Na empresa, respeite os introvertidos tanto quanto os extrovertidos

Outro dia um executivo me disse que sentia muita dificuldade de concentração em sua empresa. Ele trabalhava em uma baia ao lado de uma pessoa que falava muito alto. Apesar de já ter reclamado algumas vezes, nunca foi atendido. Ele havia se conformado com isso, embora fosse uma situação de muito estresse, irritação e perda de energia.

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Outro dia um executivo me disse que sentia muita dificuldade de concentração em sua empresa. Ele trabalhava em uma baia ao lado de uma pessoa que falava muito alto. Apesar de já ter reclamado algumas vezes, nunca foi atendido. Ele havia se conformado com isso, embora fosse uma situação de muito estresse, irritação e perda de energia.

A causa disso é que muitos líderes desconhecem a natureza de seus funcionários e os tratam do mesmo modo, sem levar em conta suas diferenças. Por essa razão, seria muito produtivo se estudassem um pouco mais sobre as tendências comportamentais das pessoas e como combiná-las para extrair a maior produtividade possível.

Em primeiro lugar, compreender que o mundo desenvolveu-se em direção aos extrovertidos. Por essa razão, as empresas possuem baias, mesas de trabalho comunitárias e, mesmo os autônomos, como arquitetos e consultores, podem contar com ambientes compartilhados – o coworking.

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Esse mesmo mundo esqueceu-se dos introvertidos, pessoas que precisam de locais silenciosos e mais fechados para desempenhar bem seu papel. Se os extrovertidos oferecem à empresa diálogo, carisma e capacidade de convencimento, os introvertidos oferecem profundidade nos temas e poder para análises de cenários complexos.

Portanto, o bom líder deve ser capaz de criar os ambientes para que ambos possam desenvolver seus trabalhos na sua capacidade máxima. Um ambiente misto, onde um extrovertido possa expressar-se e o introvertido tenha uma sala silenciosa, para aprofundar-se em seu trabalho, vai gerar mais produtividade do que aqueles que favorecem somente um dos tipos.

O mundo está cheio de exemplos em que a escolha por aquele profissional carismático e que se expressa melhor é um desastre. E, mesmo em cargos de liderança, ainda preferimos o carismático àquele mais bem preparado.

Ninguém é 100% introvertido ou extrovertido. Mas as empresas deveriam se preocupar em desenvolver melhor a comunicação dos primeiros e a capacidade de concentração dos segundos. E isso somente será possível, se fizerem um trabalho para conhecer seus profissionais e treiná-los apropriadamente, para reduzir suas falhas e potencializar sua natureza. Além de preocupar-se com a arquitetura de seus ambientes.

Acima de tudo, os administradores deveriam se preocupar em obter o melhor e a maior capacidade de cada um de seus liderados. E isso somente é possível se levarem em conta suas diferenças, conhecê-las e respeitá-las. E solicitar o mesmo de todos. Afinal, os introvertidos agradeceriam, se os extrovertidos falassem menos e mais baixo. E os extrovertidos apreciariam se os introvertidos fizessem um esforço adicional para compartilhar o que sabem e conversassem um pouco mais.

Vamos em frente!

Silvio Celestino