Esconda os seus marshmallows

Estudos indicam que, em vários campos da vida (incluindo os investimentos), a recompensa é maior para quem sabe – e consegue – esperar

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Rob Kim/Getty Images for Jetblack

Há pouco tempo, concluí a leitura de um já famoso livro chamado O Teste do Marshmallow, do psicólogo Walter Mischel.

De forma bem resumida, ele fala sobre um experimento realizado com crianças em Stanford, nos Estados Unidos, em que para cada uma delas foram dadas duas opções: ganhar um doce naquele exato momento ou dois doces, se elas esperassem aproximadamente 15 minutos em uma sala em que ficavam sozinhas.

Segundo o experimento, as crianças que decidiram esperar para ganhar dois doces apresentaram, anos mais tarde, maior êxito em vários quesitos de suas vidas.

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Outra descoberta feita pelos estudos do autor é que, quando deparadas com a recompensa – ou seja, o doce –, as crianças tendiam a ter menos paciência para esperar.

Mas, quando o doce estava escondido, ou havia apenas uma foto dele, o sofrimento era minimizado – as crianças conseguiam ser mais pacientes.

Também foi observado que, quando a recompensa era colocada muito próxima às crianças, elas conseguiam criar menos artifícios para não pensar nela, o que as tornava menos resistentes à doce tentação.

Eventualmente, sucumbiam ao desejo de comer a guloseima naquele momento, em vez de esperar alguns minutinhos a mais.

Para as crianças que conseguiam criar distrações, entretanto, como imaginar coisas ou brincar durante a espera, o final era recompensador: além dos pesquisadores, torcedores naturais das resistências das crianças, os pequenos sentiam-se felizes com os resultados, tanto que, em um caso ou outro, inclusive, guardaram os doces para mostrar o feito às mães!

Na minha trajetória, consigo enxergar diversos pontos ressaltados no experimento de Mischel. Sempre fui ansiosa, não somente quando criança, e acho que dificilmente teria passado no teste do autor.

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Porém, assim como ele também menciona no livro, acredito que os fatores que fazem as pessoas esperarem mais tempo para serem recompensadas são características que podem ser moldadas ao longo do tempo.

Isso vale para a arte de continuar estudando mesmo quando estamos entediados, ou adotar uma alimentação mais saudável e acordar cedo para fazer exercícios mesmo quando não queremos fazer isso.

Nas finanças não é diferente: quando falamos em investimentos por meio de fundos, mostramos a beleza de adotar um olhar de longo prazo, além da importância da disciplina em manter-se fiel à estratégia originalmente desenhada.

Por que isso se torna tão importante? Ao olharmos um investimento em janelas maiores, acima de cinco anos, um possível período ruim no fundo acaba tendo maior probabilidade de ser diluído nos gráficos.

Isso, num primeiro momento, não aparece quando consultamos a informação de retorno dia a dia.

Pense em eventos na sua vida que te causaram sofrimento nos últimos dez anos – é bem provável que boa parte deles já tenham caído no esquecimento, ou seja, tenha se diluído ao longo do tempo.

É comum ver investidores insatisfeitos com retornos negativos justamente porque eles verificam com frequência os rendimentos dos seus fundos em janelas muito curtas de tempo.

Mas, para aqueles que resistem à tentação das janelas de curtíssimo prazo, se a escolha do gestor foi acertada, o longo prazo – ou seja, o conjunto de retornos, dia a dia, mês a mês e ano a ano – começa a fazer diferença na sua vida de investidor.

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Há quem diga que o longo prazo é apenas uma justificativa para defender aqueles que não ganham dinheiro no curto – para estes, apresento-lhes o estudo de Peter Lynch, gestor do Fidelity Magellan Fund.

O relatório afirma que o investidor médio do fundo perdeu dinheiro, e o que mais ganhou foi o que não fez absolutamente nada.

Aqui no Brasil, resolvi pegar o exemplo de um fundo recomendado pela Spiti, o IP IPG FIC Ações BDR Nível I.

Com um olhar de apenas seis meses, vimos que, se o investidor entrasse em diferentes períodos de tempo, 66% desses períodos superavam o Ibovespa e 85% eram janelas cujo retorno era maior do que zero.

Se esticarmos a janela para o prazo de um ano, 63% desses períodos superavam o Ibovespa e 96% eram intervalos cujo retorno era maior do que zero.

Agora, se utilizássemos o prazo que sempre recomendamos para nossos assinantes, de pelo menos cinco anos investidos em fundos de ações, 81% das janelas superaram o Ibovespa e 100% das janelas de cinco anos foram maiores do que zero.

Ou seja, o investidor que entrou e ficou no fundo por cinco anos obteve retorno positivo!

Eu sei bem que, enquanto investidores, tendemos a ter um problema: queremos receber a recompensa agora – comer um doce, e não esperar dois.

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Mas isso talvez faça com que tenhamos que lidar com a amargura do amanhã, por ficarmos vendendo ativos quando eles caem e comprando na euforia, quando estão subindo.

Por isso, embora saibamos que seja difícil, que tal seguirmos a estratégia de algumas crianças do estudo e criarmos algumas boas distrações para não ficarmos fissurados com o doce à nossa frente?

Deixar os investimentos renderem, sem acompanhá-los com uma lupa de investidor ansioso, pode fazer com que tenhamos bons resultados.

Enquanto isso, sugiro a você se cadastrar no site das gestoras e olhar o material produzido por elas, especialmente as cartas, com calma e sem pressão.

Isso pode te ajudar a acompanhar o andamento do seu investimento, mas sem criar grandes neuras. Você conseguirá, de fato, receber um prêmio por conseguir esperar.

Que tal experimentar?

Carolina Oliveira

Especialista em fundos de investimento da Spiti, mestre em Economia Empresarial e bacharel em Economia. Atuou nas áreas de investimentos de fundos de pensão por quase uma década. Acredita que os investimentos foram feitos para beneficiar aquele que investe e que o pequeno investidor deveria ser capaz de conseguir investir sem firulas e com o calibre de um investidor grande. É por essa causa que está disposta a advogar.