Destaques do mês

As 5 maiores baixas e as 5 maiores altas do Ibovespa no mês de setembro

Ações do Banco Inter se destacaram entre as quedas, que também foram dominadas por ações de e-commerce; frigoríficos e PetroRio lideraram altas

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou o mês de setembro, marcado por tensões políticas, incertezas fiscais, crise energética e de dívida da gigante imobiliária Evergrande na China, além de sinais de redução de estímulos nos EUA, em queda expressiva de mais de 6%.

Porém, algumas ações se destacaram mais no mês, tanto com os papéis com maiores quedas quanto os com maiores altas do Ibovespa ficando muito concentrados em setores específicos.

Enquanto entre as baixas, empresas varejistas com exposição ao e-commerce dominaram a lista entre as 5 maiores perdas do benchmark da Bolsa – ainda que ações de Vale (VALE3) e siderúrgicas tenham sido fortemente afetadas pela queda do minério de ferro -, as ações de frigoríficos dominaram entre as maiores altas do índice. Além de frigoríficos, figurou entre as maiores as ações da PetroRio (PRIO3).

Confira os destaques do mês de setembro:

Maiores baixas 

Banco Inter lidera perdas

As duas maiores baixas do Ibovespa foram, respectivamente das units e dos papéis preferenciais do banco Inter ([ativo=BIDI11, R$ 46,65, -31,18%];BIDI4, R$ 15,68, -28,56%), tanto por questões macro – que também afetaram varejistas mais voltadas para o e-commerce – quanto por conta de rumores envolvendo a companhia.

Com relação ao ambiente macro, a queda se acentuou em meio à alta do rendimento dos títulos dos EUA,  impactando papéis de alguns setores por aqui. O aumento dos juros tende a afetar especificamente o setor de tecnologia uma vez que essas empresas possuem fluxos de caixa mais longos e são mais impactadas pelo aumento nas taxas de longo prazo.

Mas, além do cenário macro, os últimos pregões da companhia foram especialmente impactados por uma matéria veiculada na terça-feira pelo Broadcast de que a empresa estaria preparando uma provisão maior para perdas no balanço. A notícia foi negada pelo banco, mas as ações seguiram impactadas. Apenas na terça, os ativos desabaram mais de 11%.

De acordo com informações do Valor, contudo, a avaliação de gestores e analistas que falaram com o banco é de que não haverá nada de extraordinário nas provisões do terceiro trimestre. “De fato existe uma certa preocupação com o motor de crédito do Inter, mas não me parece haver nada que fuja do normal. O banco tem uma série de novas iniciativas, o que é natural para uma fintech. Em um momento de pânico nos mercados, alguém jogou isso no ar e o assunto acabou tomando uma proporção maior do que deveria”, avaliou um analista.

Na semana passada, destaca a publicação, o Citi elevou sua recomendação de Inter, passando de venda para neutra. Contudo, sinalizou que ainda não tinha uma visão muito construtiva sobre as capacidades de subscrição de crédito da instituição. “Nossa análise e conversas com a administração sugerem que o Inter pode fazer melhor na subscrição de crédito, pois a inadimplência por segmento é maior do que a média do sistema, mesmo o Inter tendo uma carteira mais colateralizada e com o crescimento […] Na nossa visão, o motor de crédito do banco ainda não está rodando em velocidade de cruzeiro, o que a administração nega”, avaliaram os analistas da instituição.

Varejistas em queda

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Na sequência, estiveram as ações de três grandes varejistas com exposição ao e-commerce: Via (VIIA3, R$ 7,71, -25,79%), Americanas (AMER3, R$ 30,92, -25,24%) e Magazine Luiza (MGLU3, R$ 14,34, -21,38%).

O aumento das incertezas relacionadas ao cenário macroeconômico e político, além do aumento da taxa básica de juros, têm contribuído para uma penalização de ações de crescimento, como é o caso das varejistas.

Isso porque com o aumento dos juros, há um aumento no custo de capital das empresas e no custo de oportunidade dos investidores, impactando negativamente o valor dessas empresas, reforça Danniela Eiger, head de varejo da XP.

Durante o programa Radar, do InfoMoney, desta quinta (confira o vídeo abaixo), Danniela citou ainda o peso de um cenário mais desafiador em termos de renda, poder de compra e de menor confiança do consumidor, que contribui para um consumo menor no varejo.

Além disso, enquanto em 2020 a pandemia forçava a maior parte do consumo ser de forma online, dadas as restrições, neste ano, dado o avanço da vacinação contra a Covid-19, o varejo físico tem voltado para o jogo.

“Empresas como Magalu, Via e Americanas, por exemplo, são multicanais. Elas também têm varejo físico, mas enfrentam mais concorrência do que no modelo digital, por serem melhor estruturadas no e-commerce que outros players”, disse.

Danniela chama atenção ainda para o aumento da concorrência no segmento, com a chegada de players agressivos, com cupom de desconto, frete grátis, cashback etc., caso de Shopee.

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“Os papéis de varejistas foram muito beneficiados (em preço) na pandemia, apresentando fortes resultados. Agora, contudo, investidores têm feito um movimento para empresas que foram mais prejudicadas ao longo da pandemia, como varejistas físicas, ou exportadoras, por exemplo”, diz. Danniela destaca que o quarto trimestre é muito importante para o varejo, de forma geral, devido a datas como Black Friday e festas de fim de ano, somado ao pagamento do 13º salário.

Por outro lado, contudo, a especialista da XP diz estar cautelosa por conta do cenário de concorrência, em que as empresas devem usar estratégias como desconto e frete grátis, que afetam as margens.

No caso do Magazine Luiza, algumas sessões foram particularmente negativas para a empresa. Na sessão do dia 10 de setembro, os ativos chegaram a cair quase 9%.

Na ocasião, segundo a Bloomberg, citando uma fonte, o motivo para as perdas seria um relatório da consultoria americana YipitData, que apura dados de vendas no comércio eletrônico de empresas como o Magalu e o Mercado Livre. “Houve um crescimento mais lento das vendas da Magalu em agosto na comparação com julho, e o mercado está tomando isso como uma tendência para o resultado do terceiro trimestre de Magalu, que sai só em outubro”, disse a fonte.

Após a notícia, o Magalu  realizou uma teleconferência com analistas para trazer novas sinalizações. Segundo o Bradesco BBI, que participou do encontro online, a empresa passou um tom positivo aos analistas, reiterando que agosto foi um dos meses mais difíceis de comparação em relação a 2020 e que os planos de crescimento da companhia para 2021 seguem no caminho certo.

Os analistas apontaram que o movimento de preço das ações pareceu exagerado em um contexto de crescimento que se manteve melhor do que esperávamos no início do ano, mas as preocupações de curto prazo em relação à concorrência eram válidas.

Já nesta quinta, o Goldman Sachs reiterou recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 25, atualizando a tese de investimentos em meio às novas perspectivas macroeconômicas e a estratégia Parceiro Magalu, que visa trazer varejistas off-line para sua plataforma digital. Na avaliação dos analistas do banco americano, mesmo havendo preocupações com os indicadores de curto prazo, como uma comparação de vendas mesmas lojas, além da perspectiva macroeconômica e de maior concorrência, o preço da ação está um ponto de entrada interessante.

Confira as maiores baixas do Ibovespa em setembro: 

EmpresaTickerCotaçãoVariação
Banco Inter (unit)BIDI11R$ 46,65-31,18%
Banco Inter (PN)BIDI4R$ 15,68-28,56%
ViaVIIA3R$ 7,71-25,79%
AmericanasAMER3R$ 30,92-25,24%
Magazine LuizaMGLU3R$ 14,34-21,38%

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Maiores altas

Marfrig, Minerva, JBS e BRF: frigoríficos dominam alta

Das cinco maiores altas do Ibovespa, quatro são ligadas ao mercado de proteína. São elas: Marfrig (MRFG3, R$ 25,66, + 33,36%), Minerva BEEF3, R$ 10,45, +25,00%), JBS (JBSS3, R$ 37,07, +18,93%) e BRF (BRFS3, R$ 27,09, +15,67%) com ganhos entre 15% e 34%

Vale lembrar que o começo do mês foi de notícia negativa para o setor, com a suspensão dos embarques de carne bovina à China após dois casos atípicos do “mal da vaca louca” no Brasil. O  Ministério da Agricultura informou na quarta-feira (29) em nota que continua aguardando um retorno das autoridades chinesas quanto à liberação.

Porém, o cenário que se desenhou foi positivo para o setor ao longo de setembro. Leonardo Alencar, analista da XP, comenta em relatório que a JBS tem uma operação muito diversificada, com produção de carne bovina, suína e de aves, o que se torna seu principal ponto positivo em relação às concorrentes.

Para Ricardo Alves e Victor Tanaka, analistas do Morgan Stanley, não existe carne bovina o bastante no mundo atualmente, de modo que os preços de proteína estão disparando sem sinais de desaceleração. Ao mesmo tempo, a oferta de países como o Brasil e a Austrália continuam com restrições conforme o gado passa por problemas cíclicos, a utilização da capacidade dos frigoríficos dos EUA está abaixo da média devido a uma severa escassez de mão de obra e a Argentina exporta menos.

“Esses quatro mercados representam cerca de 45% da produção global de carne bovina. A luta para comprar carne hoje é real e se intensificou nos últimos meses. Esta grande incompatibilidade entre a oferta (fraca) e a demanda (muito forte) está desencadeando um superciclo da carne bovina em todo o mundo”, escreve a equipe do Morgan Stanley.

Diante desse quadro, o banco se declara otimista com os preços de ações de frigoríficos e destaca Minerva como sua top pick, seguida de perto pela JBS.

Saiba mais sobre a avaliação do setor no vídeo abaixo: 

Sobre a primeira empresa, os analistas apontam que os preços de exportação de carne bovina estão aumentando e esse movimento se acelera desde o segundo trimestre na América do Sul. A divisão Athena, da Minerva, de acordo com o Morgan Stanley, está com spreads aumentando sequencialmente.

O Morgan Stanley elevou seu preço-alvo para as ações da Minerva de R$ 15,00 para R$ 16,50. Já os analistas Rodrigo Almeida e Ana Paula Cantusio, do Santander, colocaram Minerva como top pick do setor de frigoríficos considerando que a empresa tem características atrativas que atualmente são “ignoradas” pelo mercado. Veja a análise sobre o setor clicando aqui. 

Ainda no radar do setor, neste mês, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a compra de ações da BRF pela rival Marfrig.

PetroRio (PRIO3, R$ 25,02, +30,52%) em disparada

A “exceção” setorial entre as maiores altas ficou para as ações da PetroRio, que subiram cerca de 30% em setembro, em meio ao forte avanço do petróleo no período (no mês, o brent avançou 6,7%) e com a proximidade das eleições de 2022 fazendo com que, cada vez mais, os investidores mostrem cautela com relação à petroleira estatal Petrobras (PETR3;PETR4), procurando outras opções no setor.

Em relatório do final do mês, o Bradesco BBI reforçou sua recomendação outperform para a companhia, avaliando que, ainda que negociada com prêmio em relação a outras companhias do setor, ele parece justificado por: (i) alto potencial de crescimento proveniente no campo de Wahoo, que é um ativo de ciclo longo, (ii) oportunidades incrementais de fusões e aquisições em áreas vizinhas que representam forte potencial para criação de reserva e redução de custos; e (iii) compensação significativa de prejuízos fiscais herdados da HRT, antigo nome da companhia.

Sobre fusões e aquisições, a ação da companhia registrou uma disparada no último pregão do mês, de 9,50%, em meio às notícias de que ela é uma boa candidata para a disputa em consórcio a compra do campo de Albacora, colocado à venda pela Petrobras.

A Petrobras confirmou, em comunicado no final da tarde desta quinta, que recebeu ofertas vinculantes dos consórcios PetroRio/Cobra e EIG Global Energies Partners/Enauta/3R Petroleum para a aquisição dos campos de Albacora e Albacora Leste, na Bacia de Campos, apontando que tais ofertas podem superar US$ 4 bilhões para ambos os campos. “A companhia esclarece que a celebração da transação dependerá do resultado das negociações, bem como das aprovações corporativas necessárias”.

O Credit Suisse disse em nota que a vitória da PetroRio seria transformacional para a companhia. Já o BBI apontou que a aquisição da Albacora poderia representar um aumento de 120% na produção atual da empresa e um aumento considerável nas reservas de petróleo.

Confira as maiores altas do Ibovespa em setembro: 

EmpresaTickerCotaçãoVariação
MarfrigMRFG3R$ 25,66+33,36%
PetroRioPRIO3R$ 25,02+30,52%
MinervaBEEF3R$ 10,45+25,00%
JBSJBSS3R$ 37,07+18,93%
BRFBRFS3R$ 27,09+15,67%

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