Como ganhei 160% ao ano com renda fixa durante as eleições presidenciais

Em 47 dias tive um retorno de 13% sobre meus investimento, ou seja, uma taxa anual de 160%! Esse retorno de um mês é o equivalente a quase dois anos de poupança! Já está na hora de aprender as maravilhas da renda fixa.

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Investimento em renda fixa é meu favorito. Caso não saiba o que estiver fazendo e erre, ainda garantirá o retorno pelo contrato no dia do vencimento; caso saiba, ele se torna uma poderosa ferramenta de especulação, sem muito risco.

O último foi o caso do meu investimento mais recente em tesouro direto, quando comprei, em 03/09/2018, títulos de IPCA com vencimento em 2045 e com premium de 5,85%.

Em qualquer título de dívida, o retorno do investidor não se limita aos juros pagos. Com 22 anos, eu, obviamente, não comprei esse título com o objetivo de o segurar até meus 55. Além dos juros, investidores também podem lucrar nas variações do preço de compra e venda do próprio título no mercado, cujo preço é baseado nas expectativas de quais serão as taxas de juros do mesmo contrato no futuro.

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De maneira simplificada, ao comprar um título rendendo 5,85% de premium, se as taxas do mercado caíssem para 5%, eu teria uma vantagem sobre os novos investidores, os que teriam comprado o título menos rentável hoje. Isto é, o meu contrato passaria a ser mais valioso que um contrato emitido agora, uma vez que esse pagaria menos.

No período antes do primeiro turno, o ritmo conturbado dos acontecimentos políticos gerou uma instabilidade muito grande no mercado: Lula, a hospitalização de Bolsonaro, eventos e debates, entre outros. As expectativas do mercado poderiam mudar da noite para o dia.

A única maneira de compensar tanta incerteza foi com altas taxas de juros, essas que, no período, pagavam IPCA + 6% – vale ressaltar que a última vez em que as taxas de juros no IPCA alcançaram patamares similares foi em 2016.

Contudo, após estudos, pude concluir que tal seria uma taxa insustentável, dado o cenário atual, e, no médio-prazo, voltaria para o patamar de 5.25%. Logo, efetuei a compra.

Vencimento em 2045, um título tão longo, por quê?

A variação de 0,6% dos juros é, no papel, baixa. Por isso, precisava de uma forma de alavancar meus resultados. Em um título de dívida, quanto maior a sua longevidade, maior seria a variação de seu valor dado mudanças nas taxas de juros.

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Em outras palavras, uma diferença de 5,25% para ,85% é muito mais significativa ao longo de 30 anos, que uma em contrato de vencimento em 2 anos. Por esse motivo, usar títulos com datas longas, apenas alavancam seu retorno – ou prejuízo.

Resultado: 159,93% ao ano

Passaram-se 47 dias desde o investimento, e os resultados vieram mais rápido que o estimado: 13,03% de retorno em pouco mais de um mês. Esse retorno, em juros composto, traduziria em 159% a.a.. Um brasileiro precisaria de quase 2 anos de poupança para ter o mesmo lucro que tive em um mês – em um ativo mais seguro que a própria poupança.

Este é um resultado incrível: fazer um título tão seguro quanto o Tesouro Nacional render tanto quanto um juros de cheque especial. Um cenário que proporciona condições para tal oportunidade não é tida sempre no mercado, portanto, quando essa aparece, deve-se estar preparado para tirar proveito. Agora, você sabe como.

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Matheus Tavares dos Santos

Nasceu no interior de São Paulo, tornou-se bolsista na Northeastern University aos 17 anos. Criou uma startup e vendeu-a aos 19 anos para trabalhar em uma multinacional em Boston. Voltou ao Brasil onde trabalhou no Bradesco e na B3. Atualmente estuda em Madri, administra seu próprio fundo de investimento e é analista do SVF Value Fund, em Boston.