Carteiras recomendadas

As ações favoritas dos analistas para investir em novembro

Levantamento com 12 casas de análise mostra preferência por blue chips como Petrobras e Vale, além de Rumo Logística

(SHutterstock)

SÃO PAULO – Após um mês marcado pela aprovação da reforma da Previdência e por um novo corte da Selic, para 5% ao ano, novembro começa com o mercado monitorando a cena local, de olho na continuação da agenda de reformas, no megaleilão de barris excedentes da cessão onerosa, que acontece nesta semana, e na safra de balanços corporativos do terceiro trimestre.

Diante da expectativa de retomada da economia e em um contexto de juros ainda em trajetória de queda, analistas continuam apostando principalmente em teses vinculadas ao desempenho da atividade doméstica, de setores como varejo, logística, financeiro e de infraestrutura.

Levantamento feito pelo InfoMoney com 12 casas de análise mostra que a preferência para este mês recai sobre os papéis das blue chips Petrobras, com oito recomendações, e Vale, com seis menções. Por conta do empate no número de recomendações, a lista de novembro conta com 11 nomes (seis a mais que o normal). Novidades do portfólio, IRB, JBS, Lojas Renner e Pão de Açúcar receberam quatro menções cada.

Confira a seguir as ações mais indicadas pelos analistas para novembro e as principais justificativas para as escolhas:

Empresa Ticker Recomendações*
Petrobras PETR3; PETR4 8
Vale VALE3 6
Rumo RAIL3 5
Bradesco BBDC4 4
Iguatemi IGTA3 4
IRB IRBR3 4
JBS JBSS3 4
Localiza RENT3 4
Lojas Renner LREN3 4
Magazine Luiza MGLU3 4
Pão de Açúcar PCAR4 4
*Recomendações compiladas das carteiras de ações de BB Investimentos, Bradesco Corretora, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, Necton, Rico, Santander Corretora, Socopa, Terra e XP.

 

Petrobras (PETR3; PETR4)

De volta ao topo do ranking, Petrobras é a companhia mais recomendada pelas casas de análise para novembro, com oito recomendações. Destaque do mês, os analistas chamam atenção para o leilão do óleo excedente da cessão onerosa, marcado para o dia 6, que poderá, segundo a Elite Investimentos, proporcionar à estatal áreas altamente produtivas para a exploração de óleo e gás.

O bônus de assinatura da disputa é de R$ 106,5 bilhões – dos quais R$ 33,6 bilhões serão descontados pela União para pagar a Petrobras na revisão do contrato original, fechado em 2010.

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Ainda no curto prazo, a equipe da Guide Investimentos destaca a continuidade da venda de ativos onshore (no continente) e o avanço do projeto de desinvestimento das refinarias.

“A Petrobras vem reposicionando seu portfólio em ativos de maior rentabilidade, com foco na desalavancagem financeira da estatal. Além disso, a expectativa de maior volume de produção para este ano, viabilizado pelo ramp-up [aceleração de ritmo de produção] das plataformas recém-instaladas, deverão impulsionar margens e a geração de caixa operacional da companhia em 2019”, escrevem os analistas.

Vale (VALE3)

A mineradora Vale, que já figurava entre as ações mais recomendadas para outubro, voltou a integrar o ranking, com seis indicações – duas a mais que no mês passado. Segundo o BB Investimentos, que incluiu os papéis em sua seleção de ativos para este mês, o cenário de minério de ferro está em um momento favorável, com preços em níveis elevados e demanda ainda consistente, especialmente na China.

“Após resultados cheios de provisões no primeiro semestre, vemos agora uma empresa com balanço mais previsível, mesmo que os riscos de uma legislação mais restrita no Brasil ainda não tenham sido superados (ou suficientemente reduzidos)”, diz a equipe, em relatório.

Rumo (RAIL3)

A opção feita pela Bradesco Corretora de incluir Rumo no portfólio se deve à visão de as ações estarem sendo negociadas com uma taxa interna de retorno atraente, com custos crescentes de logística, que beneficiariam a companhia, e de olho na renovação da concessão da Malha Paulista, que deve ser aprovada nos próximos meses. De acordo com os analistas, a expectativa é de que a companhia tenha um crescimento entre 9% e 10% neste segundo semestre.

Bradesco (BBDC4)

A XP Investimentos decidiu manter Bradesco em sua carteira recomendada diante da visão de maior apetite a risco do banco, que deve, segundo os analistas, resultar em um crescimento da carteira de varejo. Além disso, a equipe cita o maior espaço para redução de despesas de provisões, bem como múltiplos com desconto, considerando o crescimento de lucro projetado.

Iguatemi (IGTA3)

A característica defensiva da rede de shopping centers e os resultados fortes e resilientes nos últimos trimestres, com crescimento de vendas e aluguel nas mesmas lojas, estão entre as principais justificativas para a recomendação dos papéis da Iguatemi pela Guide Investimentos.

“A retomada do consumo privado e o ambiente de juros baixos, com possibilidade de Selic abaixo de 5%, devem contribuir para o crescimento da receita e a desalavancagem da companhia nesses próximos trimestres”, assinala a Guide.

IRB (IRBR3)

O papel do IRB Brasil faz parte das inclusões feitas pela Rico em novembro, em meio à avaliação de que a empresa opera com uma margem muito elevada, tem alta participação no mercado de resseguros brasileiro e apresenta crescimento também no exterior. A empresa divulga seu resultado do terceiro trimestre na próxima quarta-feira (06), após o fechamento do mercado.

De acordo com a Guide Investimentos, uma expectativa de aumento do subsídio do governo federal para agricultores brasileiros, além de processos de privatização em aeroportos, rodovias, ferrovias e portos, que podem significar contratações de planos de seguros e resseguros mais robustos, justificam uma perspectiva positiva para IRB. “Mesmo com um cenário de taxa Selic mais baixa, acreditamos que IRB venha a apresentar um desempenho operacional acima de seus pares, compensando a menor receita financeira esperada.”

JBS (JBSS3)

Os papéis da JBS são novidade no portfólio da Santander Corretora, que elegeu a companhia como  a principal recomendação no segmento de alimentos e bebidas. “Vemos com bons olhos a resiliência do modelo de negócios da JBS, que é construído sobre uma plataforma industrial de alto desempenho e grande escala, um portfólio de produtos bem diversificado e uma ampla rede de distribuição”, aponta a casa.

Localiza (RENT3)

Apesar da consistente alta das ações, que já acumulam valorização de 50% em 2019, a equipe de análise da XP Investimentos continua otimista com a Localiza por conta de uma maior capacidade de crescimento ante concorrentes de menor porte, de uma maior liberdade de precificação e de um momento favorável por conta das taxas de juros estruturalmente baixas.

Lojas Renner (LREN3)

As ações da Lojas Renner foram incluídas neste mês na carteira recomendada da Santander Corretora, que destacou que enxerga um mercado de vestuário ainda fragmentado no Brasil e mencionou as recentes iniciativas da companhia para expansão internacional e vendas online. “Acreditamos que há uma saudável via de crescimento ainda a ser percorrida pela Renner nos próximos anos.”

Magazine Luiza (MGLU3)

Com apreciação de nada menos que 113% em 2019, as ações do Magazine Luiza voltam a constar na lista de sugestões do mês, com quatro recomendações. Para a equipe da Bradesco Corretora, a posição de liderança da varejista é uma vantagem competitiva e sua rede permite maior densidade em sua logística.

Entre os pilares que sustentam a tese, a instituição cita a posição assertiva da companhia nas categorias de “segunda onda” (vestuários, calçados, artigos esportivos e cosméticos), após a aquisição da Netshoes, e uma visão mais otimista da eficiência de sua logística.

Na semana passada, a varejista anunciou que vai realizar uma oferta pública de distribuição primária e secundária de ações ordinárias, que poderá atingir cerca de R$ 5,3 bilhões.

Pão de Açúcar (PCAR4)

De acordo com a Terra Investimentos, a forte expansão no número de lojas, o ganho de participação no mercado e uma maior diluição das despesas, que cresceram abaixo da inflação, são os principais motivos para a recomendação das ações do Pão de Açúcar.

O lucro líquido dos acionistas controladores do grupo no segmento alimentar atingiu R$ 216 milhões no terceiro trimestre deste ano, alta de 42,8% em relação ao mesmo período de 2018. De forma consolidada, o lucro somou R$ 166 milhões, representando uma expansão de 30% na mesma base de comparação.

“A ação está negociando em um patamar atrativo, muito embora a inflação fraca de alimentos pressione negativamente a rentabilidade do negócio. Contudo, acreditamos que a entrada no Novo Mercado [da B3] e a virada de página com a Éxito será um gatilho positivo. Vemos um boa relação risco-retorno e todo o cenário negativo já precificado”, assinala a Rico, que incluiu os papéis da empresa em sua carteira de novembro.

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