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Ibovespa cai 0,52%, dólar sobe e volta a R$ 5: o que explica o movimento do mercado após o esperado acordo nos EUA?

Dia sem tanta liquidez com feriado nos EUA e fato do acordo já ser esperado (com repercussão já na sexta-feira) foram motivos para reação tímida

Lara Rizério Vitor Azevedo

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O Ibovespa fechou em queda, de 0,52%, aos 110.333 pontos, enquanto o dólar voltou a superar os R$ 5, com alta de 0,47%, a R$ 5,012 na compra e na venda. Ao contrário do que se poderia esperar, a tão aguardada notícia de que a Casa Branca e o Partido Republicano chegaram a um acordo preliminar para elevar o teto da dívida dos Estados Unidos e evitar um calote histórico, provocou uma reação menos intensa do que se podia imaginar nesta segunda-feira (29).

Conforme destaca a Ágora Investimentos, pelo contrário, os índices futuros Nova York mostraram de manhã fôlego bastante limitado, enquanto as principais bolsas da Europa tiveram queda neste início de semana.

Além disso, cabe ressaltar que a última sexta-feira (26) foi de ânimo para os mercados, com as projeções de que já haveria um acordo sobre o teto da dívida por lá, mostrando que o mercado já precificava esse acordo.

“Tivemos o acordo em relação ao teto da dívida americana. Isso já era esperado pelo mercado, já que a história nos mostra que essa história termina com a negociação do aumento do teto da dívida. Como isso já era esperado pelo mercado, não fez nenhum preço no Brasil”, fala Leandro Petrokas, diretor de research da Quantzed. “Talvez traga algum otimismo de curto prazo lá fora, mas o que realmente tem feito preço por lá é o otimismo com o setor de tecnologia”.

É importante observar ainda que hoje é feriado de Memorial Day nos Estados Unidos, o que manteve os mercados à vista fechados por lá. A falta de liquidez global também se reflete em outros negócios, com o dólar rondando a estabilidade ante as principais moedas e os contratos futuros do petróleo em leve queda.

Em paralelo, os preços futuros do minério de ferro tiveram forte alta de 4,89% na madrugada em Dalian, cotados ao equivalente a US$ 101,59 por tonelada, mas nem assim a Vale (VALE3) registrou ganhos na sessão, fechando em baixa de 0,75%, a R$ 65,83.

“A agenda econômica mais esvaziada junto com a provável liquidez restrita dos negócios faz com que os investidores adotem uma postura mais cautelosa por aqui. Enquanto isso, por aqui, as negociações no Senado em torno do arcabouço fiscal ficam ainda no radar, embora sem novidades concretas para esta segunda-feira”, aponta a equipe de análise da corretora. “O que a gente pode mencionar é que realmente o mercado está muito reticente, está muito preocupado com o crescimento da economia chinesa e isso impactou diretamente a cotação da Vale, que teve queda no dia de hoje”, complementa o especialista da Quantzed.

A XP aponta ainda que os investidores ficam de olho agora no prosseguimento das negociações do teto de dívida nos EUA, já que a proposta deverá ser votada pelo Congresso na próxima quarta-feira.

O Comitê de Regras da Câmara dos Estados Unidos disse que vai se reunir na tarde de terça-feira para discutir o projeto de lei, que precisa ser aprovado pelo Congresso dividido antes de 5 de junho, quando o Tesouro diz que ficará sem dinheiro para cobrir todas as suas obrigações.

Além disso, conforme destacou a Bloomberg em reportagem, com o acordo preliminar, operadores de títulos parecem prestes a deixar de se preocupar com o fato de os EUA não aumentarem seu limite de dívida para se preocuparem com o que esse aumento significa para os mercados monetários.

A preocupação é que, com um acordo provisório pendente, o Tesouro em breve reponha seu saldo de caixa vendendo mais de US$ 1 trilhão em títulos até o final do terceiro trimestre, de acordo com estimativas recentes. O estoque de dinheiro dos EUA atualmente é de US$ 39 bilhões, o menor desde 2017.

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É provável que um dilúvio sugue uma quantidade significativa de liquidez dos mercados financeiros. Isso pode aumentar a pressão, já que o Federal Reserve vem elevando as taxas de juros e encolhendo seu balanço, aponta.

O foco também recai durante a semana para os próximos dados econômicos dos EUA, em “semana decisiva para saber o que o Federal Reserve vai fazer em sua próxima reunião” de política monetária.

Na sexta-feira, será divulgado um importante relatório de emprego do governo dos EUA, que é acompanhado de perto pelo banco central do país. Dados mais fortes do que o esperado podem sustentar a percepção de uma economia resiliente e reforçar apostas numa nova elevação dos juros no encontro do Fed de 13 e 14 de junho.

Os mercados futuros já precificam quase 60% de chance de o Fed elevar os custos dos empréstimos em 0,25 ponto percentual no mês que vem, com os outros cerca de 40% esperando manutenção da taxa básica.

Quanto mais altos os juros nos EUA, mais o dólar tende a se beneficiar globalmente do redirecionamento de recursos para o mercado de renda fixa norte-americano.

No Brasil, além da tramitação do arcabouço fiscal no Senado, atenção ainda para a divulgação dos dados do PIB do primeiro trimestre na próxima quinta-feira (1).

A curva de juro, por aqui, fechou em alta. Os DIs para 2024 ganharam 4,5 pontos-base, a 13,21%, e os para 2025, 6,5 pontos, a 11,49%. As taxas dos contratos para 2027 e 2029 subiram, respectivamente, 3,5 pontos e 4 pontos, a 10,96% e 11,29%. Os DIs para 2031 fecharam a 11,54%, com mais seis pontos.

“Em relação ao dólar, vimos um leve movimento de alta hoje. Temos também um leve movimento de alta nos juros. Mas vejo como um leve ajuste porque os juros caíram bem nas últimas semanas. Na semana passada, a gente teve quatro dias seguidos de queda no contrato janeiro 2029, então hoje a gente está vendo um processo corretivo, um processo de quem está vendido nos contratos nos juros está colocando um pouquinho de lucro no bolso. Quem está de fora, está aproveitando a queda para comprar um pouco de DI”, explica Petrokas.

(com informações de Reuters e Bloomberg)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.