Bank of America vê porto seguro em bancos; confira quais as escolhas

Instituição revisou para baixo o preço-alvo das ações do setor

Ana Paula Ribeiro

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O Bank of America vê a diversificação das receitas dos grandes bancos de varejo como um porto seguro em um momento de maior volatilidade nos mercados. No entanto, o aumento do custo de capital fez a instituição reajustar para baixo o preço-alvo dos bancos, mas manteve Itaú (ITUB4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) com recomendação de compra.

“Continuamos gostando dos bancos de varejo de maior capitalização no Brasil, sendo eles Banco do Brasil, Itaú e Santander. Na nossa opinião, a combinação de receitas diversificadas dos bancos, financiamento abundante, boa capacidade de controlar custos e balanços sólidos fazem deles um porto seguro durante condições de mercado voláteis”, segundo relatório do BofA.

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De acordo com os analistas do Bank of America, os novos preços-alvo refletem uma mudança nas estimativas de ganho que estão atreladas ao custo de capital próprio uma vez que a taxa livre de risco está mais elevada (400 pontos-base ante os 350 pontos base anteriores).

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Os analistas da instituição americana também consideram que algumas projeções (guidances) assumidos pelos bancos brasileiros são difíceis de serem atingidos, o que também foi considerado no cálculo dos novos preços-alvos.

Em relação ao crescimento do crédito, a expectativa é de uma aceleração gradual, uma vez que o nível de endividamento das famílias ainda é elevado.


Preferências

Com base nesse cenário, a preferência é pelo Itaú, que tem R$ 38 como preço-alvo, ante R$ 40 da projeção anterior, o que implica em um potencial de valorização de 25%. A justificativa é que a instituição e a que tem apresentado os resultados mais sólidos e previsíveis. A projeção de lucro é de R$ 40,8 bilhões para 2024 e de R$ 44,9 bilhões para o ano seguinte, com a rentabilidade (ROE) atingindo, respectivamente, 21,5% e 21,2%.

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“Vemos o banco bem-posicionado para o atual ciclo econômico, com exposição limitada a segmentos de maior risco (pessoas físicas de baixa renda), e bem à frente de seus pares em tecnologia”, destacaram os analistas, acrescentando que o posicionamento em alta renda e pequenas e médias empresas também é positivo.
Nesta semana, o JP Morgan já havia demonstrado maior preferência pelo setor financeiro na Bolsa brasileira e, mais especificamente, pelo Itaú.




Para o Santander, o Bank of America reduziu o preço-alvo de R$ 36 para R$ 35, o que representa um potencial de valorização de 26%. A justificativa é que os resultados do primeiro trimestre mostraram que o banco está em uma tendência de melhoria da rentabilidade apoiado no crescimento do crédito em operações com maiores spreads. O ROE projetado para o banco é de 15,7% em 2024 e de 16,2% em 2025.

O Banco do Brasil tem um potencial de valorização de 21% após a redução do preço-alvo de R$ 34 para R$ 33. Na avaliação dos analistas do Bank of America, o BB ainda vai se beneficiar da contribuição da operação argentina, que compensa o aumento dos gastos com provisões.

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“Sabemos que a rentabilidade está acima do que consideramos um nível estrutural de longo prazo, mas os resultados em 2024 ainda devem render um ROE de 21%”, avaliaram, ressaltando as projeções de rentabilidade de 21,3% para 2024 e caindo para 19,3% no ano seguinte.
Dos grandes bancos, o Bradesco (BBDC4) é o único que tem recomendação neutra, com o preço-alvo de R$ 15, ante R$ 16 anteriores. Nesse caso, o upside é de 17%. O motivo é o aumento do risco atrelado a maiores provisionamentos e um crescimento das receitas aquém do ideal. Nesse cenário, a rentabilidade para 2024 deve ficar em 10,9%, subindo para 13,6% em 2025, bem abaixo dos principais concorrentes.

“O impulso dos lucros do banco deve permanecer fraco devido à pressão para o crescimento das receitas e ao aumento do custo atrelado ao modelo de provisionamento do banco”, explica o Bank of America.