Destaques da Bolsa

Ação da Usiminas fecha com salto de 9%, enquanto Vale fica no zero; bancos sobem, varejistas e construtoras caem após Copom

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (23)

SÃO PAULO – As ações da Ultrapar (UGPA3, R$ 16,00, +9,51%) foram destaque de ganhos no índice, avançando 9,51% em meio ao plano de sucessão dos principais executivos e mudança na presidência de sua maior unidade de negócios, a rede de postos de combustíveis Ipiranga.

Também com fortes ganhos, estiveram os papéis da Embraer (EMBR3, R$ 23,89, +12,16%), com alta de cerca de 12%. A Eve Urban Air Mobility, empresa da companhia, e a Bristow Group, britânica líder mundial em soluções de voo vertical, anunciaram nesta quinta um memorando de entendimento (MOU, na sigla em inglês) para atuarem no desenvolvimento de um certificado de operador aéreo (AOC) para a aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical (eVTOL), os chamados “carros voadores”, da Eve.

Ainda em destaque, o Goldman Sachs elevou a recomendação do recibo de ação (ADR, na sigla em inglês) da Embraer negociado na Bolsa de Nova York (Nyse) de neutro para compra, com o preço-alvo passando de US$ 14 para US$ 23.

Porém, outras ações relacionadas ao setor de aviação e turismo, como CVC (CVCB3, R$ 23,51, +6,91%), Azul (AZUL4, R$ 37,92, +3,61%) e Gol (GOLL4, R$ 21,51, +3,76%) registraram ganhos, entre 3,5% e 7%.

Enquanto isso, as ações da Vale (VALE3, R$ 78,91, 0%), que são negociadas ex-dividendos, que foram de R$ 8,19, a partir desta data, chegaram a cair até 1,3% após a alta de 3,5% ontem e mesmo com o cenário um pouco mais positivo para o minério de ferro em meio à expectativa de operadores de que o pico da demanda chinesa no outono ajude a recuperação da matéria-prima. As ações viraram para ganhos ao longo do dia, acompanhando o cenário externo mais positivo, mas fecharam estáveis. Os investidores também seguem monitorando o caso Evergrande.

Usiminas (USIM5, R$ 16,65, +9,25%), por sua vez, teve uma nova sessão de ganhos, que foram superiores a 9%, enquanto Gerdau (GGBR4, R$ 27,00, +5,63% ) e CSN (CSNA3, R$ 30,11, +2,66%) fecharam também com ganhos expressivos. Cabe destacar que, após fortes quedas das ações em meio à derrocada recente do minério, analistas passaram a ver mais oportunidades em ações de siderúrgicas em relação a mineradoras como Vale (veja mais aqui).

Já os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 27,56, +4,16%;PETR4, R$ 26,84, +3,83%) saltaram até 4% em um dia também de maiores altas para o petróleo, com os principais contratos avançando para máximas em dois meses, seguindo a repercussão da queda dos estoques da commodity nos EUA acima do esperado e com renovado apetite ao risco.

Entre as maiores quedas, estiveram papéis de construtoras e varejistas em meio ao novo aumento da Selic, que deve esfriar o efervescente financiamento imobiliário no país. Entre as baixas, está Cyrela (CYRE3, R$ 19,43, -4,33%) e EzTec (EZTC3, R$ 25,27, -4,53%), que caíram mais de 4%, enquanto MRV (MRVE3, R$ 13,53, -2,66%) teve baixa de cerca de 2%.

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Ainda no radar do setor, o Credit Suisse cortou a recomendação para a ação da Cyrela de compra para neutra, com o preço-alvo sendo reduzido de R$ 32 para R$ 25.  Mesmo vendo que a empresa está em ótima forma para lidar com o cenário mais desafiador, o banco aponta que ela está muito exposta a deterioração macro e micro, atrapalhando assim o cenário no curto prazo. Para EzTec, o banco manteve recomendação neutra, mas cortou o preço-alvo de R$ 44 para R$ 30.

No setor de varejo, Alpargatas (ALPA4, R$ 57,12, -1,16%), Americanas (AMER3, R$ 35,50, -2,63%) e Magazine Luiza (MGLU3, R$ 15,87, -2,88%) caíram entre 1% e 3%. Além dos aumento do juro, profissionais do mercado citaram a proximidade do fim do programa de auxílio emergencial do governo como fatores que devem diminuir a demanda no varejo.

Enquanto isso, em meio à alta da Selic, bancos fecharam a sessão com alta, caso de Itaú (ITUB4, R$ 28,71, +3,46%), Bradesco (BBDC4, R$ 20,72, +4,44%), Santander Brasil (SANB11, R$ 36,17, +3,02%), enquanto Banco do Brasil (BBAS3, R$ 29,45, +0,24%) fechou quase estável.

Confira os destaques:

Ultrapar (UGPA3, R$ 16,00, +9,51%)

A Ultrapar anunciou na quarta início de processo de sucessão de seus principais postos executivos e mudança na presidência de sua maior unidade de negócios, a rede de postos de combustíveis Ipiranga.

A companhia afirmou em fatos relevantes ao mercado que o vice-presidente comercial da Ipiranga, Leonardo Remião Linden, foi eleito novo presidente-executivo da rede, no lugar de Marcelo de Araújo, que assumirá a diretoria executiva corporativa e de participações da holding. As mudanças serão implementadas em outubro.

O BBI avalia que os papéis da Ultrapar poderiam reagir positivamente às notícias, já que o mercado vê necessidade de mudanças estratégicas na Ultrapar. O banco diz que o maior desafio será elevar a lucratividade na Ipiranga e aponta que Marcos Lutz é um nome forte para executar essa tarefa. O Bradesco BBI mantém sua avaliação neutra para a Ipiranga, e diz avaliar que a perspectiva de margens para a Ipiranga continua altamente incerta. O preço-alvo do banco é de R$ 21.

Petrobras (PETR3, R$ 27,56, +4,16%;PETR4, R$ 26,84, +3,83%)

A Justiça Federal no Rio de Janeiro determinou que a Petrobras regularize a contratação de escritórios de advocacia estrangeiros. A ordem é para que a estatal comece a exigir das bancas a inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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A liminar é assinada pela juíza Maria Amelia Senos de Carvalho, da 23.ª Vara Federal do Rio, e vale para todas as contratações efetivadas e programadas, com ou sem licitação.

“A observância dessas regras se impõe a todo e qualquer contratante em solo nacional, incluindo sociedades de economia mista”, escreveu a magistrada.

Hapvida (HAPV3, R$ 14,89, +2,06%)

O conselho de administração do Hapvida recebeu carta de renúncia ao cargo de vice-presidente comercial e de relacionamento de Candido Pinheiro Koren de Lima Junior, um dos controladores da companhia, com efeito a partir de dezembro de 2021.

Para assumir a função, foi escolhido Lício Tavares Angelo Cintra, membro do conselho de administração da companhia desde abril de 2021.

Cintra atuou por mais de 14 anos junto ao Grupo São Francisco. Durante este período, liderou a área comercial por 5 anos, bem como foi o CEO do Grupo São Francisco de 2009 até a alienação ao Hapvida em 2019.

Hypera (HYPE3, R$ 32,84, -0,09%)

O Conselho de Administração da Hypera aprovou o pagamento de R$ 194,77 milhões em juros sobre o capital próprio, ou R$ 0,30808 por ação ordinária.

O pagamento dos juros sobre capital próprio será realizado até o final do exercício social de 2022, em data a ser oportunamente definida pela empresa, com base na posição acionária constante dos registros da Companhia ao final de 27 de setembro de 2021, sendo que as ações de emissão da companhia serão negociadas “ex-juros sobre capital próprio” a partir de 28 de setembro de 2021, inclusive. Entre a data deste aviso aos acionistas e a data do pagamento não incidirá qualquer atualização monetária sobre o montante declarado, informou.

Carrefour Brasil (CRFB3, R$ 18,33, +0,94%)

O Carrefour Brasil comunicou aos seus acionistas e ao mercado em geral que Luis Moreno (Diretor Executivo – Carrefour Varejo) e  Yen Wang, (Diretor Executivo – Carrefour Property) deixam suas posições no Grupo.

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Stephane Maquaire, CEO do Grupo Carrefour Brasil, acumulará a função de CEO do Carrefour Varejo e Stephane Engelhard, Diretor Executivo de Relações Institucionais, a função de Diretor Executivo – Carrefour Property.

Irani (RANI3, R$ 6,61, +5,76%)

A Irani Papel e Embalagem afirmou que vai investir R$ 70,2 milhões em instalações da companhia, incluindo nova impressora, segundo fato relevante ao mercado.

Os recursos serão aplicados em “um sistema de gerenciamento de informações de processo, ampliação da estação de tratamento de efluentes para a fábrica de papel de Vargem Bonita (SC), uma nova impressora e um sistema de automação para a fábrica de Embalagem (SP)”, afirmou a companhia.

Gol (GOLL4, R$ 21,51, +3,76%)

A agência de classificação de risco Fitch elevou o rating da Gol de CCC+ para B-, com perspectiva estável.

Multiplan (MULT3, R$ 20,35, -1,45%)

A Multiplan  aprovou a emissão de R$ 450 milhões em debêntures com vencimento em sete anos. O montante deve ser utilizado para pagar despesas gerais, dívidas de curto e longo prazo, investimentos e na gestão do fluxo de caixa.

Embraer (EMBR3, R$ 23,89, +12,16%)

A Eve Urban Air Mobility, empresa da Embraer, e a Bristow Group, companhia britânica líder mundial em soluções de voo vertical, anunciaram nesta quinta um memorando de entendimento (MOU, na sigla em inglês) para atuarem no desenvolvimento de um certificado de operador aéreo (AOC) para a aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical (eVTOL), os chamados “carros voadores”, da Eve.

Segundo destacou a Embraer em comunicado, o trabalho conjunto desenvolverá um modelo de operação de Mobilidade Aérea Urbana (UAM) utilizando a experiência da Bristow no transporte seguro de passageiros e cargas em todo o mundo.

Além disso, a Bristow anunciou uma encomenda de até 100 eVTOLs com entregas previstas para começar em 2026.

“A cooperação se favorece dos pontos fortes de cada parceiro, a Bristow conta com mais de 70 anos de experiência em operações globais de transporte, enquanto a Eve, com sua proposta de valor única, oferece um conjunto abrangente de produtos, serviços e soluções de UAM para diversas regiões. O ambiente operacional da UAM se concentrará em áreas como: design de veículos, design de vertiportos, desenvolvimento regulatório para o ambiente operacional, certificação eVTOL e operação autônoma”, destaca a Embraer em comunicado.

Segundo a companhia brasileira, as empresas planejam desenvolver capacidades baseadas em serviços para apoiar e otimizar o desempenho e a utilização de eVTOLs em operação e sistemas de Gerenciamento de Tráfego Aéreo existentes, bem como novos sistemas de aeronaves não-tripuladas e gerenciamento de tráfego não-tripulado.

Vale (VALE3, R$ 78,91, 0%)

A mineradora Vale desistiu de todos os processos minerários em terras indígenas no Brasil, ao reconhecer que a atividade em tais regiões apenas poderia ocorrer mediante o Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) dos próprios indígenas e uma legislação que permita e regule adequadamente a atividade, disse a empresa em nota.

A companhia, que não desenvolve quaisquer atividades de pesquisa mineral ou lavra em Terras Indígenas (TIs) no Brasil, já havia aberto mão de 89 processos minerários —o que inclui requerimentos de pesquisa e lavra— interferentes com Terras Indígenas no país, junto à Agência Nacional de Mineração (ANM), entre 2020 e 2021.

Klabin (KLBN11, R$ 23,86, +3,42%)

A Klabin informou na quarta-feira a morte do presidente do conselho de administração, Armando Klabin, aos 89 anos, no Rio de Janeiro. O executivo é considerado um dos que impulsionaram no início dos anos 2000 a companhia a focar no ramo de embalagens.

Atualmente, a Klabin é a maior produtora de papel para embalagens do país, tendo ingressado também em produção de celulose. A companhia não informou a causa da morte.

Notre Dame (GNDI3, R$ 80,53, +1,21%)

Ontem, o Brazil Journal destacou que a Bain Capital está buscando assessores para vender 50% da participação que detém na GNDI. A Bain Capital detém 11,2% do capital da GNDI e, de acordo com a notícia, já está em negociações avançadas com potenciais assessores para a transação.

Segundo a XP, o evento não deveria afetar os papéis da companhia muito além da queda de 3,9% de ontem, uma vez que (i) a fusão em andamento já iria reduzir a participação da Bain Capital para aproximadamente 5%, e (ii) o montante da transação, de aproximadamente R$ 2,7 bilhões, será próximo de 6 vezes a estimativa de volume médio negociado da empresa pós-fusão. “Reiteramos nossa recomendação de Compra, pois não enxergamos mudança relevante de fundamentos”, destacou a equipe de análise.

Kora Saúde (KRSA3, R$ 7,65, -1,92%)

O Itaú BBA iniciou a cobertura da Kora Saúde com avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo para 2022 de R$ 12. É o terceiro maior grupo hospitalar do Brasil, posicionado para consolidar o setor, atendendo às exigências de demanda por serviços de saúde de qualidade no Brasil.

A empresa tem uma agenda forte de expansão orgânica e inorgânica, visando triplicar seu tamanho até 2025, segundo estimativas, com retornos de capital constantes.

(com Bloomberg, Estadão Conteúdo e Reuters)

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