (GO), e do deputado federal Aécio Neves (MG), que disputou a Presidência da República nas eleições de 2014.

O presidente do diretório municipal do PSDB em São Paulo, José Aníbal, também comparecerá, assim como o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB), que comanda a federação PSDB-Cidadania no estado de São Paulo.

Datena deve fazer um discurso de agradecimento ao partido e pretende colocar seu nome à disposição da legenda para liderar a chapa tucana à prefeitura da capital.

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Desde que foi fundado, em 1988, o PSDB sempre teve candidato próprio nas eleições municipais em São Paulo. A legenda elegeu três prefeitos: José Serra (em 2004), João Doria (2016) e Bruno Covas (2020). Ricardo Nunes, o atual prefeito, era vice de Covas e assumiu a prefeitura com a morte do tucano, em 2021.

Datena era cotado para vice de Tabata

Datena vinha sendo cotado para ocupar a vaga de candidato a vice na chapa liderada pela deputada federal Tabata Amaral (SP), pré-candidata do PSB à prefeitura da capital paulista. Em abril, apenas 4 meses depois de se filiar ao PSB, Datena migrou para o PSDB, em um acordo que supostamente atrairia os tucanos para a chapa da parlamentar.

Apesar das especulações de que poderia ser vice de Tabata, Datena nunca assumiu, publicamente, a pré-candidatura. Desde que trocou de partido, o apresentador vinha sendo pressionado por nomes como Aécio, Perillo e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), a liderar a chapa tucana na maior cidade do Brasil.

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O presidente do diretório paulistano do PSDB, o ex-senador José Aníbal (SP), é um dos nomes ventilados para ser candidato a vice em uma possível chapa “puro sangue” liderada por Datena. Outra hipótese seria tentar convencer Tabata a desistir de sua candidatura e ser vice do apresentador – mas essa possibilidade é considerada quase nula, segundo dirigentes do PSB.

Em entrevista ao InfoMoney, em abril, Aníbal já afirmava que o PSDB queria “recuperar seu protagonismo” nas eleições municipais. “Não podemos deixar que usem nossa legenda para negociar acordos políticos aqui ou ali e não termos protagonismo no processo. Temos de falar, nos posicionar e dizer o que o partido pensa que seria importante para a cidade de São Paulo”, afirmou.

O apresentador da TV Bandeirantes já passou por 10 partidos em sua trajetória política, embora jamais tenha se candidatado a nenhum cargo. Antes de trocar o PSB pelo PSDB, Datena já fez parte de PT, PP, PRP, DEM, MDB, PSL, PSD, União Brasil e PSC – em uma verdadeira “montanha-russa” partidária.

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Namoro antigo com os tucanos

Nas eleições municipais de 2020, Datena esteve muito próximo de ser companheiro de chapa do então prefeito Bruno Covas (PSDB), que buscava renovar o mandato. Então filiado ao MDB, ele teve uma série de conversas com Covas, que se animava com a possibilidade de ter o apresentador como vice.

Na reta final, Datena – autor de bordões que se tornaram icônicos na TV como “quero ‘ibagens’”, “põe na tela”, “é só nosso” e “me ajuda aí, pô” – recuou mais uma vez, alegando que a TV Bandeirantes havia lhe pedido para permanecer na emissora. O candidato a vice na chapa foi Ricardo Nunes (MDB), que acabaria assumindo a prefeitura após a morte de Covas, em 2021, e agora tenta a reeleição.

Ao se filiar ao PSDB, Datena relembrou o episódio e disse que errou ao não ter aceitado o convite de Covas. “Eu deixei de ser vice-prefeito dele e acho que foi a pior coisa que eu fiz. Acabou caindo no colo do atual prefeito, que transformou São Paulo no que eu vi vindo para cá hoje”, disse.

De Lula a Bolsonaro, de Boulos a Doria

A vida político-partidária de Datena teve início no Partido dos Trabalhadores, de Luiz Inácio Lula da Silva. O jornalista foi filiado ao PT durante 23 anos, entre 1992 e 2015, e sempre se regozijou publicamente pela amizade que dizia nutrir por Lula.

As denúncias de corrupção que abalaram o PT, especialmente a partir da eclosão da Operação Lava Jato e do escândalo do “petrolão”, afastaram Datena dos petistas. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), ele se aproximou do então presidente da República – que entrevistou algumas vezes e com quem mantinha encontros regulares, inclusive no Palácio do Planalto.

Em 2022, quando estava no PSC, Datena foi cogitado novamente como candidato ao Senado, possivelmente com o apoio de Bolsonaro e do então candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) – hoje governador do estado. Bolsonaro chegou a dizer que havia “fechado com o Datena”, porém, horas depois dessa declaração, o apresentador agradeceu pelo apoio, mas desistiu da disputa.

O vaivém de Datena na política também o aproximou de nomes como o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), pré-candidato à prefeitura de São Paulo, e o ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

Em abril do ano passado, Datena apareceu em um vídeo ao lado de Boulos, em que conversavam sobre o cenário eleitoral na capital paulista. “Se você peitar o PT e nós sairmos candidatos, se você falar para o Lula ‘eu quero o Datena como vice e sinto muito’, nós podemos sair”, disse o jornalista, na gravação. Após o vazamento do vídeo, Datena negou que tenha pedido para ser vice de Boulos.

Em 2022, o apresentador também foi especulado como vice da chapa de Ciro Gomes à Presidência da República. Os dois se reuniram para tratar do assunto, mas as conversas não foram adiante.

Por fim, José Luiz Datena já declarou apoio, em 2021, ao ex-governador de São Paulo João Doria (na época, no PSDB) para a Presidência da República. O jornalista foi apresentado como pré-candidato a senador pelo União Brasil, com o apoio dos tucanos paulistas, mas desistiu da disputa após Doria retirar sua candidatura presidencial por não ter obtido apoio interno na legenda. “Doria fez o movimento errado de novo. Ele deixa de ser o traído pelo PSDB e trai o Rodrigo Garcia. Por consequência, eu não tenho mais nenhum compromisso com essa chapa”, afirmou Datena na ocasião.

Na filiação ao PSDB, o 11º partido em sua biografia, Datena se disse honrado e feliz com a nova oportunidade na política, mas não foi assertivo ao comentar a possibilidade de se candidatar em outubro. “O futuro a Deus pertence. Por que eu ia convidar a Tabata para vir aqui se eu penso de forma diferente? Mas não depende só de nós”, afirmou. “Os partidos estão conversando. Precisa perguntar mais para os dirigentes dos partidos. Eles que respondam.”

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”