Renda passiva

5 ações que pagam bons dividendos para investir em agosto; Minerva estreia e TIM deixa a lista

Relação de destaques do mês traz Vale e BB empatados na liderança; Petrobras ganha uma recomendação frente a julho

Por  Márcio Anaya -

Com a recuperação vista na última semana, o índice de dividendos da B3 (Idiv) encerrou julho com ganho de 2%, aos 6.773 pontos, elevando para 6,7% a alta acumulada no ano. No mesmo período, o Ibovespa registra perda de 1,6%.

Em meio à safra de balanços do segundo trimestre, as corretoras monitoradas pelo InfoMoney promoveram mudanças nas carteiras de dividendos recomendadas para agosto. Com duas estreias, as ações da Minerva (BEEF3) totalizam quatro indicações e são a novidade do mês no acompanhamento.

O frigorífico entrou no lugar da TIM (TIMS3), que foi substituída por uma casa de análise e saiu da lista principal de destaques.

O topo do ranking, desta vez, traz um empate entre os papéis da Vale (VALE3) e s do Banco do Brasil (BBAS3), ambos com seis apontamentos. A mineradora perdeu uma recomendação em relação a julho.

O segundo bloco das mais citadas tem a Engie (EGIE3), que sustentou as cinco menções recebidas no mês passado, empatada com Petrobras (PETR4), que igualou a marca neste mês após ingressar na carteira recomendada por uma corretora.

Em seu relatório mensal, o BTG Pactual comenta que os resultados das empresas brasileiras listadas têm se mostrado resilientes e, com isso, os níveis atuais de precificação indicam que os ativos bastante descontados.

O banco projeta uma queda anual de 2,4% nos lucros consolidados de 2022, mas destaca que as estimativas foram revisadas para cima nos últimos seis meses. Observa ainda que, excluindo da conta as gigantes Petrobras e Vale, a previsão para o ano mostra um pequeno aumento nos ganhos consolidados das companhias, de 0,9%.

Todo início de mês, o InfoMoney realiza um levantamento das carteiras de ações recomendadas para quem tem foco em dividendos, apontando os cinco papéis preferidos dos especialistas. O número pode ser maior, se houver empate. A análise engloba os portfólios sugeridos por dez corretoras. Veja a seguir as companhias selecionadas para agosto:

EmpresaTickerNº de recomendações Dividend yield em 12 meses (%)Retorno em julho (%)Retorno em 2022 (%) Retorno em 12 meses (%)
ValeVALE3617,08-8,89-7,09-26,48
Banco do BrasilBBAS368,507,7631,6924,65
EngieEGIE355,647,3119,5624,45
PetrobrasPETR4533,7322,2746,2183,99
MinervaBEEF345,28-1,2826,8255,13

Vale (VALE3)

Pelo segundo mês consecutivo, a mineradora perdeu uma recomendação nas revisões das carteiras de dividendos. Ainda assim, figura em seis dos dez portfólios pesquisados e se mantém em primeiro lugar – desta vez dividindo o topo da lista com o Banco do Brasil.

Na opinião da Ágora Investimentos, o desempenho recente das ações da Vale continua sendo exageradamente negativo.

“Os preços do minério de ferro permaneceram resilientes no primeiro semestre do ano, ainda refletindo a menor oferta, a diminuição dos estoques da commodity e a sólida produção de aço chinesa (que não se deteriorou significativamente, mesmo com as restrições relacionadas à Covid-19)”, diz relatório da instituição.

Segundo a Ágora, a recuperação na demanda por aço neste terceiro trimestre e a expectativa de melhora na lucratividade das siderúrgicas devem fornecer alguma sustentação às cotações do minério. A casa elevou sua estimativa de valor médio da commodity para este ano, de US$ 130 para US$ 140 a tonelada, corrigindo para US$ 110 a tonelada em 2023, “à medida que a oferta aumente”.

Pelos cálculos da casa, o ambiente de preços do minério acima da média deve manter saudável a geração de caixa da Vale, de US$ 16 bilhões em 2022 e US$ 12 bilhões em 2023. Tal conjuntura, diz, irá se traduzir em forte remuneração aos acionistas, de mais de 20%, entre dividendos e recompras de ações.

Banco do Brasil (BBAS3)

A instituição financeira se mantém com seis indicações e permanece entre os destaques do mês nos portfólios de dividendos.

Em julho, as ações do banco tiveram alta de 6,5%, desempenho que a XP atribui ao movimento do investidor em busca de ativos mais defensivos e descontados, para enfrentar os desafios macroeconômicos. A corretora tem o BB como top pick do setor.

“Reafirmamos nossa visão construtiva em relação ao papel”, diz relatório da XP, destacando que o banco é líder de mercado em linhas de crédito que têm apresentado crescimento robusto, principalmente no segmento rural; e que registram as menores taxas de inadimplência, sobretudo o crédito consignado. Além disso, destaca a casa, o BB possui o maior índice de cobertura entre os grandes bancos brasileiros e apresenta o custo de captação mais barato.

A XP cita também o horizonte promissor de pagamento de proventos, pois acredita que o BB deve aumentar a fatia do lucro a ser distribuída aos acionistas, considerando o cenário de maior capitalização, recuperação dos resultados e um superávit de R$ 22 bilhões no fundo de pensão de seus funcionários (Previ).

Petrobras (PETR4)

 

A estatal de petróleo recebeu uma recomendação a mais em agosto, acumulando cinco apontamentos neste mês. “A entrada de Petrobras é justificada pela nossa visão mais benéfica para o petróleo e o momento positivo de dividendos da companhia”, explica relatório do BTG.

Após várias trocas de presidentes na empresa e os cortes de impostos do governo sobre os combustíveis, o banco acredita que a pressão política sobre a Petrobras pode diminuir. A opinião se baseia na redução de preços dos combustíveis, no real mais valorizado frente ao dólar e no comunicado recente de dividendos. Juntos, esses elementos melhoraram a percepção de risco da empresa.

“Enquanto durar, a performance das ações permanecerá forte, suportando uma visão mais otimista na tese de investimento em relação a todo o mercado”, diz o relatório da instituição.

De acordo com os analistas do banco, o anúncio de R$ 135 bilhões em dividendos (acumulado do ano) relacionados aos resultados de 2022 é uma prova da “capacidade de criação de valor da Petrobras, bem como um plano de reestruturação bem executado que começou em 2016”. Para eles, os fundamentos da companhia podem superar o ruído político.

“O principal risco para o nosso movimento tático é um cenário em que os preços do petróleo voltem a subir e/ou uma nova depreciação do real, o que pode desencadear um fluxo de notícias negativas sobre a política de preços de combustível da Petrobras”, pondera o BTG.

Engie (EGIE3)

Outra empresa com cinco menções no mês é a Engie, uma das maiores concessionárias de energia elétrica privada do País, atuando nos segmentos de geração e comercialização.

“Em nossa visão, o histórico massivo de dividendos, aliado a fatores como boa performance operacional e diversificação da sua matriz energética, com novos investimentos em energias alternativas, colaboram para nossa visão positiva sobre o papel”, diz a Guide Investimentos.

A Elite também possui a Engie em sua carteira recomendada de agosto. A tese da corretora se baseia no fato de que a diversidade de fontes de energia da companhia, muitas delas renováveis, e sua entrada no setor de transmissão e no mercado de transporte de gás podem ajudar a mitigar os riscos hidrológicos.

Além disso, cita a boa capacidade de geração de caixa. “Assim, a empresa consegue aliar o potencial de crescimento no longo prazo com sua capacidade de bons pagamentos de dividendos”.

Minerva (BEEF3)

Neste mês, a novidade no rol de destaques fica por conta do frigorífico Minerva, que estreou em duas carteiras de dividendos e foi mantida em outras duas.

Em relatório, o BTG comenta que o ciclo do gado no Brasil está perto de uma nova virada e deve ser melhor do que o anterior, inclusive com uma quantidade maior de animais disponíveis para abate – um dos fatores que motivou a inclusão da empresa na seleção de agosto.

Cita também o componente de preço da carne bovina, com as demandas brasileira e sul-americana ainda fortes, apoiando a alta dos preços do ano passado. Segundo o banco, isso é um bom sinal para as margens de lucro da companhia e também deve significar receitas mais fortes, beneficiando os resultados.

O BTG diz ainda que os números da empresa são resilientes, com a produção e a experiência comercial “mais fortes do que nunca”.

Outra instituição a incluir a Minerva nas indicações de dividendos foi a Guide. Segundo a corretora, as principais vantagens da companhia são: liderança de mercado em todos os segmentos de atuação; ampla diversificação regional e geográfica, o que dilui o risco das operações; e grande eficiência operacional e de escala, com custos reduzidos frente aos concorrentes.

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