Pressão por reajuste

Servidores do Tesouro decidem entrar em greve; os da CGU votarão na sexta

Com a decisão, sobe para 4 o número de carreiras federais de braços cruzados: já estão parados os do BC, do INSS e do Ministério do Trabalho e Previdência

Por  Equipe InfoMoney -

Os servidores do Tesouro Nacional aprovaram em assembleia nesta terça-feira (17) entrar em greve a partir da segunda-feira (23). Já os da CGU (Controladoria-Geral da União) decidirão na sexta-feira (20) se também iniciam uma paralisação por tempo indeterminado.

Com a decisão dos servidores do Tesouro, sobe para quatro o número de carreiras federais que cruzam os braços, ampliando a pressão sobre o governo Jair Bolsonaro (PL): já estão parados os do Banco Central (BC), os do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os do Ministério do Trabalho e Previdência.

Assim como a paralisação dos servidores do BC está afetando diversas publicações da autoridade monetária, como o Relatório Focus e até o IBC-Br, indicador que é considerado uma “prévia do PIB”, a mobilização dos servidores do Tesouro já afetou a divulgação do relatório mensal da dívida pública federal.

As categorias reivindicam reajustes salariais de 27%, para repor as perdas inflacionárias desde 2019, e não aceitam a sinalização de Bolsonaro e de membros do governo de um reajuste linear de 5% para todas as categorias do funcionalismo federal, inclusive as carreiras do Judiciário e do Legislativo.

Mobilização dos servidores

A mobilização das diversas categorias federais começou após Bolsonaro prometer reajuste salarial apenas para os servidores da segurança pública (policiais federais, policiais rodoviários e agentes penitenciários do Depen), excluindo todos os demais. Mas o governo recuou diante da repercussão negativa da decisão e da mobilização dos servidores federais que não seriam contemplados.

Mesmo após Bolsonaro voltar atrás e prometer um reajuste linear de 5% para todo o funcionalismo público federal, as greves dos funcionários do BC e do INSS não foram encerradas e outras mobilizações. como a dos servidores do Tesouro e da CGU, ganharam força. Além disso, apesar de o presidente já ter sinalizado com o reajuste, a proposta ainda não foi enviada ao Congresso Nacional (ela depende de aprovação de deputados e senadores).

O Banco Central chegou a enviar ao Ministério da Economia na semana passada uma proposta de Medida Provisória que previa um reajuste salarial de 22% para analistas e técnicos do órgão a partir de junho, mas recuou logo depois porque a a proposta causou mal-estar na pasta comandada por Paulo Guedes e foi considerada uma “vergonha” por membros da equipe econômica, segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”.

‘Último recurso’

“A greve é um último recurso, mas neste momento crítico, em que o prazo legal para recomposição salarial em ano eleitoral se esgota e em que persiste a sinalização do governo de reajustes discriminando a carreira de Finanças e Controle, os servidores do Tesouro Nacional aprovaram a intensificação da mobilização”, afirmou em nota o presidente da Unacon Sindical, Bráulio Cerqueira. “Não abrimos mão de defender a nossa carreira e nossas instituições”.

Procurado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, o Tesouro informou que não se manifestará sobre a greve. A assembleia para deliberar sobre a paralisação dos servidores da CGU, que também são representados pela Unacon Sindical, está marcada para as 14h de sexta. O sindicato representa auditores e técnicos federais de Finanças e Controle.

* Com informações da Agência Estado

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