“Ano novo, pandemia velha” para o setor automotivo em janeiro – mas a Fiat tem motivo para comemorar

Se no final do ano passado, a GM e a VW estavam disputando “focinho-a-focinho” quem fecharia o ano como líder de mercado, em janeiro a Fiat se aproveitou que as concorrentes estavam se digladiando e desceu o sarrafo nas duas!

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(Divulgação/Fiat) Fiat Strada 2020

Caros leitores, digníssimas leitoras: o primeiro mês de 2021 acabou de se encerrar e não tivemos muitas mudanças. O setor automotivo, que vinha em uma curva de crescimento de oito meses consecutivos, viu sua série ser quebrada.

Com 162,5 mil veículos vendidos em janeiro, o setor registrou queda de 30% sobre dezembro de 2020, quando tivemos a comercialização de 232,8 mil veículos. Mas o que vale mesmo é compararmos com o mesmo período do ano passado.

Ao fazermos isso, o setor registra queda de 11,7%. Em janeiro de 2020, foram vendidos pouco mais de 184 mil veículos.

A situação do setor é preocupante… “pero no mucho”.

Ao compararmos o resultado de janeiro com o mesmo período do ano passado, devemos lembrar que vínhamos de um 2019 aquecido, com ótimas perspectivas para 2020 (quando demos com os burros n’água).

Além disso, janeiro de 2020 teve 22 dias úteis contra 20 dias úteis neste ano. Aí, comparando a venda média por dia útil, a retração do período fica em menos de 3%, o que não é “nada traumático” – mas já ligamos o sinal amarelo para a recuperação do setor.

Se o mercado de carros novos se encontra “assim, assim”, o de usados vai muito bem, obrigado! A média diária de vendas neste mês foi de 43.458 veículos/dia contra 41.653 veículos/dia em janeiro de 2020, ou seja, crescimento de 4,34%.

E por que o resultado do setor de veículos usados é “MEGA” importante? Pois, independentemente se está sendo comercializado carro novo ou carro usado, as vendas de veículos vêm crescendo. A média de carros vendidos neste mês foi de 51,6 mil carros/dia contra 50 mil carros/dia sobre janeiro do ano passado.

O consumidor brasileiro ainda continua com o desejo de possuir (TER) um carro… mas agora não precisa ser um carro novo. Além disso, a cada dia, mês, ano que se passa, o hiato entre o preço dos carros novos e o dinheiro no bolso dos consumidores brasileiro só aumenta, empurrando, assim, o consumidor para o mercado de carros usados. Enfim… segue o jogo!

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Mas quais foram as novidades neste primeiro mês de vendas de 2021?

O óbvio ululante é que o Onix continua sendo o carro mais vendido, com quase 10,6 mil unidades comercializadas. Mas o “mais-melhor-de-bom” é constatar que a Fiat “pato” Strada é o segundo carro mais vendido do Brasil, com 9,2 mil unidades.

E, neste começo de ano, os carcamanos da Fiat (ou do grupo FCA, que agora é Stellantis) estão dando show!

Se no final do ano passado, a GM e a VW estavam disputando “focinho-a-focinho” quem fecharia o ano como líder de mercado, em janeiro a Fiat se aproveitou que as concorrentes estavam se digladiando e desceu o sarrafo nas duas!

Com quase 31 mil carros vendidos, a marca italiana cravou 19% de participação de mercado. A empresa cresceu 19,23% sobre janeiro do ano passado, quando tinha vendido pouco menos de 26 mil carros. Já a GM emplacou 26,6 mil carros, registrando queda de 24% sobre o mesmo período do ano passado. Ou seja, a Fiat já abriu uma vantagem de 4,3 mil carros sobre a GM.

Tá bom? Tem mais!

Se pegarmos a outra marca do grupo FCA (a Jeep), ela vendeu pouco mais de 12 mil carros, gerando um crescimento de 40% sobre o mesmo período do ano passado, quando tivemos 8,7 mil unidades vendidas. A Jeep cravou 7,5% de share. Fiat e Jeep (antiga FCA) cravaram 26,5% de participação do mercado, ou seja, 1/4 do setor é delas. Se considerarmos agora o Stellantis, com as marcas Peugeot e Citröen, o novo grupo possui participação de mercado de 28%.

Isso quer dizer que a marca está vindo com tudo neste ano? Não é bem assim… teve um pessoal lá de “Belzonte” que arrematou uns 15 mil carros neste primeiro mês de 2021. Mais da metade desse volume foi de produtos Fiat e Jeep. Se as compras desse pessoal lá das Minas Gerais corresponderam por 9% do total, para a Fiat elas representaram 18,6% do total, enquanto para a Jeep impactou em 17,6% do total.

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E se você estiver com curiosidade de saber: e a Ford? Bom… a ex-eterna quarta marca, já despencou para a oitava posição do ranking, com participação de mercado de 5%. O tombo de vendas da marca foi de 43,7% (8,1 mil carros vendidos em janeiro deste ano contra 14,4 mil em janeiro de 2020). Lembrando que – para eles – o chão é o limite!

E aí, o que achou? Dúvidas, me manda um e-mail aqui. Ou me segue lá no Facebook, Instagram, Linkedin e Twitter.

Raphael Galante

É economista, trabalha no setor automotivo há 14 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.