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Inflação nos EUA, dados de serviços no Brasil e mais assuntos que vão movimentar o mercado hoje

Bolsas têm movimento misto à espera dos dados de preços nos Estados Unidos; atenção ainda para a repercussão dos dados de produção da Petrobras

Por  Equipe InfoMoney -

Os índices futuros dos EUA operam mistos na manhã desta quinta-feira (10), antes dos dados de inflação às 10h30 (horário de Brasília), que devem mostrar o ritmo de alta mais forte desde 1982. 

“Seria difícil encontrar alguém que não acredite que o número do CPI vai ser quente, porque parece que estamos jogando um jogo de salto, com todos tentando ser mais hawkish (duro, de preocupação com a inflação) sobre o que o Fed pode ou não fazer e política monetária em 2022. Isso tende a nos preparar para uma continuação do rali”, disse Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da National Securities, em entrevista à CNBC.

Os mercados asiáticos também fecharam mistos, com destaque para o governador do Reserve Bank of India (RBI) que anunciou que o comitê de política monetária votou para manter a taxa de recompra – ou a taxa na qual o banco central empresta a credores comerciais – em 4%.

Por aqui, depois da decepção com o balanço do Bradesco ter derrubado em bloco o setor financeiro, aumenta a tensão com o resultado do Itaú, que sairá hoje à noite. A Vale também divulga seu relatório de produção do quarto trimestre de 2021 após o fechamento e repercute os dados de produção da Petrobras divulgados na noite da véspera. 

Na agenda econômica, o IBGE divulga pesquisa mensal de serviços de janeiro, às 9h.

Confira os destaques:

1. Bolsas Mundiais

Estados Unidos

Os índices futuros dos EUA operam mistos nesta manhã de quinta-feira (10), com investidores atentos aos dados da inflação de janeiro, que deve ser a maior em 40 anos e o impacto dela na política monetária do Fed.

Amplamente posicionado para uma alta de 0,25 pontos percentuais do juro em março pelo Fed, o mercado só será pego de surpresa se a inflação subir demais.

Veja o desempenho dos mercados futuros:

  • Dow Jones Futuro (EUA), +0,03%
  • S&P 500 Futuro (EUA), -0,22%
  • Nasdaq Futuro (EUA), -0,35%

Ásia

Os mercados asiáticos fecharam mistos, mas majoritariamente em alta, enquanto os investidores também aguardavam a divulgação dos dados de inflação ao consumidor dos EUA.

O Reserve Bank of India (RBI) anunciou que o comitê de política monetária manteve a taxa de recompra – ou a taxa na qual o banco central empresta a credores comerciais – em 4%.

A taxa de recompra reversa do RBI, ou a taxa pela qual os bancos comerciais emprestam ao banco central, também permaneceu estável em 3,35%.

  • Shanghai SE (China), +0,42%
  • Nikkei (Japão), +0,17% 
  • Hang Seng Index (Hong Kong), +0,38% 
  • Kospi (Coreia do Sul), +0,11%

Europa

Os mercados europeus operam no terreno positivo após uma enxurrada de lucros corporativos. Os principais resultados vieram do Credit Suisse , Unilever , Siemens , Zurich Insurance , AstraZeneca , TotalEnergies e Société Générale antes da abertura na quinta-feira.

A Siemens registrou um aumento de 52% nos pedidos que levaram o grupo de tecnologia alemão a superar as expectativas de lucro industrial para o trimestre. As ações subiram 6,6% no início do pregão.

O Credit Suisse registrou um prejuízo líquido de 1,57 bilhão de francos suíços no ano inteiro (US$ 1,7 bilhão), bem abaixo das expectativas de um prejuízo de 377,95 milhões de francos suíços, segundo a Refinitiv.

  • FTSE 100 (Reino Unido), +0,09%
  • DAX (Alemanha), +0,22%
  • CAC 40 (França), +0,10%
  • FTSE MIB (Itália), +0,02%

Commodities

Os preços do petróleo operam perto da estabilidade nesta quinta-feira. No radar, está uma queda inesperada nos estoques de petróleo dos Estados Unidos na sessão anterior, enquanto os investidores aguardam o resultado das negociações nucleares EUA-Irã que podem adicionar suprimentos de petróleo rapidamente aos mercados globais.

  • Petróleo WTI, +0,23%, a US$ 89,87 o barril
  • Petróleo Brent, +0,16%, a US$ 91,70 o barril
  • Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve alta de 3,20%, a 821,5 iuanes, o equivalente a US$ 129,19

 

Bitcoin

  • Bitcoin, +1,55% a US$ 44.208,29 (em relação à cotação de 24 horas atrás)

2. Agenda

A agenda de ontem (9) foi marcada pelo recuo de 0,1% nas vendas de varejo em dezembro, dado melhor do que o esperado, e pela alta de 0,54% no IPCA de janeiro de 2022, maior alta mensal desde 2016, mas em linha com o esperado.

A estimativa de analistas consultados pela Refinitiv era de que o IPCA tivesse subido 0,55% em janeiro sobre dezembro e 10,39% contra um ano antes.  Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 10,38%, acima dos 10,06% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Hoje o grande destaque é para a inflação de janeiro nos EUA. Os dados de inflação devem mostrar que os preços subiram 0,5% em janeiro, para uma elevação de 7,3% em relação a um ano atrás, que seria o maior em quase 40 anos. A leitura segue um relatório de empregos de janeiro mais forte do que o esperado, o que levou à especulação de que o Federal Reserve poderia ser mais agressivo quando se trata de aumentar as taxas.

Brasil

9h: IBGE divulga pesquisa mensal de serviços de dezembro, com projeção Refinitiv de alta de 0,9% na base mensal e de 9,1% na base anual 

11h30: Leilão Tradicional (LTN e NTN-F)

EUA

10h30: Índice de Preços ao Consumidor (CPI), com expectativa de alta de 0,5% em janeiro na base mensal e de 7,3% na comparação anual, segundo analistas ouvidos pela Reuters

10h30: Dados de pedidos de auxílio desemprego, com previsão de 230 mil solicitações

 

3. Prioridade do governo é desonerar o diesel, diz Ciro Nogueira

O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, disse em entrevista ao Valor que a prioridade do governo será desonerar o óleo diesel. “Presidente orientou [cortar os impostos sobre o] diesel”, disse, por mensagem. “Prioridade é o diesel”, reforçou.

Ontem (9), Nogueira divulgou uma relação com as prioridades do Executivo para o Legislativo neste ano e listou apenas a formulação de uma proposta no Congresso que autorize a redução temporária de impostos sobre o diesel, sem menção à gasolina.

A desoneração de impostos federais do diesel custará R$ 18 bilhões, o que atenderá a uma das bases eleitorais do presidente  Bolsonaro, os caminhoneiros.

Maioria no STF vota por validade das federações partidárias

O STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta quarta-feira (9) para validar as federações partidárias — união entre partidos que são obrigados a atuar de forma unitária por quatro anos após as eleições, seja em nível federal, estadual ou municipal.

A lei que prevê a formação das federações partidárias foi aprovada pelo Congresso em agosto do ano passado, e em seguida foi vetada pelo presidente Jair Bolsonaro. Mas ela acabou sendo restaurada pelos parlamentares ainda em 2021.

Em 2022, nas eleições de outubro, elas serão utilizadas pela primeira vez. Na prática, as siglas federadas funcionam como um só partido nas instâncias de representação, mas mantêm suas estruturas burocráticas independentes.

Senado aprova PEC que determina o reinvestimento de 70% de outorgas no setor de infraestrutura

O Senado aprovou ontem (9) uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece que ao menos 70% dos recursos obtidos com outorgas onerosas de obras e serviços de transportes sejam reinvestidos no próprio setor de infraestrutura.

O relatório de Jayme Campos (DEM-MT) explica que há previsão de que os recursos gerados para o setor com essa PEC a devem ser de menos do que R$ 7 bilhões por ano. “Esse montante é ligeiramente inferior aos R$ 8 bilhões que o Governo Federal investiu em infraestrutura de transportes em 2021, volume que, cabe destacar, é muito baixo e insuficiente para as necessidades do país”, afirmou Campos.

4. Covid

O Brasil registrou 1.295 mortes e 184.734 casos de covid-19 nas últimas 24h, , segundo informações do consórcio de veículos de imprensa, às 20h. 

A média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 873, a maior registrada em quase 6 meses, elevação de 109% em comparação com o patamar de 14 dias antes.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 163.781, o que representa queda de 4% em relação ao patamar de 14 dias antes. 

Chegou a 151.661.195 de pessoas totalmente imunizadas contra a Covid no Brasil, o equivalente a 70,6% da população.

O número de pessoas que tomaram ao menos a primeira dose de vacinas atingiu 167.657.374 pessoas, o que representa 78,04% da população.

A dose de reforço foi aplicada em 53.479.042 pessoas, ou 24,89% da população.

5. Radar Corporativo

Na temporada de resultados, após o fechamento, Alpargatas (ALPA4) e Multiplan (MULT3) irão divulgar seus números após o fechamento.

Vale (VALE3)

A Vale (VALE3) vai apresentar nesta quinta-feira prévias operacionais de produção de minério de ferro, níquel e pelotas.

Itaú Unibanco (ITUB4)

O Itaú (ITUB4) divulgará nesta quinta-feira (10) seus resultados do quarto trimestre de 2021, após o fechamento do mercado.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras (PETR3;PETR4) registrou uma produção média no quarto trimestre deste ano de 2,70 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) de petróleo, gás natural e líquido de gás natural (LGN), segundo relatório de produção divulgado nesta quarta-feira (09).

Segundo a companhia, essa foi uma redução de 4,5% frente ao terceiro trimestre do ano passado, mas subiu 1% na comparação anual. No acumulado do ano passado, a produção recuou 2%.

Suzano (SUZB3)

A Suzano (SUZB3) registrou um lucro líquido de R$ 2,313 bilhões no quarto trimestre do ano passado, cifra 61% inferior à reportada no mesmo período de 2020.

Em comparação ao terceiro trimestre do ano passado, a empresa melhorou o seu resultado líquido ao reverter prejuízo reportado, na ocasião, de R$ 959 milhões.

Dexco (DXCO3)

A Dexco (DXCO3), fabricante de painéis de madeiras, revestimentos cerâmicos e louças e metais sanitários, obteve lucro líquido recorrente de R$ 407,057 milhões no quarto trimestre de 2021. O montante foi 44,6% maior do que no mesmo intervalo do ano anterior.

Os resultados foram impulsionados pelo nível alto de utilização da capacidade fabril instalada, com diluição de custos. Também houve melhora no mix de produtos comercializados e repasse de aumento de custos para os preços finais.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado e recorrente atingiu R$ 588,114 milhões, avanço de 13,9% na mesma base de comparação.

A margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) recuou de 27,3% para 26,1%. A margem líquida subiu de 14,9% para 18,1%.

A receita líquida totalizou R$ 2,250 bilhões, crescimento de 18,9%.

Embraer (EMBR3)

A Embraer (EMBR3) informou que concluiu a renegociação de aditivos em contratuais com Força Aérea Brasileira (FAB) que resultaram na redução de 28 para 22 do número total de aeronaves KC-390 Millennium a serem entregues.

Conforme a Embraer, estima-se que o resultado das negociações irá gerar uma redução na carteira de pedidos firmes de aproximadamente US$ 500 milhões.

Adicionalmente, a fabricante espera que tais aditivos poderão gerar impacto imediato nos resultados operacionais da Embraer de até US$ 50 milhões, de acordo com a revisão das bases contratuais.

(Com Estadão, Bloomberg e Agência Brasil)

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