Plano de sucessão anima, mas....

Ultrapar se movimenta para mudar estratégia e ações fecham com salto de 9,5%, mas analistas apontam desafios

Novo plano de sucessão é bem visto pelo mercado, mas analistas ainda estão divididos sobre a ação

Posto Ipiranga (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO – Na noite da última quarta-feira (22), a Ultrapar (UGPA3) anunciou um plano de sucessão para algumas importantes posições dentro da holding – incluindo Ipiranga – que animaram os analistas de mercado por indicar que a companhia está buscando se mexer após um longo período de desempenho abaixo dos seus pares. Com isso, as ações, que ainda caem cerca de 30% no ano (ante queda de 4,5% do Ibovespa) avançaram 9,51%, a R$ 16,00, na sessão.

O atual presidente do conselho, Pedro Wongtschowski, cujo mandato se encerra em abril de 2023, será sucedido por alguém conhecido da empresa, Marcos Lutz.

Lutz atua como conselheiro da Ultrapar, e entre janeiro de 2022 e abril de 2023, antes da sucessão da presidência do Conselho, atuará como diretor presidente (CEO) da Ultrapar, visando aprofundar os conhecimentos dos negócios atuais do grupo. O executivo iniciou sua carreira na Ultrapar em 1994 e ficou na empresa até 2003, tendo chegado até a presidência da Ultracargo. Já entre 2009 e 2020, Lutz foi CEO da Cosan, holding que engloba em seu guarda-chuva companhias líderes do setor de açúcar e etanol, combustíveis, energia e logística.

“A sua volta à Ultra no ano passado foi comemorada pelo mercado e pela empresa, fato que deverá se repetir com as suas novas atribuições na companhia”, aponta a equipe de análise da Levante Ideias de Investimentos.

Os analistas da casa de research apontam que a notícia é positiva para a empresa, que vinha tendo desempenho inferior ao seus concorrentes nos últimos resultados, o que acabou penalizando as ações da companhia.

“Agora, a expectativa é que o experiente executivo consiga levar a companhia a uma posição de destaque no competitivo setor de óleo e gás, recuperando o terreno perdido desde a mudança na política de preços de combustíveis da Petrobras em 2017”, avaliam.

Além disso, também ficou definida a sucessão na presidência da Ipiranga. Marcelo Araújo, atual CEO, foi eleito para a diretoria executiva da holding, ao passo que para seu lugar foi escolhido Leandro Linden. O ex-presidente ficou no cargo por três anos, e tem profundo conhecimento no setor de óleo e gás. Araújo agora ficará responsável pelas áreas de Sustentabilidade, RI, Compliance, Riscos, Auditoria, entre outros.

Já o novo eleito (Linden) integrou a companhia há cinco anos para estruturar uma Joint Venture (companhia de controle misto) formada entre a Ipiranga e a Chevron, a Iconic. Durante a sua gestão, a Iconic quintuplicou seu resultado operacional. O executivo tem longa passagem no setor de combustíveis, tanto no Brasil quanto nos EUA, tendo trabalhado em empresas como Exxon Mobil, Cosan e Raízen.

Os analistas do BBI veem essas mudanças como positiva, uma vez que o mercado vê a Ultrapar necessitando de algumas mudanças estratégicas, que começaram com a empresa reformulando seu portfólio com a venda da Extrafarma e da Oxiteno (sob o mandato de Curado).

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“O principal desafio será melhorar a lucratividade da Ipiranga, que tem ficado muito aquém de seus pares”, apontam, ressaltando que Lutz é um nome forte para liderar essa tarefa, “com um histórico poderoso”.

O Credit Suisse também avalia que o mercado acolherá bem as mudanças à medida que é um catalisador para a recuperação das operações da empresa, principalmente na Ipiranga.

Na avaliação do Credit, Lutz terá muito a contribuir como CEO da Ultrapar, estando mais próximo das operações do dia a dia
do que como um membro do conselho, o que os analistas do banco suíço veem que será fundamental no atual contexto de transformação.

Já Linden  tem um forte perfil para assumir os desafios de reverter as operações da Ipiranga para melhorar as margens,
recuperar participação de mercado e, em última análise, extrair mais valor da base de ativos existente.

O BBI, porém, aponta que o sucesso dessa reviravolta ainda está para ser visto.

“Apesar das mudanças positivas, mantemos nossa recomendação neutra, uma vez que a perspectiva de margem para a Ipiranga neste estágio permanece altamente incerta em nossa visão. Vemos a UGPA3 atualmente precificando cerca
de R$ 70 o metro cúbico para as margens sustentáveis da Ipiranga (versus R$ 53/m³ no segundo trimestre de 2021). Qualquer indicação de que as margens devem se estabilizar acima desse nível pode impulsionar os preços das ações”, destacam. Os analistas possuem um preço-alvo de R$ 21 por ação (ou potencial de alta de 43% em relação ao fechamento de quarta-feira), assumindo uma margem real de R$ 85/m³ à frente.

O Credit Suisse também possui recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 24 (ainda que com um significativo potencial de alta de 64%).

Para o BBI, um possível gatilho positivo para a ação pode ser a desistência da empresa na aquisição da Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), da Petrobras (PETR3;PETR4).

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“Embora possa haver algumas vias de criação de valor na aquisição, o cenário político e de risco no Brasil mudou drasticamente este ano e, portanto, o perfil de risco e retorno do ativo se deteriorou”, avaliam os analistas.

Em relatório do final de agosto, os analistas destacaram que, a menos que esse governo apareça com uma solução
sustentável para os preços dos combustíveis no Brasil – como a criação de um fundo de estabilização do qual as refinarias são devidamente pagas mesmo em períodos de incerteza – a aquisição da REFAP traria considerável volatilidade
às ações da companhia em 2022.

“Ao desistir da aquisição, a Ultrapar poderia concentrar seus esforços na melhoria das margens da Ipiranga, deixando de lado os combustíveis fósseis e recompensando os acionistas com dividendos”, apontam.

De acordo com dados da Refinitiv, os analistas estão divididos com a ação: de 14 casas que cobrem o papel, 7 recomendam compra, enquanto 7 recomendação manutenção, com preço-alvo médio de R$ 22,69, ou alta de 55% em relação ao fechamento da véspera.

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