Semana Mundial do Investidor reforça a importância da verdadeira educação financeira

Um investidor financeiramente educado investe com mais consciência, investe melhor e por mais tempo. Esse é um processo que não acontece de um dia para o outro, mas requer um esforço pessoal

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Costumo abordar aqui a importância da educação financeira e como ela pode ser o maior dos seus investimentos. A busca por esse conhecimento, somada à consistência para investir no longo prazo, podem te levar à liberdade financeira.

A educação financeira pode ensinar você a entender com clareza quais são as suas necessidades e objetivos financeiros, além de dar responsabilidade e ferramentas para que você consiga analisar com propriedade todas as informações que recebe, ainda mais em um mundo inundado de notícias, recomendações e conselhos.

Nesta semana de 5 a 11 de outubro, acontece a World Investor Week (WIW), a Semana Mundial do Investidor, uma campanha global promovida pela Organização Internacional das Comissões de Valores (IOSCO) para conscientizar a população sobre a importância da educação e da proteção dos investidores.

No Brasil, a semana é coordenada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entidade autárquica que regula o mercado de capitais. Nesta quarta edição, ela tem uma importância ainda maior para os brasileiros.

Chegamos a um momento histórico em nossa Bolsa de Valores (B3), ultrapassando a marca dos 3 milhões de CPFs cadastrados.

O número surpreende ainda mais se compararmos com o fim de 2019, quando tínhamos um pouco mais de 1,6 milhão. Praticamente dobramos o total de investidores em menos de um ano – e durante uma pandemia global.

A nova cara do investidor brasileiro é mais jovem: dos 3 milhões de CPFs, aproximadamente 75% (mais ou menos 2.250.000 de pessoas) têm menos de 45 anos de idade.

No entanto, essa parcela responde por apenas pouco mais de um quarto do valor total investido (27,7%); se olharmos apenas a faixa de 26 a 35 anos, temos um terço (aproximadamente 1.034.000 pessoas) do total de investidores representando apenas 8% do total investido.

Do outro lado da pirâmide etária, os investidores acima de 66 respondem por mais de R$ 1 em cada R$ 3 investidos na Bolsa, mas representam apenas 6% do total (mais ou menos 190.000 pessoas).

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Observamos, portanto, uma enxurrada de jovens novatos na Bolsa e que, em grande parte, está em fase de desenvolvimento profissional. Ou seja, esse pessoal vai trabalhar por muitos anos ou décadas antes de se aposentar ou atingir alguma independência financeira.

Esses jovens precisam de orientação adequada para entender como funciona o mercado financeiro, suas reais oportunidades e seus riscos.

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Junto à febre de novos investidores, surgem novos influenciadores digitais de educação financeira. Precisamos ficar atentos aos que prometem ganhos volumosos em pouco tempo e ostentam uma vida de luxo, mas que, na verdade, ganham mais dinheiro vendendo cursos do que de fato investindo.

O crescimento do número de investidores é muito positivo. Mas, se essa expansão não vier acompanhada de uma educação adequada, teremos uma multidão de frustrados que acreditaram que a Bolsa é um lugar para se ganhar muito dinheiro muito rápido.

A CVM tem monitorado, inclusive, a atuação de influenciadores digitais que se utilizam de linguagem apelativa e desonesta.

Um investidor financeiramente educado investe com mais consciência, investe melhor e por mais tempo. Esse é um processo que não acontece de um dia para o outro, mas requer um esforço pessoal.

Segundo o grande investidor e filantropo americano Michael Steinhardt, “investir exige coragem, comprometimento e um entendimento de sua própria psicologia”.

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A Semana Mundial do Investidor é uma oportunidade para quem está começando. É um bom momento para lembrarmos da importância de nos educarmos financeiramente.

A Semana é promovida de acordo com as diretrizes pautadas pela IOSCO, que reforça que todas as informações fornecidas devem ser imparciais, não recomendando produtos, empresas, marcas ou serviços.

São centenas de palestras, lives e workshops que ajudam a entender como funciona o mercado financeiro e o mundo dos investimentos.

Como dizia Mafalda, personagem do mestre Quino, que nos deixou recentemente: “De tanto poupar em educação, ficaremos ricos em ignorância.” É com a educação financeira que construiremos um mercado financeiro mais maduro, pujante e sofisticado.

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Thiago Godoy

É head de educação financeira da XP Inc. e especialista em psicologia do dinheiro e bem-estar financeiro. É mestre pela FGV – Tese em Educação Financeira, especialização em Sustentabilidade (University of British Columbia), tem MBA em Marketing (FGV) e graduação em administração (UFJF). Foi diretor de mobilização de recursos e relações governamentais da Associação de Educação Financeira do Brasil, atuando especialmente com populações de baixa renda e escolas públicas. Também atuou com desenvolvimento institucional na Dialogue Direct e Children International (EUA), Fundação Vida Plena (Bolívia), Projuventude e Comitê para Democratização de Informática (Brasil). Instagram: @psifinanceiro