FIIs de “papel” têm sessão negativa e seguram Ifix, que fecha estável; DEVA11 cai 1,25%

FII possui CRIs da Gramado Parks, que teve o pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça

Ana Paula Ribeiro

Movimento em shopping center (Foto: Pixabay)
Movimento em shopping center (Foto: Pixabay)

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Os fundos imobiliários de papel impediram que o Ifix – índice dos fundos imobiliários mais negociados na Bolsa avançasse para o terreno positivo. O índice encerrou o pregão estável, aos 2.809 pontos (-0,01%), principalmeente pelo desempenho das carteiras que compram títulos emitidos por empresas do setor.

Entre os destaques negativos, o Devant Recebíveis imobiliários DEVA11 recuou 1,25%. Esse FII tem em seu patrimônio os CRIs da Gramado Parks, que teve o seu pedido de recuperação judicial aceito nesta quarta-feira pela Justiça do Rio Grande do Sul.

O DEVA11 tem ainda em sua carteira papeís do Circuito de Compras, WAM Holding e Loteamento NG30, que também estão inadimplentes.

Esse não foi o único fundo de papel com queda relevante.  Cartesia Recebíveis Imobiliários CACR11  teve desvalorização de 1,48% e o Urca Prime URPR11 recuou 1,22%.

Já entre as altas da sessão, o Rio Bravo Renda Corporativa RCRB11  subiu 2,7%.

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Maiores altas desta terça-feira (18):

Ticker Nome Setor Variação (%)
RCRB11 Rio Bravo Renda Corporativa Lajes corporativas 2,70
RBFF11 Rio Bravo Ifix FoF 2,54
HGRE11 CSHG Real Estate Lajes corporativas 1,99
BBPO11 BB Progressivo II Agências 1,69
IBCR11 CRI Integral Brei Títulos e Val. Mob. 1,49

Maiores baixas desta terça-feira (18):

Ticker Nome Setor Variação (%)
HSLG11 HSI Logística Logística -1,76
CACR11 Cartesia Recebíveis Imobiliários Títulos e Val. Mob. -1,48
PVBI11 VBI Prime Properties Lajes corporativas -1,28
DEVA11 Devant Títulos e Val. Mob. -1,25
URPR11 Urca Prime Renda Títulos e Val. Mob. -1,22

Fonte: B3

Fundos de shoppings no radar do Itaú

O Itaú destaca como positivo o aumento do fluxo de visitantes aos shoppings. No entanto, se mostra preocupado com o nível de endividamento dos fundos imobiliários avaliados, uma vez que o crescimento das receitas dessas carteiras pode ser insuficiente para lidar com o aumento dos custos da dívida.

O relatório da instituição avaliou o setor e uma carteira recomendada composta por cinco fundos: HGBS11, HSML11 MALL11 VISC11 e XPML11. Desses, o único com recomendação de compra é o HSI Malls Fundo de Investimento Imobiliario (HSML11).

A dúvida é se esse crescimento é uma tendência ou ainda reflexo do represamento ocorrido durante o período da pandemia da Covid-19. Junta-se a isso o fato de os fundos da carteira recomendada terem, no geral, um alto nível de endividamento em um momento em que estão para vencer os prazos de carência de juros e amortização da dívida.

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“Com o término desses prazos, a linha de despesa financeira dos fundos deve crescer e, se a receita imobiliária não acompanhar esse crescimento, os proventos dos fundos podem ser impactados negativamente, o que deve desagradar os cotistas”, avaliou o relatório.

É com base nesse cenário que a recomendação de compra é para o HSML11, que é a cota com valor mais descontado na carteira, embora tenha um nível de endividamento elevado.

O nível de endividamento dos fundos de shopping é medido pela relação entre ativo total e obrigação financeira (seja por aquisição de imóveis ou securitização de recebíveis).

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O que possui o menor índice de endividamento geral é o Hedge Brasil Shopping (HGBS11), com nível zero. O maior é o HSML11, com índice em 36%, ou seja, as obrigações representam 36% do ativo total.

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Cotistas do BMLC11 irão avaliar proposta de aqusição; RNGO11 fecha contrato de locação

Confira as últimas informações divulgadas por fundos imobiliários em fatos relevantes:

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BMLC11 proposta de aquisição

O FII BM Brascan Lajes Corporativas (BMLC11) recebeu uma proposta para vender o segundo andar de um dos pavimentos que possui no Brascan Century, localizado no bairro do Itaim Bibi, na capital paulista. A decisão da venda caberá aos cotistas, que serão convocados para uma assembleia extraordinária.

O BMLC11 é proprietário de parte do edifício e a proposta recebida consiste na aquisição do segundo pavimento do edifício, além das vagas de garagem, o que resulta em 726,6 m2. O valor oferecido é de R$ 9,012 milhões, à vista, o que equivale a um valor por metro quadrado de R$ 12.403.

A Argucia Capital, gestora do fundo, entende que esse preço é 1,3% abaixo do valor justo do ativo, não refletindo “a totalidade do valor que potencialmente pode ser obtido com a venda destes ativos, seja no curto ou no médio prazo”.

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A aceitação da proposta, no entanto, caberá aos cotistas, que serão convocadas para a assembleia – ainda sem data marcada.

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RNGO11 fecha contrato de locação com Localiza, mas perde Warner Bross

O fundo Rio Negro (RNGO11) anunciou que fechou um contrato de locação com a Localiza Rent a Car para 381 vagas do Deck Park e um depósito, localizados no segundo subsolo do Centro Administrativo Rio Negro, em Alphaville, Barueri (SP). O novo contrato terá um impacto positivo de, aproximadamente, R$ 0,01 por cota no resultado mensal do fundo.

O prazo de locação é de seis meses e teve início em 6 de abril, podendo ser renovado por igual período. O aviso prévio para encerramento antecipado do contrato é de 90 dias, com multa rescisória proporcional equivalente uma vez o aluguel do mês vigente.

Por outro lado, o fundo informou que a Warner Bross, locatária do oitavo e nono andares do Edifício Padauiri, também em Baurueri, informou a devolução das chaves do novo andar, em um contrato que originalmente terminaria em outubro de 2026.

Essa área é de 1.356,36 metros quadrados, o equivalente a 3,5% da área locável do fundo. Com isso, a vacância projetada passará a ser de 29,2% da ABL total.

Dividendos hoje

Confira os FIIs que distribuem dividendos nesta quarta-feira (19):

Ticker Rendimento Retorno
CPFF11 R$ 0,40 0,71%
IBCR11 R$ 0,80 1,07%
IRDM11 R$ 0,91 1,14%
MGFF11 R$ 0,54 0,99%
RBRF11 R$ 0,63 0,95%
RBRR11 R$ 1,00 1,16%
RBRY11 R$ 1,25 1,33%

Fonte: StatusInvest

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Giro Imobiliário: Recursos do FGTS no Minha Casa, Minha Vida; CCR desiste de aeroporto e irá devolver participação em terreno

Minha Casa, Minha Vida

O secretário nacional de Habitação, do Ministério das Cidades, Hailton Madureira, afirmou nesta quarta-feira (19) que o governo federal estuda utilizar recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) visando melhorar a estrutura de capital das construtoras para a retomada do Minha Casa Minha Vida (MCMV).

“Isso já foi feito em anos anteriores e acreditamos que pode ser um funding importante para que as construtoras tenham fôlego”, afirmou o secretário, durante evento da XP destinado a home builders.

Na medida provisória que relançou o programa, o governo estima R$ 19,5 bilhões em recursos para financiar a construção de moradias dentro do programa, mas há um pleito das empresas em formas de diminuir a alavancagem antes de embarcar em novos empreendimentos.

O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, apresentou ao governo a possibilidade de emitir Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) com funding do FGTS, a uma taxa de TR + 7,5% ao ano. A medida poderia trazer cerca de R$ 20 bilhões para empresas do segmento e está em discussão no Conselho Curador do FGTS.

CCR (CCRO3)

A empresa de concessões rodoviárias CCR (CCRO3) informou que decidiu pela descontinuidade do Projeto Nasp (Novo Aeroporto de São Paulo), na região metropolitana da capital paulista.

Em fevereiro de 2016, a Companhia de Participações em Concessões (CPC), controlada da CCR, celebrou contrato na condição de compromissária compradora para aquisição de um terreno situado nos municípios de Cajamar e Caieiras pelo valor total de R$ 387, 4 milhões.

O objetivo seria construir na área o terceiro aeroporto da região metropolitana de São Paulo, mas o projeto não avançou pela não aprovação de regulamentação.

Segundo comunicado, a Sociedade de Participações em Concessões Privadas, subsidiária integral da CCR e atual detentora do terreno, após tratativas com a Space Empreendimentos Imobiliários e o grupo Melhoramentos e em cumprimento à obrigação contratual, notificou, a Space para devolução de 29,76% da área total do terreno, conforme previsão contratual original.

Log-In (LOGN3)

A Log-In Logística Intermodal (LOGN3) anunciou o novo Serviço Expresso Amazonas, que tem como objetivo atender as demandas logísticas da região Norte, sobretudo, do Polo Industrial de Manaus.

O Serviço Expresso Amazonas contará com uma rota direta entre Manaus (AM) e o Porto de Santos (SP), sem escalas, reduzindo para, aproximadamente, nove dias o tempo de viagem das cargas transportadas entre esses portos, a partir da oferta de uma rota expressa. No sentido Norte, o Serviço escalará os portos de Santos, Navegantes, Salvador, Suape e Pecém.