Aécio, sobre possível candidatura de Datena em SP: “Não temos o direito de desprezar”

Deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), uma das principais lideranças da legenda, defende candidatura do apresentador à prefeitura de São Paulo; se Datena desistir de concorrer, diz Aécio, haverá "plano B"

Fábio Matos

José Luiz Datena, apresentador de TV (Foto: Beto Barata/PR)

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A possível candidatura do apresentador de TV José Luiz Datena à prefeitura de São Paulo (SP) pelo PSDB, anunciada pelo próprio jornalista em conversas com lideranças do partido, é motivo de entusiasmo e pode recolocar a legenda no centro do debate político a partir das eleições municipais.

A avaliação é do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), um dos defensores da tese de que o partido deve ter candidato próprio na maior cidade do Brasil em outubro.

Até então, Datena era o nome mais cotado para ocupar a vaga de candidato a vice na chapa liderada pela deputada federal Tabata Amaral (SP), pré-candidata do PSB à prefeitura da capital paulista. Em abril, apenas 4 meses depois de se filiar ao PSB, Datena migrou para o PSDB, em um acordo que supostamente atrairia os tucanos para a chapa da parlamentar.

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Apesar das especulações de que poderia ser vice de Tabata, Datena nunca assumiu, publicamente, a pré-candidatura. Desde que trocou de partido, o apresentador vinha sendo pressionado por nomes como Aécio e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), para liderar a chapa tucana na maior cidade do Brasil.

Desde que foi fundado, em 1988, o PSDB sempre teve candidato próprio nas eleições municipais em São Paulo. A legenda elegeu três prefeitos: José Serra (em 2004), João Doria (2016) e Bruno Covas (2020). O atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB), era vice de Covas e assumiu a prefeitura com a morte do tucano, em 2021.

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“São Paulo é a única eleição nacional que o Brasil viverá neste ano, cujo resultado, de alguma forma, sinaliza para algo especial para 2026. O PSDB quer dar um sinal nessa campanha e mostrar que não está vinculado a um polo ou outro. Uma candidatura própria seria a forma mais adequada de mostrarmos isso”, afirmou Aécio, em entrevista ao UOL, nesta sexta-feira (17).

“Surgiu o Datena, uma figura popular e que impacta nas pesquisas. Pensando pragmaticamente, ele nos dá um palanque para dizermos o que queremos ao Brasil”, prosseguiu o deputado e ex-senador. “Se ele realmente tiver disposição de disputar as eleições embalado em um conteúdo, com quadros do PSDB ao seu lado e falando de futuro, é uma alternativa que nós não temos sequer o direito de desprezar.”

Na entrevista, o parlamentar – que disputou a Presidência da República pelo PSDB em 2014 e foi derrotado, no segundo turno, por Dilma Rousseff (PT) – revelou que terá uma reunião, ainda nesta sexta, com o presidente nacional do partido, Marconi Perillo, e o comandante do diretório municipal de São Paulo, José Aníbal, “que pode ser definitiva” para sacramentar a candidatura de Datena.

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“Se sofremos muito no Brasil, em São Paulo essas decisões equivocadas custaram um preço muito alto. Foi a partir do privilégio paulista sobre o nacional que fomos impedidos de ter uma candidatura à Presidência da República”, criticou Aécio, sem mencionar o nome do ex-governador de São Paulo João Doria (hoje sem partido), que tentou viabilizar seu nome para disputar o Planalto em 2022, sem sucesso.

Ainda segundo Aécio, mesmo se Datena acabar desistindo novamente de ser candidato – como tem sido corriqueiro nas últimas eleições –, o PSDB está preparado para apresentar um “plano B” nas eleições paulistanas.

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“Essa conversa com o Datena, se ele se dispuser a disputar essas eleições, será construída com conteúdo. Ele, provavelmente, terá um companheiro tucano raiz ao seu lado na chapa para poder falar novamente para São Paulo”, diz o deputado. “Prefiro essa alternativa, com todos os riscos, a um alinhamento por conta de espaço político que nos misturará com outros grupos que já estão consolidados.”

“Estamos convencidos de que ele cumpre um papel essencial para nós, que é sair dessa eleição sem vínculo com um ou outro campo, já que temos um projeto nacional. Se ele não for [candidato], estamos preparados também para encontrar rapidamente outro caminho, um plano B. Sempre defenderei a candidatura própria”, concluiu Aécio.

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”