Destaques do mês

As 5 maiores baixas e as 5 maiores altas do Ibovespa no mês de outubro

Em um mês de forte queda para o Ibovespa, Méliuz foi o destaque negativo, com baixa de quase 45%, enquanto Ambev teve maior alta, de 11%

SÃO PAULO – O mês de outubro foi marcado novamente por uma grande turbulência nos mercados, em meio ao aumento do risco fiscal e alta dos juros, no ambiente doméstico, além de preocupações com o crescimento da economia mundial e respingos ainda da crise imobiliária na China envolvendo a gigante Evergrande. Neste cenário, o Ibovespa não conseguiu sair ileso, fechando o mês no pior desempenho do ano, com baixa de 6,74%.

Ainda que algumas companhias tenham conseguido fechar outubro no positivo, apenas cinco empresas do Ibovespa tiveram ganhos acima de 5% no mês.

O destaque ficou com Ambev, na esteira de sinais de ganhos de participação de mercado depois confirmados com a divulgação de resultados de companhias de bebidas no final do mês. Já entre as maiores perdas, a Méliuz foi o grande destaque negativo. Cabe ressaltar que 13 ações do Ibovespa fecharam em queda de mais de 20%.

Confira os destaques do mês de outubro:

Maiores baixas

Méliuz em forte queda 

Entre as maiores baixas de outubro está Méliuz (CASH3), com queda de 44,93% na Bolsa, liderando as perdas do Ibovespa. A companhia tende a ser impactada negativamente pelo cenário de juros mais altos.

Nesta semana, o Banco Central realizou o sexto aumento consecutivo da Selic, levando a taxa básica para o patamar de 7,75% ao ano, o maior desde 2017.

Além do custo de capital mais elevado, a companhia reportou, no início do mês, números operacionais do terceiro trimestre considerados fracos por analistas do mercado.

Em relatório divulgado na época, o Bradesco BBI avaliou os dados como neutros a marginalmente negativos para a Méliuz, em função da desaceleração em relação ao trimestre anterior.

De acordo com o time de análise, os resultados da companhia devem vir pressionados no trimestre, uma vez que a empresa continua investindo fortemente em sua plataforma “para estabelecer as bases para o crescimento futuro”.

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Agora, os analistas aguardam pela Black Friday, data que, segundo a Méliuz, deve ser positiva para a empresa.

“A administração espera um desempenho positivo da Black Friday dada a forte expansão da nova base de compradores da empresa nos últimos trimestres, o que deve apoiar as vendas durante o evento promocional”, escreveu o Itaú BBA, em relatório publicado na semana passada.

Turismo em baixa

Ainda entre as quedas de outubro aparecem as companhias aéreas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4), com baixas de 31,69% e 26,70% das ações na B3, respectivamente.

Isso porque o cenário de alta do dólar e dos combustíveis prejudica essas empresas justamente em um momento de retomada da demanda com o avanço da vacinação contra a Covid-19.

Além da alta dos preços do querosene de aviação – que tem um peso relevante nos custos das empresas, reduzindo as margens –, o dólar valorizado é negativo dado que essas empresas possuem dívidas na divisa americana.

O cenário mais desafiador também contribuiu para a baixa das ações de CVC (CVCB3), da ordem de 25,79% neste mês, com o dólar comprometendo viagens internacionais em meio à reabertura das fronteiras.

A companhia também ficou no radar do mercado após sofrer um ataque hacker no início do mês, deixando o site e a central de atendimento fora do ar.

Alpargatas cai mais de 20%

Ainda entre as ações que mais caíram em outubro está Alpargatas (ALPA4), dona da Havaianas, que teve baixa de 26,84% no mês. A companhia liderou as perdas do Ibovespa nesta sexta, com queda de 10,56%, após a divulgação do seu balanço do terceiro trimestre, mesmo em meio à alta do lucro e das vendas nos EUA.

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A receita líquida cresceu 12,7%, saindo de R$ 943,5 milhões há um ano, para R$ 1,06 bilhão no trimestre encerrado em setembro. Em termos de volume, contudo, as vendas no Brasil avançaram apenas 1,1% e no exterior, 23,4%. No total, o volume de peças vendidas cresceu 1,7%, para 69,477 milhões, chegando a 186,451 milhões no acumulado do ano.

Para o Bradesco BBI, os números no exterior decepcionaram, o que pode ter impactado o papel nesta sessão. Os analsits ressaltam que esses resultados não representam um catalisador para o papel, mas a tese de investimento continua no caminho certo, reiterando a recomendação de compra para o ativo.

Confira as maiores baixas do Ibovespa em outubro:

EmpresaTickerCotaçãoVariação
MéliuzCASH3R$ 3,31-44,93%
AzulAZUL4R$ 24,87-31,69%
AlpargatasALPA4R$ 38,63-26,84%
GolGOLL4R$ 15,18-26,70%
CVCCVCB3R$ 15,97-25,79%

Maiores altas

Ambev avança 11%

As ações da Ambev (ABEV3) se destacaram no mês de outubro, com alta de 11,05%, tanto por conta do seu perfil mais defensivo quanto pelos sinais de que a companhia está aumentando a sua participação de mercado.

O resultado do terceiro trimestre foi destaque nesse sentido, fazendo as ações saltarem cerca de 10% na sessão da última quinta-feira (28).

No período, a cervejaria reportou lucro líquido de R$ 3,712 bilhões no terceiro trimestre de 2021, uma alta de 57,4% em relação ao mesmo período de 2020. Segundo a companhia, o resultado se deve ao o forte desempenho comercial, atingindo os maiores volumes consolidados já registrados em um terceiro trimestre, resultando em forte crescimento da receita líquida.

O resultado foi bem visto por analistas, com destaque para o volume de vendas no Brasil, com alta de 9% na base anual para a unidade Cerveja Brasil. No geral, o volume de bebidas foi de 45,6 milhões de hectolitros, alta de 7,7% ante os 42,3 milhões de hectolitros de um ano antes, os maiores volumes consolidados já registrados em um terceiro trimestre.

O Bradesco BBI destaca que o maior volume de sua divisão de cerveja no Brasil, que também foi o principal fator por trás do
lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) consolidado mais forte do que o esperado, pode ser explicado por: i) iniciativas comerciais bem-sucedidas da administração (por exemplo, lançamento de novas marcas no Brasil), e ii) restrições de capacidade que afetaram negativamente seu maior concorrente, Heineken, que
relatou uma queda de volume de aproximadamente 40% em base anual no terceiro trimestre para seu portfólio de cerveja “econômica”, uma vez que abre espaço para crescer no segmento premium (que leva mais tempo para produzir).

“Esses gargalos na capacidade de produção da Heineken provavelmente persistirão até meados de 2023, quando a Heineken deverá abrir uma nova fábrica em Minas Gerais. Essa dinâmica, portanto, deve continuar a beneficiar a Ambev em termos de participação de mercado de volume até então – projetamos os volumes de cerveja brasileira da Ambev crescendo
2% em 2022”, apontam os analistas, que reforçaram recomendação de compra com preço-alvo de R$ 21.

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Ao InfoMoney, Lucas Lira, diretor financeiro da Ambev, destacou que o bom resultado registrado pela companhia pode ser atribuído a três pontos principais: i) portfolio, com desenvolvimento de marcas, além de ii) inovação e iii) tecnologia, com a pandemia impulsionando também as plataformas digitais da empresa.

A XP, por sua vez, avaliou que as pressões de custos, no entanto, permanecem presentes e as margens caíram para o segundo menor nível já registrado, uma vez que o real se desvalorizou em relação ao dólar e os preços das commodities permanecem elevados no mercado internacional. Porém, os analistas reiteraram recomendação de compra com preço-alvo de R$ 20, destacando que veem a empresa superando seus pares e melhor posicionada para uma recuperação do setor através de inovação comercial e melhor portfólio.

BB Seguridade: olhos atentos para o resultado

Em um cenário de recuperação para o setor de seguros, as ações da BB Seguridade (BBSE3) registraram ganhos de 10,73% no mês com analistas destacando oportunidades para os papéis.

Os analistas do Credit Suisse revisaram, em meados do mês, as suas visões para o case do BB Seguridade e também para a Caixa Seguridade (CXSE3), saindo com uma visão bastante construtiva.

Conforme destacou o banco, o setor de bancassurance no Brasil tem um histórico de alta penetração no mercado de seguros alavancado pela grande possibilidade de cross-selling e exposição relevante aos clientes dos bancos.

Para eles, a combinação de forte crescimento de lucros com valuations bem próximos do mínimo histórico e forte potencial de valorização para o preço-alvo deixaram a impressão de que o pior ficou para trás, com a BB Seguridade e Caixa Seguridade sendo o primeiro e o segundo player do mercado respectivamente com 22% e 15% de participação. BB conseguiu manter a participação nos últimos anos mas a Caixa ganhou 11% de share desde 2014.

De acordo com os analistas da casa, os dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) de julho e agosto já mostraram “dias melhores”, com a sinistralidade voltando aos eixos.

“Um ambiente de taxas de juros mais altas, somado à convergência do IGP-M e do IPCA, deve levar a resultados financeiros muito melhores, especialmente a partir do quarto trimestre, e também pode ser um bom presságio para as perspectivas do negócio de previdência, provavelmente reduzindo resgates e saídas de portabilidade”, apontaram os analistas.

Para eles, o resultado do terceiro trimestre, que serão divulgados no próximo dia 8 de novembro pela BB Seguridade, não devem ser ótimos, mas já representar uma virada em direção a números melhores para os últimos três meses do ano.

O BofA também ressaltou esperar por bons números para o trimestre para a BB Seguridade, destacando os sólidos resultados operacionais apresentados no primeiro bimestre do período, conforme dados divulgados pelo regulador. O crescimento dos prêmios deve permanecer robusto, apoiado no forte crescimento do seguro rural, avaliaram os analistas, também reiteraram compra para o papel com o momentum de ganhos e valuation descontado.

Vivo: balanço neutro, mas resiliência conta

Considerada defensiva, o que acaba fazendo com que as ações sejam mais resilientes em um cenário de maior aversão ao risco, os papéis da Vivo fecharam com ganhos, ainda que não muito expressivos, de 7,08% no mês.

A companhia também soltou resultado no final do mês de outubro, considerado neutro pela maior parte dos analistas de mercado. O BBI apontou, entre os destaques, que a receita de FTTH (fibra ótica) desacelerou com tendências mais suaves de receita média por cliente (ARPU, na sigla em inglês), mas as adições líquidas permaneceram fortes. O crescimento da receita do FTTH ficou em 37% em base anual, desacelerando de 50% no trimestre anterior devido a uma base de comparação mais alta, além das tendências de ARPU mais suaves.

No radar da companhia, cabe ressaltar, está o leilão do 5G, marcado para começar em 4 de novembro e que deve ser concluído apenas no dia 5.

“O novo leilão de espectro da Anatel é uma notícia positiva para o setor, pois deve permitir que as empresas tenham mais capacidade de espectro para investir em 5G. O avanço pode desbloquear novas receitas para as empresas e mais eficiências”, afirmou o Safra em relatório recente sobre o tema.

Energias do Brasil: resultados fortes da companhia

Em meio ao cenário de aversão ao risco, as elétricas acabou ganhando espaço no portfolio, ainda que o noticiário sobre a crise hídrica siga no radar dos investidores.

Além disso, assim como no caso anterior, a temporada de resultados também é levada em conta. No caso da Energias do Brasil (ENBR3), a companhia já divulgou seus números no último dia 25, surpreendendo o consenso de mercado, o que ajuda a explicar a alta de 6,75% no mês.

A companhia teve um Ebitda ajustado de R$ 729 milhões, segundo cálculo XP, 10,8% acima da estimativa de R$ 658 milhões.

Conforme destaca a XP, os principais fatores para o bom resultado foram: (i) maiores tarifas de energia; (ii) maiores compras de energia; (iii) bom controle de custos e (iv) maior venda de energia no mercado de surto prazo. A empresa também anunciou o cancelamento de 25,7 milhões de ações e um programa de recompra de até 23,6 milhões de ações.

Após o resultado, os analistas mantiveram a classificação de compra para a Energias do Brasil, com preço-alvo de R$ 22 por ação.

O Credit Suisse também reforçou os bons números da companhia, com a EDP Brasil apresentando resultados regulatorios melhores do que o esperado (bons também em uma base anual), refletindo números de geração acima das expectativas vindos da unidade de Pecém e também bons volumes das distribuidoras.

JBS: expectativa por números fortes

Os papéis da JBS (JBSS3) também tiveram ganhos, ainda que modestos, de 5,83%, com a companhia se beneficiando da alta do dólar e também com perspectiva de números fortes para a companhia.

No mês passado, os ativos já tinham registrado alta, mais expressiva, de cerca de 19%. Analistas destacam que a JBS tem uma operação muito diversificada, com produção de carne bovina, suína e de aves, o que se torna uma vantagem comparativa em relação às demais.

A companhia irá divulgar os números do terceiro trimestre no próximo dia 10 de novembro, após o fechamento do mercado, com projeções de dados fortes.

Para o Bradesco BBI, o balanço deve surpreender o consenso de mercado, uma vez que ele espera Ebitda 36% acima
da média do mercado, de R$ 1,45 bilhão. “Também achamos que as estimativas de mercado ainda não refletem totalmente as fortes margens para a divisão de carne bovina da empresa nos Estados Unidos no trimestre e as melhorias sequenciais nas margens para as divisões de carne suína nos Estados Unidos e carne bovina brasileira”.

Na segunda quinzena do mês, o BBI elevou o preço-alvo para o papel de R$ 38 para R$ 45 ao final de 2022, mantendo a recomendação de compra, destacando o valuation atrativo. Além disso, apontou, “o aumento de preço –alvo para a JBS é explicado pelo benefício proveniente da recente depreciação do real para os resultados da JBS, e as novas premissas de preço do USDA para a proteína nas divisões norte-americana”.

Confira as maiores altas do Ibovespa em outubro:

EmpresaTickerCotaçãoVariação
AmbevABEV3R$ 16,99+11,05%
BB SeguridadeBBSE3R$ 22,09+10,73%
Telefônica BrasilVIVT3R$ 45,52+7,08%
EDP BrasilENBR3R$ 19,60+6,75%
JBSJBSS3R$ 39,23+5,83%

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